Entendera
tarde demais que a verdade pode até doer
muito, mas livrar-se da mentira o quanto antes, nos torna mais livres e
corajosos perante a vida, perante o mundo.
Porém,
minha verdade, nada tinha de simples, para eu dizer.
Eu
soubera que sarcasticamente, ele se nutrira de meu desgosto, de minha
tristeza, de meu sofrimento, e para evitá-lo sempre, entrara em casa chegando do trabalho, tomara um banho rápido, e fora á
escola.
Naquela
noite, Leo fora me buscar, estava romântico e me disse, que já podíamos
estreitar nossa relação, pois éramos responsáveis o suficiente...
Embora
eu amasse muito meu namorado, esse assunto caiara justamente numa época, em que
eu estivera dilacerada pelo ocorrido, porém eu não tinha coragem de dizer a
ele.
Não saberia ,qual seria sua reação, também
tinha muita pena de Leo, que tantas vezes conversamos sobre esse assunto, ele
soubera, que eu jamais havia estado com alguém, e planejáramos muita coisa
bonita, para o tão esperado dia.
Eu
quisera argumentar, mas as palavras ficaram presas na garganta e grossas
lágrimas me traíram, e eu querendo me conter, mas estas banharam-me o rosto,
copiosamente.
Ele
me abraçara com carinho.
_O
que foi Mariana meu amor?
-Eu
te magoei com isso?
Eu
balançara a cabeça e nenhuma palavra conseguira articular, enquanto ele me
alisava os cabelos dizendo:
_Calma,
outro dia conversaremos sobre o assunto!
E
tirando uma barra do meu chocolate preferido, colocara
em minha mão, segurando bem apertada
entre as suas.
Eu o
abracei forte e demoradamente, depois entrei correndo em casa...
Mais
uma vez eu protelara algo,
que me pesara
muito, á medida que o tempo passara, entendia que protelar só aumentaria em
tempo meu sofrimento, porém, a maneira brutal pela qual eu fora abordada,
mudara completamente meus anseios de mulher.
Mesmo
entendendo e tentando dialogar comigo mesma, era uma monstruosidade da qual,
nem comigo quisera redarguir.
Eu
esperara o tempo me dizer alguma coisa, a vida mostrar-me um norte, que me
colocasse forte o suficiente para encarar de frente aquela situação, pelo menos
em relação ao meu namorado,me sentir em paz.
Meu
coração sempre soubera perdoar, porém meu padrasto arrasara minha vida, era
impossível perdoá-lo, quando na verdade, ele tentara roubar a minha alma, pelas
consequências, que esse absurdo, pudera até causar em mim.
Por
outro lado jamais acharia justo, além de tudo eu ainda carregar ódio
comigo,pois desde muito cedo lendo os livros que Marcos me indicara, descobrira
que todo ressentimento, ou sentimento adverso por outra pessoa, gera uma
toxidade tamanha, trazendo desde envelhecimento precoce, até as mais terríveis
doenças.
Tudo
fora premeditado, para que levasse consigo minha alegria, minha vontade de
viver.
Voltando
do trabalho numa tarde,
o vento roçando meu rosto, sentira uma
presença agradável cerceando meu corpo, uma certa esperança parecera desabrochando.
E no
céu uma lua parecendo uma unha cortada,
envolta de uma cor ocre, trouxera ao meu
encontro a felicidade, que por tantos dias, depois do ocorrido
fato, ficara camuflada.
O
tempo fora passando, e eu me apegara bastante em Leo, mais do que o costume,
passara a ficar insegura e ter medo de perdê-lo, pois passara mediante a
aflição vivida constantemente, fazer de nosso namoro o meu mundo a minha vida.
Eu
pressentira tudo que acontecia em minha casa, pressentira muita coisa na
indiferença de minha mãe, e também de suas amigas.
O meu
irmão se tornara bastante arrogante em relação a mim, enquanto minha mãe e meu
padrasto tentavam sempre colocá-lo num pedestal, se projetando os dois nele,
tanto que ás vezes ele se irritava, eu percebera, que ele se sentia até
sufocado com isso.
Eu
daria tudo para poder sair de minha casa, mas enquanto estivesse naquela loja,
o que eu ganhava não daria para me sustentar sozinha,eu dera todo mês, quase
todo pagamento para ajudar nas despesas de minha casa, e muitas vezes,me eram
negadas algumas comidas que eu gostava, ou coisa assim.
Porém,
mesmo assim tudo suportaria, menos conviver com um abusador feito meu padrasto,
que continuava a me abusar, mesmo sem me tocar mais, apenas com aquele olhar sarcástico.
Eu
chegara a ter certeza que saindo da presença dele,eu retomaria a minha vida
psicológica aos poucos, e conseguiria me livrar daquela culpa castradora e
cruel, da qual esse fato me submetera.