As vezes Jorge me dissera que poderíamos ser muito mais ricos, se ao invés da escultura ele houvera optado por outra profissão ou simplesmente ter mantido um emprego e cursado engenharia.
Porém, mesmo tendo nossa casa comprada por mim quando ainda solteira, depois da exposição na França, nossa vida financeira mudara completamente.
Mas eu sempre admirara em Jorge, o simples fato de fazer na vida o que lhe gerara prazer, mesmo só trazendo grandes rendimentos, porém a longo prazo.
Ele me dissera sempre, que graças a uma escultura, fora o homem mais feliz do mundo, eu o abraçara com ternura e gratidão.
Nossa filha Miranda sempre fora uma menina muito amorosa e nos ligara todos os dias de Londres dando notícias.
Também nos participara que estivera grávida e se fosse menina seria Mariana e se fosse menino chamaria Jorge.
Ficáramos felizes com a notícia enfim, afinal ser avós implica em sermos pai duas vezes.
O tempo transcorrera, Miranda e Luiz participaram, que seria um menino, então fizéramos um jantar simples para celebrar.
À medida que o tempo fora passando, fôramos diminuindo nossas visitas a Londres, estávamos um pouco cansados e nossas produções também eram escassas.
Houveram dias em que resolvêramos descansar ou melhor, dar um tempo para o ócio.
E assim passáramos os dias mais felizes que me vêm na lembrança, desfrutando de nossa presença, conversando bastante e jogando o olhar para fora da janela.
Jorge houvera comprado um apartamento maior e nossa casa entrara para completar o valor deste.
Era maravilhoso o fluir da tarde, os carros esbaforidos, as pessoas cruzando os sinais,enfim,era o nosso bairro querido que nossas vidas este tinha em seu interior.
Jorge nesses dias aproveitara para falar sobre o futebol de várzea, as mangas colhidas nos galhos, que davam para a rua.
As pitangas azedinhas que despencavam nas calçadas, florescendo e frutificando o tempo todo.
As quaresmeiras, que comumente plantavam também, as goiabeiras que atraiam passarinhos e crianças, esse fora nosso bairro, que nos permitira viver uma infância livre e acomodada, que cada cantinho deste, parecera sempre a extensão de nossas moradias, porém, nunca nos víramos.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha