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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

O termo finitude, sempre fora proibido nesse meio social, por ser  exatamente a única certeza, que os tirara da fantasia e arrastara  para a realidade, mesmo sendo frequentadores de cultos, encontros  espirituais e outras religiões mais, os tais , jamais conseguiram  digerir a ideia da finitude.
Tinham um certo pavor da velhice portanto, os homens também
,juntamente com suas mulheres viviam realizando procedimentos  estéticos, para melhorarem suas imagens concretas.
Geraldine, irmã de Helena, numa época, perdera seu namorado de  muitos anos de convivência, ficara abatida com dores no peito, sem  ter com quem compartilhar, o sofrimento do luto.
Um dia Helena lhe mandara um recado tentando consolar a irmã
com  a seguinte frase:
Você já aproveitou bastante, portanto pare de reclamar a perda.
A irmã levara um grande susto, com o termo "aproveitar" porque  amara seu namorado, e porque até então, desconhecera esse lado, que  caracterizava a irmã.
Geraldine entendera ,que Helena não amara ninguém, apenas tirara  proveito de situações, portanto se afastara para sempre, depois aos  poucos ,fora descobrindo, o charque escondido, embaixo de uma  aparência toda remodelada, e para sempre decidira se afastar.
Para Helena jamais existira sentimento de culpa, para ela, importara  o prazer confundido com felicidade, que desesperadamente buscara  sentindo a idade chegando.
Ela tinha plena convicção, de que o dinheiro resolveria os estragos  do tempo, mas aos poucos começara perceber, que houveram outros  quesitos em sua vida, que deixara para trás, e que dinheiro algum  pudera lhe trazer de volta. Joãozinho também aposentado, pois  delegara aos filhos e genro, tocarem o laticínio para frente, começara  viajar, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades, mesmo assim,  o peso da idade começara a fazer uma certa diferença em sua vida.  Helena o convencera de procurar um geriatra, genro de uma amiga  do chat, que lhe recomendara por ser muito bom, juntamente com ela.  Os dois começaram também, intensificarem o exercício físico , com  um treinador  personalizado, que   todos os dias viera tirá-los da cama.
Para melhorarem o desempenho e a forma, as  atividades físicas, e á tarde nadavam para melhorar  o humor, mas logo voltavam ao chat.
A vida, já lhes havia dado tudo quanto almejaram,porém, faltara sempre algo mais, os procedimentos apenas iam deixando suas aparências, um tanto quanto exóticas,mas mesmo assim,esta lhes passara uma certa segurança.
Helena vivera o tempo inteiro correndo de uma esteticista para outra ,assim também fizera Joãozinho, que colocara próteses de porcelana  nos dentes, e quando este sorrira, a prótese assumira uma certa unanimidade em seu visual.
O dinheiro na mão dos emergentes pode melhorar ou estragar certos contextos, certas parecenças.
Enfim, era um casal ,feito para a representação de uma modernidade liquefeita, porém nessa mistura homogênea, todos e todas pareciam ser fabricados em séries, tanto a estética, quanto a maneira de viver impusera tal fato.
As filhas e netas já nasciam encanecidas, extirpando as bochechas do rosto, sem ao menos imaginar para que estas serviriam no futuro.
A veracidade dos fatos não implicara no medo do tempo, mas sim, o pavor da finitude que alegando viverem muito, pouco viviam vestindo uma preocupação empobrecida dentre tanta opulência.
As festas comemorativas costumavam enfatizar uma aliada a mais, onde as fotos, lhes davam a grande propriedade de saírem de seus mundos particulares e juntamente se exporem, como se assim vivessem.
Depois destas, cada um voltara ao seu mundo particular, esquecendo a multidão, que estivera lotando a casa.
A cibernética simplesmente facilitara a vida, as conversas e uma infinidade de outros agregados.
A solidão sempre fora o agravante no pensamento e na concepção de tais pessoas, no entanto, a solidão a dois, ou no meio da multidão, sempre fora a mais categórica.
Geraldine passara a entender  tal fato, depois de ficar distante do fantasioso.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha