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quinta-feira, 25 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA

 Embora estive bem longe de Michel, tivera ainda na força desse amor, uma alegria permanente que me elevara a uma condição especial, a maturidade me fizera entender a verdadeira diferença entre um amor livre que resiste o tempo, e uma dependência pesada e castradora.
Nas tardes ,eu sempre andara pelo meu bairro, conversando com as pessoas conhecidas, e observando o movimento de minha vida, compondo minhas ideias e pensamentos, dentro das páginas brancas, que me esperavam.
Eu jamais pudera estagnar minha vida enquanto felicidade, pois ainda restara meu amor próprio, e também, o amor pelo meu filho e Michel.
Mesmo se Michel jamais voltasse,eu lhe seria grata, por tanto tempo de felicidade que juntos compartilhamos.
Eu lhe seria grata, porque em momento algum, ele me desrespeitara como pessoa, também lhe seria grata, pelas imperfeições assumidas, pois da perfeição narcísica de Eduardo, estivera estupefata.
A vida fora me ensinando como um livro que expusera suas páginas uma por uma, diariamente, para que eu fosse lendo e entendendo, descobrindo e enfim, aprendendo.
Meu filho ,aos poucos se aproximara de mim, não pela presença, porque ele e Andreia estavam morando juntos, mas eu pressentira, seu coração, mais próximo do meu, esse mesmo pressentimento,eu tivera de minha nora Andreia.
As boas emoções foram se acomodando entre nós,eu me sentira mais forte, porém muito mais tranquila, sem vontade de lutar a favor, ou contra qualquer coisa.
Jamais esperara por tudo, de braços cruzados, mas esse estado de consciência, me custara um bom treino da virtude da paciência, e quando esta se apoderara de mim, sentira eu, que me dominara de maneira pacífica, tirando-me aptidões, para desgastes sem necessidades.
O silêncio pacífico ,conseguira me equilibrar, de maneira tal, que uma sensação reconfortante se apascentara em minha existência,eu contornara minha vida com minhas verdades, sem a necessidade ansiosa de viver a mil por hora porque o tempo estivera passando, quando em nenhuma tumba também jamais lera: "Aqui jaz uma pessoa que aproveitara a vida e fora feliz”.
Mesmo porque, considerara o verbo aproveitar, meio fora de contexto, quando alguém usara muito esse verbo, eu como boa empata, sempre ficara com o pé atrás, com a tal pessoa.
Acreditara sempre que nascêramos para o amor, nunca para o bom proveito, e o amor, simplesmente exime, a palavra aproveitar, quando pessoas de boa índole, jamais aproveitam coisa alguma.
O tempo passara, e Michel há um ano sem falar comigo,,jamais perdera as esperanças, porém jamais me desesperara também, mas num anoitecer meio abafado, meu celular tocara e era ele.
Eu me sentara na sacada do prédio para atendê-lo, pois me sentira encalorada naquela noite, e meio indisposta.
Ele me dissera, que houvera se arrependido, e que descobrira tudo sobre Eduardo, conversando com um amigo nosso de Botucatu, que dera aula na mesma escola que ele, em São Paulo, e o encontrara em  Rocamadour ,fazendo uma turnê pelas cidades turísticas da França.
Falara sobre o relacionamento conturbado entre ele e Celina, e que esse amigo sempre fora morador de Botucatu e me conhecera bem.
Também dissera ser vizinho dos pais de Celina e que vez ou outra ela aparecera na casa dos pais, por causa das brigas e maltratos, porém os pais ficavam aturdidos, pois ela nunca permitira eles tomarem nenhuma atitude.
Eu o ouvira em silêncio, sem interferir, e simplesmente entendera que Michel sempre fora uma pessoa maravilhosa, e que buscara a verdade.