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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

Era quase véspera de Natal, Geraldine vivenciara imensa solidão, tanto externa quanto interna, mesmo depois de tanto estudar sobre os mais diversos assuntos, as mais diversas circunstâncias que abrangera psicologia, filosofia e outras formas de pensamentos e também comportamentais, ás vezes sobrara algum resquício no final do dia, ou mesmo na metade deste a ser digerido estranhamente.
Geraldine fora o oposto de Helena, portanto, a ela competira compreender sem ressentimentos, e alegrar o coração com aquilo que sempre parecera ínfimo e desvalidado, porém para um coração valente e corajoso, qualquer arma fora o suficiente para vencer uma destemida batalha.
Natal envolvera sempre muitas pessoas, e incitara estas a pensarem a sentirem mais, vivenciando um renascimento de paz.
O que mexera com Geraldine no Natal, fora qualquer coisa que ainda não houvera se diluído dentro de sua essência, quando esta precisara entender que estar só, obviamente ,não quisera dizer, ser só.
Ela nunca procurara saber o motivo de ser estéril, quando soubera da esterilidade a mais de trinta anos atrás.
Manuel fora seu eterno namorado e amante, pois além de Geraldine, ele tivera uma vida paralela, vida esta, que Geraldine nunca quisera atrapalhar, portanto amara Manuel como pudera, sem nunca tê-lo.
E isso resumira uma forma errada de viver, mesmo porque fora se apaixonar pela impossibilidade e deixara o tempo escorrer sendo carregada pelo coração, que deixara a razão de lado.
Quando fora dias natalinos, ou réveillon, Geraldine se omitira em pensar em tais possibilidades que possivelmente pudera existir em sua vida.
Ás vezes imaginara uma neta, um neto, filhos ou filhas, mas apostara no coração, que também  lhe mostrara outras Geraldines que com netos, filhos e filhas, estranhamente passaram tais festas desertadas e sós.
Geraldine ainda amara Manuel, sentindo que ele portara tanto amor no coração, que fora suficiente para amar as duas. 
E por amar Manuel,aprendera a amar Maria e as crianças de Manuel que ficaram adultos e Geraldine tivera netos.
A vida de Manuel se resumira em Geraldine e sua esposa Maria.
Apenas Geraldine soubera durante mais de trinta anos de Maria, quando conhecera Manuel numa festa.
Um gajo moreno, cabelos fartos e um sotaque bem repicado feito martelo de amaciar coração duro, dançaram a noite toda e começaram um lindo romance.
E passaram exatamente dezoito dias se encontrando e Geraldine cada vez mais apaixonada, mas percebera por parte de Manuel um certo desespero, uma certa agonia, uma certa aflição.
Ao encontrá-la, no décimo oitavo dia, Manuel lhe contara o grande segredo:
_Sou casado!
A ti entrego a chave da decisão.
Amo minha esposa, assim como amo a ti também,porém,não pretendo te prender a uma eterna solidão.
Faças o que achares melhor!
Decididamente, na hora Geraldine dissera:
_Jamais faria a outra mulher o que não gostaria que fizessem comigo.
Vamos parar por aqui!
Porém, nesses dezoito dias, já houvera tempo para o amor, ou seja grande paixão, que se instalara sobre eles.
E Geraldine passara a achar falta de Manuel.
E Manuel passara a achar falta de Geraldine.
Assim entenderam que tinha que ser.
Então viveram uma vida juntos e separados.
Todos os Natais e Réveillons de Geraldine foram solitários.
Nenhuma criança, filho de Manuel carregara nos braços ,e tivera uma irmã frívola e distante.
Muitas vezes, depois de viúva de Manuel, Geraldine tivera vontade de visitar Maria e lhe contar tudo, mas em memória e respeito a Manuel, nunca fizera.
Manuel fora um excelente marido e um eterno  e magnífico namorado para Geraldine.
Vivera sempre discretamente feliz amando duas mulheres ao mesmo tempo.

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Izildinha