O Natal transcorrera entre comes e bebes, frases feitas declarações de amor entre as pessoas, tão adocicadas que chegaram a ocasionar diabetes parenterais.
Helena e Joãozinho cercados dos filhos, posando de família feliz, representando uma grande presepada mesmo.
Geraldine lembrara também das grosserias de Manuel nessas datas, para manter a sua integridade e de sua família ele mantivera Geraldine distante e praticamente esquecida.
Então simplesmente, por alguns momentos percebera que encontrara em Manuel, talvez não o grande amor de sua vida, mas sim, uma zona de conforto, e pela qual, não se dispusera a se relacionar com mais ninguém.
Geraldine a amante fiel, Helena a esposa infiel, e a modernidade do polonês Zygmunt Bauman, ali representada sem complicações.
Embora muitas vezes, se percebera uma separação, uma fase se esvaindo enquanto outra adentrando.
A aleivosia, literalmente dominara os povos, geralmente os mais abastados, então expressar a verdade fora um tanto quanto perigoso.
Geraldine em sua simplicidade, percebera também ,o crédito das pessoas numa zona de conforto, onde milhares se colocavam nas mãos de um escopo criminoso e inescrupuloso.
As coisas começaram a acontecer, porém, a maioria vestida de uma felicidade estrangeira, viajara e vivenciara suas vidas dentre a grande zumbilândia.
Já não se fizera mais tempo para nada, e o mundo jamais voltara a ser como antes.
Então, misturada a dor da morte de Manuel, viera também uma revolta á Geraldine consigo mesma, pois sendo empata se permitira tal situação, quando pudera ter agido e não simplesmente reagido.
Á noite ela ficara observando as estrelas, olhando para o céu e procurando uma resposta plausível para sua existência, monologando consigo mesma, e em pensamento, ás vezes tentando conversar com Deus, com a Virgem Maria.
Ás vezes não entendera porque a vida lhe fora tão ingrata, porque tivera um coração sempre avesso ao fora sua razão?
Porque trocara sua vida inteira por alguns momentos, que ás vezes, nem de felicidade fora, quando ela permitira se entregar inteiramente para receber migalhas de Manuel, ou receber nada.
Também pudera ser, pelo que simplesmente lhe houveram incutido em sua cabeça pueril, de que tudo isso fora o que ela simplesmente merecera.
E no entanto, a vida passara e quando Geraldine dera por si, já não encontrara nenhum sentido, visto que Manuel, embora escasso, ainda lhe pusera sentido na vida.
Geraldine sentira uma vontade imensa de conhecer seus filhos e nestes poder sentir alguma coisa que lhe trouxesse momentaneamente Manuel de volta.
Ela fora ao enterro, mas só pudera chorar mesmo em sua casa, olhara de longe sem poder se aproximar, enquanto Maria sentada de seu lado, recebera abraços e cumprimentos reconfortantes.
Os dias depois do Natal transcorreram silenciosos, as estrelas pareciam opacas e a lua invertera seu trajeto para Geraldine, quando esta se desinteressara totalmente de tudo, e se fechara num compartimento chamado saudade, só para revisar os acertos e erros ,e juntamente com estes, esmiuçar lembranças.
O que importa!
Dissera consigo mesma, num monólogo silencioso:
Jamais alguém escrevera numa tumba:
Aqui jaz uma Geraldine feliz.
Vivera intensamente, fora muito rica, viajara o mundo inteiro, desfrutara das mais ricas iguarias, porém ...
Aqui jaz!
Se houvera uma continuidade, Geraldine pensara ter que pedir perdão para algumas pessoas ,e no começo da tal fila de pessoas estaria ela mesma, mesmo porque:
Aqui jaz Geraldine.
Só isso e nada mais.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha