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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO



Sentindo que Artur, meu padrasto, houvera levado uma parte importante de minha vida, quando na verdade, sonhara muito com o tão sonhado dia, juntamente com Leo que eu tanto amara.
Começara a sentir nojo de mim mesma!
E a  vida,fintara  transcorrer normalmente naquele ano, quando mal percebera, mediante tanta correria o ano houvera terminado,.
Léu fora para o segundo ano de engenharia e eu,para o terceiro do Ensino Médio, já estava sonhando, em conseguir um bom emprego e melhorar minha condição de vida para poder morar sozinha, assim deixaria tantos aborrecimentos para trás, embora marcada para sempre.
Muitas vezes, eu tentara contar para o meu namorado sobre o estupro, mas nunca tivera coragem, também sentira medo, que ao saber, ele pudera me abandonar.
Depois desse fato,eu ficara muito mais insegura em relação ao Leo, e ele também, me vira chorando por qualquer coisa.
Nosso relacionamento, mesmo eu não querendo, ficara de certa forma, um pouco abalado,eu não pudera contar para minha mãe, mesmo porque percebera, que ela parecera me culpar, pela infelicidade, de ter uma filha, de um relacionamento fracassado.
Porém, o mais agravante fora nunca termos desenvolvido um relacionamento de confidências, nos faláramos apenas o obvio, mesmo porque, ela assim determinara desde minha tenra idade.
Sabendo também, que ela poderia ter seu relacionamento abalado, mas que jamais deixaria aquele canalha,no final das contas,eu seria a culpada.
Mesmo com a constante presença de Leo em minha vida, sentira-me sozinha no mundo, sem ter com quem dividir esse fardo, essa culpa que tanto me esmagara a consciência.
Muitas vezes,me sentira suja e mesquinha, por isso...
Passei a odiar o meu padrasto, mas de vez em quando, ele olhava para mim, sem que minha mãe visse, com um certo olhar de sarcasmo e vitória, ele sabia que havia me destruído interiormente, e totalmente.
Quando eu estava com meu namorado procurara esquecer, e havia planejado uma terapia quando eu tivesse condições ,para ver se aliviava essa dor interna.
Eu precisara de uma força tamanha para atravessar essa fase tão dolorida, e muitas vezes, mesmo mediante a fé, contemplara suicídio.
Meu irmão Rodrigo ,estava com onze anos, entrando na adolescência já,eu pensara muito em dona Rafaela nesse tempo todo, pois seria minha confidente, e também eu poderia ir morar com ela.
Rezava muito, e em minhas orações, pedira para que ela me desse forças, para vencer os pensamentos mais absurdos, que me ocorriam até então...
Na minha sala do terceiro ano, haviam muitas meninas legais, algumas que vieram de outras salas ,ou mesmo de outras escolas.
Eu acreditara, que minhas colegas sempre me acharam esquisita talvez, pois era um pouco tímida e fechada também, porém nunca tivera divergências com nenhuma delas.
Isso também, se devia aos meus namoros, em tenra idade ainda, primeiro o Marcos e com o tal distanciamento,viera a namorar o Leo.
Na verdade,eu sempre precisara do ombro de alguém para me amparar, visto que eu crescera, sob desmandes e invalidações, o fato de ouvir alguém dizer que me amara, fizera-me retornar á vida, ter coragem para continuar meu caminho.
 Vira a diferença em meu irmão, pôr ter sido amado, era mais tranquilo, talvez me entendendo menos, mas me compreendendo mais.
Eu estava desesperada sem saber que norte tomar, mesmo que houvessem mil soluções, mediante ao desespero em que eu me encontrara, era difícil encontrar sequer uma saída.
Pois tudo estivera impregnando em mim de forma violenta e constante, quando fora ceifado o meu lado mulher, tão preservado, tão íntimo e tão meu.
Jamais alguém pudera avaliar a sensação de angústia e o desespero, que me cerceava, meu namorado passara a ser um caso á parte, quando já nem me sentira digna de seu amor.
 Ele passara a reclamar de minha frieza diante de seus carinhos,eu não conseguira mais corresponder, e comumente o empurrava e dava uma desculpa qualquer.
 Nosso namoro fora ficando, cada vez mais complicado, e eu o amava, mas vira tudo se esvaindo diante daquela situação, da qual eu precisara de ajuda para poder contornar.
As noites se tornaram longas, é eu acordando sobressaltada várias vezes...
Eu me sentira um lixo no momento, usada por um monstro e ainda invalidada como se eu fosse a pior das mulheres, a mais rasteira e mesquinha, que pudesse existir. Sentira-me culpada por tudo, deveria ter ido para um orfanato,denunciado,fugido de casa, mas mediante a ameaça eu me calara e covardemente, por medo de perder Leo,não lhe pedira ajuda.