Após
tomar conhecimento do fato, entendera que o mundo caminha a passos largos rumo
a utopia, de que a modernidade tudo transformara, onde vivêramos
tecnologicamente sob o respaldo de leis mais justas, onde a misoginia ficara lá
no passado, a escravidão e o preconceito sufocador ,narcisismo também.
Simplesmente,
acreditara então, que jamais houvera vazão, mas que tudo permanecera infectado
pela bactéria devastadora, que corrompe os meios e os fins, para que tudo fique
em brancas nuvens, mesmo que estas estejam cobertas de cinzas, para camuflar
visões.
Conversara
com uma professora vizinha minha, muito jovem ainda, que dava aula numa rede
pública, e ela me dissera que tinha uma aluna que fora entregue pelos pais, a
um militar aposentado, que depois vendia para casas de prostituições.
Ela
também me dissera, que após conversar com a menina, indignada porque ela era proibida a
participar do recreio com as outras, pelo tutor e monitorada pela caseira da
escola, coisa que ela não sabia, foi advertida pela caseira, com ameaças,
dizendo que ela poderia a qualquer momento levar um susto.
Disse
a professora não ter entendido a priori, quando a caseira disse:
Professora,
ontem uma pessoa te procurou.
A
professora, que havia acabado de mudar naquela cidade estranhou e perguntou.
Quem me procurou?
Um
senhor militar, já meio idoso, e só disse, avise a professora que eu a
descobri.
Ela
vai levar um tremendo susto e dizer:
Nossa,
ele me
achou!
Disse
a professora ter entendido o recado da caseira, só depois de ter chegado em
casa á noite.
As
brigas entre Eduardo e eu
aconteciam mais esporadicamente,
porque brincávamos como duas crianças o tempo todo, e vivíamos aos beijos e
abraços,eu o adorava.
Ás
vezes íamos até algumas cidades da redondeza curtir umas praias e voltávamos no finalzinho do domingo.
Eu ficava
muito triste quando ele ia embora, sentia muita saudade de seu cheiro, seu
gosto impregnado em mim.
Mas
quando chegava na quinta feira, nos empolgávamos porque na sexta á noite
estávamos juntos de novo.
Eu
via em Eduardo uma porção importante de minha vida,
um lado maravilhoso do amor, quando apesar da paixão da atração, há
companheirismo e amizade.
Ás
vezes ele tinha algumas colocações meio estranhas, mas eu preferira deixar de
lado para que não houvesse mais desentendimentos entre nós, porque as nossas
brigas nunca conseguiam colocar em nós um pensamento ruim, em relação a nós mesmos, e sempre eu pedia perdão e tudo ficava em completa harmonia.
Eu
achara muito fácil pedir perdão por algo que não havia feito, e assumir uma
culpa, a qual eu não tinha, simplesmente para não me ferir mais, porém não
percebera, o quanto isso fizera mal á minha personalidade, quando eu me
desrespeitara, fazendo de conta que tudo estivera bem.
Em
alguns finais de semana eu ia á São Paulo e permanecia no apartamento onde ele
morava com mais dois amigos.
Eu
tinha que ser intratável com esses
amigos, mas mesmo assim sempre
acabávamos brigando,
então decidimos,
que ele viria a Botucatu nas sextas á
noite, assim não tínhamos nossa privacidade cerceada.
Simplesmente
vivíamos do jeito, que talvez ele
gostara, mas quando
éramos
impulsionados, a
fazer as pazes, sentíramos
que nos amávamos.