Marcadores

segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Entendera tarde demais que a verdade pode até doer muito, mas livrar-se da mentira o quanto antes, nos torna mais livres e corajosos perante a vida, perante o mundo.
Porém, minha verdade, nada tinha de simples, para eu dizer.
Eu soubera que sarcasticamente, ele se nutrira de meu desgosto, de minha tristeza, de meu sofrimento, e para evitá-lo sempre, entrara em casa chegando do trabalho, tomara um banho rápido, e fora á escola.
Naquela noite, Leo fora me buscar, estava romântico e me disse, que já podíamos estreitar nossa relação, pois éramos responsáveis o suficiente...
Embora eu amasse muito meu namorado, esse assunto caiara justamente numa época, em que eu estivera dilacerada pelo ocorrido, porém eu não tinha coragem de dizer a ele.
Não saberia ,qual seria sua reação, também tinha muita pena de Leo, que tantas vezes conversamos sobre esse assunto, ele soubera, que eu jamais havia estado com alguém, e planejáramos muita coisa bonita, para o tão esperado dia.
Eu quisera argumentar, mas as palavras ficaram presas na garganta e grossas lágrimas me traíram, e eu querendo me conter, mas estas banharam-me o rosto, copiosamente.
Ele me abraçara com carinho.
_O que foi Mariana meu amor?
-Eu te magoei com isso?
Eu balançara a cabeça e nenhuma palavra conseguira articular, enquanto ele me alisava os cabelos dizendo:
_Calma, outro dia conversaremos sobre o assunto!
E tirando uma barra do meu chocolate preferido, colocara em minha mão, segurando bem apertada entre as suas.
Eu o abracei forte e demoradamente, depois entrei correndo em casa...
Mais uma vez eu protelara algo, que me pesara muito, á medida que o tempo passara, entendia que protelar só aumentaria em tempo meu sofrimento, porém, a maneira brutal pela qual eu fora abordada, mudara completamente meus anseios de mulher.
Mesmo entendendo e tentando dialogar comigo mesma, era uma monstruosidade da qual, nem comigo quisera redarguir.
Eu esperara o tempo me dizer alguma coisa, a vida mostrar-me um norte, que me colocasse forte o suficiente para encarar de frente aquela situação, pelo menos em relação ao meu namorado,me sentir em paz.
Meu coração sempre soubera perdoar, porém meu padrasto arrasara minha vida, era impossível perdoá-lo, quando na verdade, ele tentara roubar a minha alma, pelas consequências, que esse absurdo, pudera até causar em mim.
Por outro lado jamais acharia justo, além de tudo eu ainda carregar ódio comigo,pois desde muito cedo lendo os livros que Marcos me indicara, descobrira que todo ressentimento, ou sentimento adverso por outra pessoa, gera uma toxidade tamanha, trazendo desde envelhecimento precoce, até as mais terríveis doenças.
Tudo fora premeditado, para que levasse consigo minha alegria, minha vontade de viver.
Voltando do trabalho numa tarde, o vento roçando meu rosto, sentira uma presença agradável cerceando meu corpo, uma certa esperança parecera desabrochando.
E no céu uma lua parecendo uma unha cortada, envolta de uma cor ocre, trouxera ao meu encontro a felicidade, que por tantos dias, depois do ocorrido fato, ficara camuflada.
O tempo fora passando, e eu me apegara bastante em Leo, mais do que o costume, passara a ficar insegura e ter medo de perdê-lo, pois passara mediante a aflição vivida constantemente, fazer de nosso namoro o meu mundo a minha vida.
Eu pressentira tudo que acontecia em minha casa, pressentira muita coisa na indiferença de minha mãe, e também de suas amigas.
O meu irmão se tornara bastante arrogante em relação a mim, enquanto minha mãe e meu padrasto tentavam sempre colocá-lo num pedestal, se projetando os dois nele, tanto que ás vezes ele se irritava, eu percebera, que ele se sentia até sufocado com isso.
Eu daria tudo para poder sair de minha casa, mas enquanto estivesse naquela loja, o que eu ganhava não daria para me sustentar sozinha,eu dera todo mês, quase todo pagamento para ajudar nas despesas de minha casa, e muitas vezes,me eram negadas algumas comidas que eu gostava, ou coisa assim.
Porém, mesmo assim tudo suportaria, menos conviver com um abusador feito meu padrasto, que continuava a me abusar, mesmo sem me tocar mais, apenas com aquele olhar sarcástico.
Eu chegara a ter certeza que saindo da presença dele,eu retomaria a minha vida psicológica aos poucos, e conseguiria me livrar daquela culpa castradora e cruel, da qual esse fato me submetera.