Uma invernia rigorosa e seca se apoderara daquela estação, o sol ensaiara para surgir,e quase todas as manhãs,porém um nevoeiro cinzento sob nossa cidade, abafara e esfriara como uma geleira desconfortável e artificial.
Uma geleira destemida, que enfrentara o sol,impedindo o amanhecer e o anoitecer, como fora de costume,com toda maestria para tal designado.
As luzes foscas, logo cedo anoiteciam as calçadas e ruas,e os ventos noturnos carregavam os detritos para longe,sem destino,sem determinações.
O meu filho Joaquim, ficara dias e dias ,num silêncio desertado de palavras, e de vida me parecera.
Reiterando, a mim não parecera,tivera a certeza que sim,Cláudia houvera nos deixado assim...
Ás vezes, em meu pensamento,eu me indignara com ela, com sua memória e perguntara o motivo para nos deixar assim.
Éramos como uma só constituição,sendo ela seiva vital da mesma, mas resolvera ir embora, viajando num coma profundo e não voltando mais.
Fora um mês de espera, e finalmente se decidira por não voltar mesmo.
Sobreviver a quem amamos,simplesmente nos colocara o coração dorido e também partido,como certamente estivera o coração de Joaquim.
Soubéramos, que outras primaveras viriam, as rosas floresceriam, que o caixa do restaurante laboraria de novo, porém jamais Cláudia apareceria por lá.
A vida simplesmente fora um presente para Cláudia,porém este fora violado,antes que ela mesma o desembrulhasse no decorrer de seus dias.
A nossa neta de Évora viera paramentada como uma estatueta de bronze para cerimoniosamente marcar sua presença.
Por outro lado,acreditara que Cláudia,simplesmente merecera uma antecipação em sua volta para casa pelo tanto que sofrera.
A verdadeira utopia consiste num subentendimento de que precisáramos aproveitarmos o tempo enquanto vida,pois que jamais soubéramos quando este nos fora ceifado.
Também acreditara, que Claudia cumprira seu legado na pessoa de sua filha do coração Júlia e no amor que sempre dirigira a Rafael seu genro.
Por longas temporadas nos mantivéramos inconsoláveis,pois Cláudia furara a fila, quando os próximos, pela ordem natural das coisas,seríamos eu e depois Renato.
Porém,esta fora poupada talvez, de mais sofrimentos, já houvera extrapolado sua cota.
Aos domingos de manhã ,íamos levar-lhe flores,ela gostava de rosas,tanto que as plantara em todos os lugares do jardim.
Estas floresciam, mesmo sem ser primavera, talvez, porque Cláudia nos quisera alegres e felizes vendo ás florescerem.
Joaquim aos poucos começara voltar ao consultório,e aos poucos fora reaprendendo a sorrir.
Eu e Renato,leváramos um bom tempo para voltarmos ás nossas atividades rotineiras, tivéramos que nos reinventarmos sem a presença de Cláudia,quando em tudo fôramos tão ligados.
Jamais fingíramos superarmos com maestria,entregáramos o nosso coração ao encanto da dor, a tal dor que só o amor ocasiona de fato.
E juntamente , no decorrer dos dias frios e flagelantes, fôramos acumulando forças para voltarmos a sorrir,mesmo Júlia e Rafael também.
Fora uma estação dorida ,porém cada dia representara em minha vida, assim como na vida de outrem,a contagem regressiva.
A volta para casa!
O sol aos poucos vencera o nevoeiro escuro, e as borboletas resolveram se soltarem de seus casulos e voarem bem alto e rapidamente anunciando a chegada da primavera.
As rosas beijadas pelo vento,voltaram a odorizar nossa casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha