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terça-feira, 16 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_POR CULPA DO AMOR


Justamente, eu Mariana e ali estava Gustavo e dessa vez me pedindo perdão, dizendo que seu mundo ficara vazio depois de minha partida.
Meio perdida recostara num banco depois me sentara e ele sentara de meu lado e começara a dizer que me amava de um tanto que eu jamais pudera imaginar.
Eu lhe perguntei:
Como passaste a vida inteira me enganando sem o mínimo de preocupação com meus sentimentos?
Ele respondeu que gostaria muito ter senso crítico sobre ele, depois chorando concluiu:
Eu fiz de tudo em minha vida para não agir como Clélia, ela guardava mágoas e raivas porque nunca conseguira amar, e se julgava forte por isso.
Eu, no entanto sempre te admirei Mariana enquanto pessoa, ser humano e mulher.
Agora estamos com nossos rumos traçados, venci a teu lado, todas as minhas falhas quando uma por uma foste perdoando.
Por favor, não me abandone!
Mesmo sabendo de tudo, e porque sabendo de tudo, meu coração falou mais alto que a razão, finalmente e mais uma vez.
Eu sempre soubera o quanto profissionais da área, criticam nós os empatas, por agirmos assim.
Porém, muito mais forte que eu sempre fora o amor que eu sentira por Gustavo.
Um amor completo de corpo e alma.

Um amor revestido de todos os defeitos possíveis e tendo a beleza de nossos entendimentos como alegoria.
Quando mal percebemos estávamos os dois de mãos dadas caminhando pela cidade de Londres.
O tempo parecia não ter pressa, e o vento roçava nossos rostos umidificados de lágrimas.
O silêncio dizia muito...
A culpa fora minha também, mas por outro lado esse amor frutificara, colocara as peças no quebra cabeças e se responsabilizara por Eleonor e Mirela.
Eu sempre tivera comigo que existem motivos mais profundos e que cada caso é um caso "velho dito popular”
Caminhamos em direção aos hotéis e encontramos um quarto, onde nosso amor apagara todo nosso sofrimento e depois dormimos abraçados.
Eu já não me sentira aquela antiga menina assustada envolvida nos braços de meu grande amor.
Eu estava me atirando, a uma solidão estarrecedora, cheia de complexos que jamais justificariam em mim tanto sofrimento.
Resolvemos que mudaríamos em Londres e ficaríamos perto de nossas filhas.
E quando estas souberam da presença do pai, ficaram felicíssimas.
Vendemos nosso apartamento fechado e compramos um imóvel simples na rua de Moscou.
O tempo passara e agora estamos velhinhos e nos amamos mais ainda, a nossa caminhada e mais lenta, nossas decisões mais indecisas, porém dentro de nós existe uma certeza confeccionada com árduo trabalho e também muito prazer.