Helena começara a ficar meio mexida interiormente ,com os dois textos que lera na bíblia, mesmo porque para ela, que se considerava católica, a bíblia sempre fora mais uma alegoria em sua peça valiosa, do que uma fonte de conhecimento.
Então ela lembrara de seu pai, que com uma certa idade, morando num bairro simples, sentado embaixo de uma laranjeira, com as duas mãos segurando a bíblia bem perto do rosto, ficara horas lendo.
Depois ele relatara as parábolas [metáforas] lidas com um discernimento profundamente incrível, e lembrara ,que Geraldine sua irmã, sempre ficara atenta aos ensinamentos de seu pai, pois Geraldine acabara lendo a bíblia por intermédio das interpretações de seu pai.
Para Helena, o mundo tomara outro rumo desde muito cedo, porém, mesmo ambas sendo imperfeitas, para Geraldine, mesmo vivendo entre complexos e sentimentos de culpas, fora aos poucos descobrindo uma releitura de seu pai ,em tudo que fizera na vida.
Considerada infeliz no relacionamento, mesmo sabendo que segundo as religiões o casamento fora para sempre, preferira se expor á falácia, por amor, encarar árduo trabalho, mas lutar contra a escuridão da mentira, tal fora seu objetivo.
Geraldine errara muito para poder acertar, porém Helena acertara
muito para sempre poder errar.
Joãozinho chegara em casa mais cedo naquele dia, tomara banho e fora para seus aposentos, enquanto Helena se preparava para encontrar-se com Astor virtualmente.
Naquele dia, sem dar recados Astor não aparecera, e Helena disfarçando entre as amigas, colocara um apelido masculino [nickname]na sala, fintando este assediá-la, para que no caso de Astor estiver por ali, com outro apelido, sentir ciúme.
Porém, a noite toda ela ficara discorrendo consigo mesma, onde o embuste a dominara de forma tal, que estivera, ela mesma acreditando em si própria.
Fora dormir e Joãozinho estava mergulhado num sono profundo, roncando e cheirando cerveja.
Ela olhara aquele empresário, e percebera que no ensaio da morte ,somos todos iguais, tanto o empresário, quanto um simples morador de rua.
A ausência de Astor ,não lhe saíra da cabeça, até bem tarde, pois ele poderia estar no chat sem que ela percebesse, a não ser que ela fosse uma empata, mas infelizmente ela tinha todas as características de uma narcisista.
O polonês Zygmunt Bauman, ao relatar sobre a modernidade líquida, certamente jamais soubera ,até que ponto a alienação e o embuste, levariam certas pessoas.
Somos cientes ,de que a existência está no momento, pois deste pode
advir a felicidade ou a angústia do dia seguinte.
Importante, dentre a modernidade líquida, sempre fora o reconhecimento do erro, pois quem peregrina, ao reconhecer o erro, estivera voltando para si, mas quem se considera perfeito ou perfeita sempre, dificilmente encontrará um caminho intenso.
Helena amanhecera irritada e com dor de cabeça, fora á clínica de estética e avisara a empregada que almoçaria fora.
O salão estava cheio, e as conversas fluíam de maneira espetacular
para ela, naquele dia precisara de tudo:
Pé, mão ,cabelo, maquiagem ,porém antes, pequenos procedimentos estéticos na face.
A esteticista gostava ,porque Helena a promovia, em suas páginas
sociais, onde sempre tivera grande numero de amigos.
Mesmo conversando muito, a ausência de Astor não lhe saía do pensamento, sentindo-se rechaçada depois de quase uma década de relacionamento.
Ela também estranhara, porque ele nunca quisera trocar número de celular, mas estando muito dependente de tal relacionamento, não tivera coragem para insistir.
Mesmo porque, na noite seguinte, Astor estivera muito carinhoso, e
dera um bom motivo para sua ausência.
Ela dera um passo a mais para desvendar algo, quase que indesvendável na vida dele.
Dissera, que pensara seriamente, em morarem juntos.
Marcarem um encontro, se conhecerem e depois escolherem uma cidade da Europa e se mudarem juntos.
Helena ficara muito ansiosa naquela noite, pois jamais dera um passo na vida sozinha...
E se Astor fosse inseguro como ela?
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha