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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

FRAGMENTO DO ROMANCE_VENTOS NOTURNOS

Eu adiantava todos os afazeres, para ficar com eles o tempo todo.
Mesmo assim, falhei muito como mãe, por falta de experiência, mediante o que sei hoje, mas mãe, jamais implica alguma coisa pronta, mas sim, uma linda aprendizagem.
Passei a escrever histórias infantis, e ler para os dois, que adoravam, e a cada dia, me pediam uma nova história.
A partir daí, boa parte de minha infância, parece ter retornado.
Meu filho e minha filha, adoravam minhas histórias, adoravam animais, e eu ficava muito feliz por isso.
Quanto eu sentia saudade de minha família, minhas irmãs já casadas e com filhos.
Então com minha filha e meu filho já adolescentes, viajávamos para a pequena Dobrada, meu pai ,se sentindo fraco e debilitado veio a falecer, minha mãe depois de uns tempos, se foi também.
E com eles, parte de meus sonhos de adolescentes, quando sonhava em poder dar-lhes uma vida maravilhosa.
Meus filhos foram crescendo, e eu me sentia um pouco solitária, pois meu marido trabalhava muito e raramente estava em casa.
Nosso relacionamento parecia frio e distante,eu me preocupava muito com isso, pois tinha muito medo de tudo.
Medo que meu casamento acabasse, e eu não conseguisse mais, viver dessa maneira, apenas de aparência, enganando a mim mesma, e o pior, dar péssimo exemplo  de felicidade, a meus filhos.
Mas a Roberta e o Rodrigo eram tranquilos, pois meu relacionamento com o pai deles nunca foi turbulento, foi acabando como os ventos noturnos, que não são vistos, apenas pressentidos, pois vão gelando o corpo, adentrando a alma.
Voltei a estudar e concluir a faculdade, comecei a ter  crises homéricas de depressão, resolvi também fazer terapia.
E com a terapia,vieram á tona, minhas lembranças, até então encerradas dentro de mim,e a grande revelação de que meu casamento estava por um triz
Lutei por dez anos contínuos, para que este não acabasse, mas infelizmente, em comum acordo, deixei minha casa .
Quando, minha filha e meu filho cursando  faculdade, não os levei, para não os privar do conforto de onde morávamos.
A separação soava como um fracasso, perante mim,passei a gostar das coisas mais práticas, a curtir rock, e evitar músicas românticas.
Pois estas me faziam sofrer e ás vezes, ir ás lágrimas.
Nessa época eu lecionava, e dobrei a carga horária, então quando saía era muito cedo e só voltava á casa, depois da meia noite.
Fui perdendo aos poucos, contatos com as pessoas, inclusive de minhas irmãs, que não digeriram bem minha separação.
A minha vida se resumia, de casa para a escola, e da escola para casa, não sobrando tempo, nem para cuidar de minhas coisas.
 Tais como, pagar aluguel, luz ,telefone, como tinha muita amizade e confiança, confiei ao meu ex marido, que já aposentado, se incumbiu de cuidar dessa parte para mim.
A vida foi  passando, e eu me acostumando á nova vida, quando mudei de escola, tinha tempo para cuidar das finanças.
Então pegando meu ordenado na mão, comecei a organizar minha vida bem melhor.

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Izildinha