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terça-feira, 7 de abril de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Após tomar conhecimento do fato, entendera que o mundo caminha a passos largos rumo a utopia, de que a modernidade tudo transformara, onde vivêramos tecnologicamente sob o respaldo de leis mais justas, onde a misoginia ficara lá no passado, a escravidão e o preconceito sufocador ,narcisismo também.
Simplesmente, acreditara então, que jamais houvera vazão, mas que tudo permanecera infectado pela bactéria devastadora, que corrompe os meios e os fins, para que tudo fique em brancas nuvens, mesmo que estas estejam cobertas de cinzas, para camuflar visões.
Conversara com uma professora vizinha minha, muito jovem ainda, que dava aula numa rede pública, e ela me dissera que tinha uma aluna que fora entregue pelos pais, a um militar aposentado, que depois vendia para casas de prostituições.
Ela também me dissera, que após conversar com a menina, indignada porque ela era proibida a participar do recreio com as outras, pelo tutor e monitorada pela caseira da escola, coisa que ela não sabia, foi advertida pela caseira, com ameaças, dizendo que ela poderia a qualquer momento levar um susto.
Disse a professora não ter entendido a priori, quando a caseira disse:
Professora, ontem uma pessoa te procurou.
A professora, que havia acabado de mudar naquela cidade estranhou e perguntou.
Quem me procurou?
Um senhor militar, já meio idoso, e só disse, avise a professora que eu a descobri.
Ela vai levar um tremendo susto e dizer:
Nossa, ele me achou!
Disse a professora ter entendido o recado da caseira, só depois de ter chegado em casa á noite.
As brigas entre Eduardo e eu aconteciam mais esporadicamente, porque brincávamos como duas crianças o tempo todo, e vivíamos aos beijos e abraços,eu o adorava.
Ás vezes íamos até algumas cidades da redondeza curtir umas praias e voltávamos no finalzinho do domingo.
Eu ficava muito triste quando ele ia embora, sentia muita saudade de seu cheiro, seu gosto impregnado em mim.
Mas quando chegava na quinta feira, nos empolgávamos porque na sexta á noite estávamos juntos de novo.
Eu via em Eduardo uma porção importante de minha vida, um lado maravilhoso do amor, quando apesar da paixão da atração, há companheirismo e amizade.
Ás vezes ele tinha algumas colocações meio estranhas, mas eu preferira deixar de lado para que não houvesse mais desentendimentos entre nós, porque as nossas brigas nunca conseguiam colocar em nós um pensamento ruim, em relação a nós mesmos, e sempre eu pedia perdão e tudo ficava em completa harmonia.
Eu achara muito fácil pedir perdão por algo que não havia feito, e assumir uma culpa, a qual eu não tinha, simplesmente para não me ferir mais, porém não percebera, o quanto isso fizera mal á minha personalidade, quando eu me desrespeitara, fazendo de conta que tudo estivera bem.
Em alguns finais de semana eu ia á São Paulo e permanecia no apartamento onde ele morava com mais dois amigos.
Eu tinha que ser intratável com  esses amigos, mas mesmo assim sempre
acabávamos brigando, então decidimos, que ele viria a Botucatu nas sextas á noite, assim não tínhamos nossa privacidade cerceada.
Simplesmente vivíamos do jeito, que talvez ele gostara, mas quando éramos impulsionados, a fazer as pazes, sentíramos que nos amávamos.