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terça-feira, 16 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Eu ficara mais de uma hora ouvindo Celina, porém, nada me ocorrera que pudesse fazer por ela, mesmo porque ela só queria desabafar e jogar sobre mim, toda culpa por ser completamente apaixonada pelo meu ex marido.
Entendera que além de dependente, também houvera se tornado manipuladora, quando apenas me usara e não permitira, e soubera que nem deveria redarguir.
Eu durante esse tempo todo pouco dissera e o pouco fora suficiente para entender, que não houvera nada a fazer no momento.
Anoitecera e eu levantara e dissera a ela que precisava ir, ela também se levantou, limpou as lágrimas e se dirigira para sua casa.
Quando eu chegara em casa de meus pais, Michel estava preocupado, querendo saber onde eu andara:
Sara, disse ele, onde estiveste até esta hora?
Ele ligara no meu celular, e só caíra na caixa postal...
Porém, meus pais também querendo saber onde eu estivera e como eles já tinham uma certa idade, não queria preocupá-los, mesmo porque eles tinham uma certa adoração por Eduardo e naquele momento eu evitara falar sobre o assunto.
Então desconversei e dissera que estivera na casa de Eliana a amiga que eu fora visitar e que o tempo passara e eu não percebera, quando notáramos já era noite.
Eu nunca mentira a Michel, entendera que aquela fora uma mentira necessária, pelo menos no momento, até ter uma oportunidade de estarmos a sós e eu contar tudo.
Só que Michel retrucara:
Estás mentindo!
Liguei várias vezes na casa de Eliana!
Michel nunca fora ciumento, porém estava possesso, naquele momento.
Os meus pais entrando no meio da discussão, dizendo que eu errara em não avisar, como se eu fosse aquela adolescente de outrora, que tanto lhes dera satisfações de tudo, ou do nada que fizera.
Michel pegara suas coisas e saíra sem se despedir de ninguém,eu passara a noite toda esperando que ele voltasse,mas,literalmente,ele desaparecera.
Ás vezes tivéramos desentendimentos por coisas banais, mas que não chegaram a uma tamanha briga, feito aquela.
O telefone da casa de meus pais tocara e minha mãe atendera e dera o fone em minha mão dizendo:
Sara atenda!
É para ti!
Eu atendi rapidamente pensando que fosse Michel, mas era o Eduardo que com uma voz sarcástica dissera:
Brigou com o marido, não é?
E ria muito!
Depois continuara:
Dissestes para Celina sair de casa?
Tu és louca?
Pensas que todo mundo é como tu?
Eu desligara sem dizer nada, e perguntara aos meus pais, se Michel saíra com alguém á tarde.
Responderam que não, mesmo porque Eduardo lhe fizera uma visita.
Nesse momento sentira uma imensa revolta comigo mesma por continuar ainda sendo aquela pessoa ingênua que confiara demais.
Celina fizera questão de me prender a atenção até tarde com toda aquela choradeira, só para ter o prazer de me ver brigada com Michel.
Eu ficara tempo sem visitar Botucatu, e simplesmente, nesse momento não me arrependera, sentindo que as invalidações a meu respeito continuariam, pois os narcisistas costumam ter sempre, a última palavra.