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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO-EXEMPLARES

Meu nome, Joaquim,em partes posso considerar que fora um homem feliz,pois tivera uns  pais maravilhosos,uns avôs incríveis,também tivera um grande amor.
Amor este que a vida me emprestara durante vinte e quatro anos,depois ela se fora, foram meus pais,tivera sempre o amor de minha filha Júlia e seu marido Rafael,meus sogros também foram para mim a extensão de minha família,mas o desamor também percorrera em minha vida,levando assim,meu grande amor que não conseguira se superar de um Stress Pós Traumático e por mais que lutáramos juntos,o estupro a vencera.
Na verdade, não fora somente o estupro,fora o fruto espinhoso gerado deste,que não permitira que minha doce Cláudia esquecesse um dia sequer, o grande trauma,foram ataques irreversíveis, dos quais ela não conseguira se reconciliar.
Eu jamais pudera dizer que odiara Júlia de Évora,mas amá-la também me fora um tanto quanto difícil.
Tenho duas netas lindas,uma com dezesseis e a outra com catorze anos,minha filha e meu genro trabalharam a vida inteira no laboratório do hospital.
Juntáramos um fundo de minha aposentadoria e mais umas reservas destes,e compráramos a casa onde moráramos em São Paulo.
Depois de Cláudia eu voltara a Évora mais algumas vezes e não deixara de visitar aquele prostíbulo,eu fora o primeiro cliente e único na vida de Cláudia.
Pedira para olhar alguns documentos,nem sei porque fizera isso,mas muitas vezes me ocorrera uma vontade louca de dar uma lição naquele velho, mas entendendo que isso jamais trouxera Cláudia de volta,resolvera ficar sentado num canto,numa mesa aparentando ser a mesma a qual conversáramos durante muito tempo.
Passara também pela agência de modelos e entre fotos de desfiles e designers antigos,lá estivera meu amor sorrindo nas fotos.
Cláudia me amara de um jeito tão especial, e tamanho fora  seu amor por mim ,sua gratidão,que perto dela eu me sentira em” estado de graça.”
Lembrara  também, quando minha mãe, logo depois nos deixara, pois fora muito difícil para eu e papai,então imploráramos para que Júlia e Rafael viessem morar conosco.
A vida fora exibindo suas tiragens, e pleiteáramos através da genética, espalhar entre a multidão, os nossos exemplares.
As nossas histórias realmente são contadas depois de nosso retorno, quando embarcáramos numa estação qualquer, e num dia qualquer.
Os livros de  papai  permaneceram anos numa estante, e eu nunca tivera a curiosidade de  lê-los,porém depois que ele se fora, eu os lera todos.
Meu pai fora um grande escritor, contudo se resguardara radicalmente para a família,em seus livros tivera muito dele.
Deixara uma linha de pensamento , tendo implícita, a exposição  dos  conflitos a que se submetera,desde a época do primeiro  amor,do primeiro emprego e suas metas gélidas e cruéis, ás vezes...
Eu tivera pacientes, que me visitaram quase a vida inteira,ouvira muitas histórias conflitantes,descobrira  muitas causas e curara também.
 Porém outras vezes, me sentira impotente,tentando reerguer um paciente, ou uma paciente que já houvera desistido de viver.
Cláudia certamente ,fizera o possível e o impossível para sobreviver,porém, foram inúmeras doenças físicas ,que se alastraram em face do stress.
Minha filha e meu genro  foram formando novos exemplares, e eu passara a entender,que quando minutáramos  os exemplares, pouco importara a genética.
Fora assim como sangue venoso ,sangue pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono, que circulara pelas nossas veias sistêmicas e pela árvore arterial e pulmonar.
Assim formáramos os exemplares, em nossa árvore familiar.





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Izildinha