Eu
ficara mais de uma hora ouvindo Celina, porém, nada me ocorrera que pudesse
fazer por ela, mesmo porque ela só queria desabafar e jogar sobre mim, toda
culpa por ser completamente apaixonada pelo meu ex marido.
Entendera
que além de dependente, também houvera se tornado manipuladora, quando apenas
me usara e não permitira, e soubera que nem deveria redarguir.
Eu
durante esse tempo todo pouco dissera e o pouco fora suficiente para entender,
que não houvera nada a fazer no momento.
Anoitecera
e eu levantara e dissera a ela que precisava ir, ela também se levantou, limpou
as lágrimas e se dirigira para sua casa.
Quando
eu chegara em casa de meus pais, Michel estava preocupado, querendo saber onde
eu andara:
Sara,
disse ele, onde estiveste até esta hora?
Ele
ligara no meu celular, e só caíra na caixa postal...
Porém,
meus pais também querendo saber onde eu estivera e como eles já tinham uma
certa idade, não queria preocupá-los, mesmo porque eles tinham uma certa
adoração por Eduardo e naquele momento eu evitara falar sobre o assunto.
Então
desconversei e dissera que estivera na casa de Eliana a amiga que eu fora
visitar e que o tempo passara e eu não percebera, quando notáramos já era
noite.
Eu
nunca mentira a Michel, entendera que aquela fora uma mentira necessária, pelo
menos no momento, até ter uma oportunidade de estarmos a sós e eu contar tudo.
Só
que Michel retrucara:
Estás
mentindo!
Liguei
várias vezes na casa de Eliana!
Michel
nunca fora ciumento, porém estava possesso, naquele momento.
Os
meus pais entrando no meio da discussão, dizendo que eu errara em não avisar,
como se eu fosse aquela adolescente de outrora, que tanto lhes dera satisfações
de tudo, ou do nada que fizera.
Michel
pegara suas coisas e saíra sem se despedir de ninguém,eu passara a noite toda
esperando que ele voltasse,mas,literalmente,ele desaparecera.
Ás
vezes tivéramos desentendimentos por coisas banais, mas que não chegaram a uma
tamanha briga, feito aquela.
O
telefone da casa de meus pais tocara e minha mãe atendera e dera o fone em
minha mão dizendo:
Sara
atenda!
É
para ti!
Eu
atendi rapidamente pensando que fosse Michel, mas era o Eduardo que com uma voz
sarcástica dissera:
Brigou
com o marido, não é?
E ria
muito!
Depois
continuara:
Dissestes
para Celina sair de casa?
Tu és
louca?
Pensas
que todo mundo é como tu?
Eu
desligara sem dizer nada, e perguntara aos meus pais, se Michel saíra com
alguém á tarde.
Responderam
que não, mesmo porque Eduardo lhe fizera uma visita.
Nesse
momento sentira uma imensa revolta comigo mesma por continuar ainda sendo
aquela pessoa ingênua que confiara demais.
Celina
fizera questão de me prender a atenção até tarde com toda aquela choradeira, só
para ter o prazer de me ver brigada com Michel.
Eu
ficara tempo sem visitar Botucatu, e simplesmente, nesse momento não me
arrependera, sentindo que as invalidações a meu respeito continuariam, pois os
narcisistas costumam ter sempre, a última palavra.