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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

FRAGMENTO DO LIVRO_A CURA

Então, abrimos uma cooperativa em sociedade com os catadores de recicláveis daquele bairro, que vieram depois muitos, advindos de vários bairros também.
Percebêramos, que se tratavam de pessoas mais corajosas e fortes, que nós, pois a vida, havia lhes ensinado muito mais, e por outro lado também fortalecido.
Fora um tempo importante para nós dois, que além de estarmos abrindo um caminho á nossa sobrevivência, caminhávamos ao lado deles.
A simplicidade, quando esta nascera simplesmente, ao mesmo tempo, mantém um requinte específico e totalitário e tão eficaz no que tange ao entendimento mais profundo da vida.
Todos os caminhos trilhados com maior dificuldade, deixam nossa constituição mais forte e nos tornamos exímios economistas também na parte financeira.
O maior empreendimento de um ser vem inserido na alma, de nada adianta acumular fortunas fortuitas, da mesma maneira que vem,pode se afastar.
Então, víramos naqueles recicladores, doutores em experiências, mantendo uma independência espetacular no que tange ao meio, quando porém, basta que nos falte energia uma hora, para que entremos em pânico.
Muitos deles moravam em barracos feitos por eles mesmos, outros porém, eram nômades tinha como o grande teto, as abas do firmamento.
João ficara horas conversando com eles e trocando experiências, o tempo quando não acrescenta, certamente,tira.
Eles tinham na verdade, um costume, alguma coisa inserida dentro do caráter e que jamais poderia ser mudado, daí talvez o fato, de apesar dos maltratos da vida,se manterem sempre joviais.
A consciência, mesmo numa pessoa com personalidade narcísica, acreditara eu,sempre seria a voz de Deus, em dado momento tentando acordar o ser ao fato, portanto, sendo este ser, resistente a essa voz, o tempo se vinga, com uma velhice precoce. 
Onde os ossos enfraquecem, um rosto aleivoso, apesar de todos os procedimentos, continua numa opacidade obscura, pois o brilho é exteriorizado de dentro para fora.
Fora numa tarde de sábado e sentados ao redor de uma mesa rústica, depois de contabilizarmos as receitas, ouvíramos deles, tudo isso.
 Depois, cada um com sua quantia, saíram de lá e foram ao mercado da esquina, felizes por estarem mantendo aos poucos ,uma autossuficiência incrível, quando além das peças maravilhosas, que eram criadas, a grande satisfação de poder gerar a sobrevivência contribuindo para a preservação do Planeta.
O beijo de João era uma volta ao paraíso em câmera lenta!
Alugamos um pequeno apartamento perto da oficina de reciclagem e fomos morar juntos.
Legalizamos nossa situação, sem festa alguma.
Nossas famílias se davam bem,nossas mães se tornaram amigas inseparáveis.
Quando conhecera João, esquecera aqueles preconceitos horríveis ,quando ele punha brilho no meu olhar, e também na minha pele,minha expressão mudara completamente.
João era sorridente, e seu sorriso era contagiante, tinha uma infinidade de amigos e vivia sempre alegre.
Essa alegria contagiante dele era tão verdadeira, que ficava impregnada em mim também, gostava de estar ao seu lado, estando muito apaixonada, e ele me fazia muito mais simpática e feliz.
Meus complexos de adolescente desapareceram completamente, e agora me sentira a garota mais linda do mundo, ao lado claro, do homem mais lindo do mundo.
Compartilháramos, entre nós uma troca tão interessante quanto benéfica, então todos os empecilhos  jamais deixaram de existirem, porém, esse amor agigantara em mim, uma fortaleza.
Tínhamos nossas músicas preferidas, nosso sorriso adolescente, fazendo o mundo parar, ou caminhar letargicamente, quando estávamos um ao lado de outro.
Impressionante ,como a química tóxica, de alguma ocorrência maléfica ,desaparecera mediante leve spray de uma paz envolvente, que vivenciávamos concomitantemente, um ao lado de outro.
João era extremamente criativo e via transformações em tudo, então eu entendera que meu olhar, quando passeara pelas ruas ,vendo peças incríveis , em qualquer peça descartada num entulho ,já não passeara sozinho.
Eram tantas divergências de opções, que dentre nossas conversas, nem cabiam tantas definições, assim também, entendíamos como transformarmos as nossas necessidades diárias, em peças incríveis,eu estava completamente convencida que havia me reencontrado nele.
Enquanto o tempo, começara a se elevar, em momentos agigantados pela razão mais nobre, vivêramos o sonho juntamente com a realidade da cura.
Continuamos a ser perseguidos,agora os dois, pelos manipuladores de nossas famílias, e não era fácil, quando os ataques  aconteciam, vez ou outra ficáramos descontrolados e reagíamos.
Depois entráramos em declive conosco, pois a reação alimenta os abusadores, que vivem da satisfação em fazer as vítimas sofrerem.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha