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quinta-feira, 25 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Eu jamais pudera embasar os sentimentos de Michel baseada em mim, éramos muito parecidos, porém eu sempre pensara o seguinte:
Como pudera eu,interpretar os sentimentos e sensações das pessoas, embasada no que sentira, ou pressentira, mesmo a humanidade, por mais que tente entender que somos iguais,literalmente,pensara eu que não.
Mesmo tendo as mesmas características, tivera comigo que ,como as digitais, teria sempre, algo que me divergira de alguém.
Abraçara Michel pelo celular com o coração, quando ele trilhara o caminho certo, voltando sem resquícios de dúvidas para mim.
Conversáramos bastante noite adentro, e quando a noite se fez mais espessa, uma leve brisa tirara minha indisposição, e em sintonia com o homem que eu tanto amara, pudera simplesmente, reforçar esse sentimento que pairava entre nós, sem nenhuma pergunta ácida sequer.
Estávamos felizes, Michel embarcaria no dia seguinte e de passagens prontas, porque me conhecera muito bem,e soubera que eu o esperara em silêncio durante um ano.
Meu filho ao saber que Michel estivera voltando, dera um salto no ânimo, e desabrochara aquele Levi alegre e feliz de sempre, obviamente que Andreia também.
Ao voltar para casa Michel simplesmente parecera que houvera saído para ir até a padaria e voltado, e um ano houvera passado, mas as nossas emoções estiveram mantidas no mesmo lugar, nossas conversas e confidência deram continuidade de onde pararam.
Eu não fizera nenhuma festa para esperá-lo, nenhum jantar especial, pois apenas preferira colocá-lo numa situação reconfortante de novo e também combináramos que não falaríamos mais no assunto, pois poderíamos magoar nosso filho que gostara muito de Michel, mas que tanto amara o pai. E a nossa vida voltara ao normal, essa fora uma prova pela qual, o nosso amor passara e resistira.
Levi voltara a frequentar mais nossa casa por causa de Michel, eles se davam muito bem,conversavam muito sobre assuntos dos quais eu não tinha interesse, principalmente esportes, inclusive futebol.
Eles assistiam jogos juntos, depois viam os melhores momentos também, isso sempre me impressionara.
Michel trouxera umas receitas simples, mas diferentes da França, então ele ia para cozinha, e sempre fazia pratos simples como croque monsieur, sanduíche francês de queijo e presunto.
Este nascera em Boulevard des Capucines uma espécie de misto quente arrogante e delicioso, que nascera em mil novecentos e dez, como o almoço perfeito: quente, crocante, feito com queijo e presunto. 
Se o Michel adicionasse molho béchamel, então, ficava também luxuoso.
Uma receita que fora criada de um acidente: o sanduíche de presunto e queijo do trabalhador francês foi esquecido em lugar muito quente na fábrica e o pão murcho ficou crocante, o queijo derreteu e voilà, então nascia um clássico.
Não se sabe ao certo, se é verídico o fato, porém por volta de mil novecentos e dez, ele começou a aparecer nos cafés parisienses.
 Ganhou sabores até chegar à fórmula atual, tostado e com molho béchamel.
Trouxera também a receita do clássico omelete francês, guarda segredos para conquistar a textura cremosa perfeita.
Eu vira Michel fazer uma receita, de apenas três ingredientes, que tem o ovo como grande estrela, pudera parecer super simples.
Mas eu tentara fazer o omelete francês em casa ,e acabara sempre naquela tortilha chapada.
Michel fizera um omelete francês perfeito, uma arte. Atingira a textura cremosa por dentro e lisinha por fora, sem queimados como mandara a tradição, jantáramos muito tempo com Michel na cozinha.