Marcadores

domingo, 5 de agosto de 2012

FRAGMENTO DO ROMANCE_A ESTÁTUA

Jorge vestia um sobretudo escuro, enquanto eu vestia um quase igual, mas cinza.
O inverno era bastante rigoroso mas havíamos nos preparado para isso.
Soubéramos que neva muito raramente em Londres e quando isso acontece a neve não se acumula no chão por muito tempo.
 Assim, teríamos poucas chances de conseguir as fotos lindas, que esporadicamente, mas Miranda nunca deixara de nos mandar.
Ela e Luiz ao nosso lado esperando que pudéssemos, pelo menos ter tempo em tirar uma foto para Jorge ampliar numa linda moldura.
Sabíamos que em média, são somente em quinze dias do ano, que a neve se acumula em algum lugar do Reino Unido.
Importante também para nós, não seriam as fotografias tiradas ou não, dentro de pouco tempo Jorge iria emoldurar os mais belos quadros de nosso neto.
Estávamos visitando nossa filha e genro como comumente fizéramos, eles sempre nos aguardavam, no aeroporto e depois fazíamos uma tour juntos.
Minha filha estava grávida de quatro meses de Jorge, nosso netinho teria o nome do avô.
Ela demorara um pouco para engravidar e nós estávamos ansiosos pelo netinho .
Lembrara eu,que justamente, por conta de uma decepção amorosa, fechara as portas de meu mundo interior.
E ao fechar,simplesmente,eu pensara só em me proteger, quando na verdade, estivera  tirando-me, todas as chances de errar de novo talvez.
Mas também as chances de grandes acertos.
Eu fora uma jovem bastante machucada ,logo cedo , pelo amor romântico.
Tivera uma família, que me amara muito, propiciando uma infância pobre ,mas feliz.
Meu pai fora um exemplo de amor conosco o tempo todo, em que vivera ao nosso lado.
Minha mãe uma guerreira,batalhadora,enfrentando todas as dificuldades e percalços da vida, ao lado de meu pai.
Meu irmão encontrara facilmente seu caminho e fora feliz no amor, e também se realizara, exercendo a profissão de professor primário.
Eu me casara muito cedo, logo depois de terminar o Ensino Médio, e voltara á faculdade bem depois fazendo o curso de Letras.
Em face de  sofrimento, deixara de acreditar no amor, e na felicidade afetiva.
Para mim,felicidade era apenas estar internamente em paz, jamais tentar de novo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha