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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_EXEMPLARES

Quando bem jovem ainda, eu conhecera um senhor com uma inteligência espetacular e acima da média.
Advindo de família pobre, contara este, que percorria as ruas da cidade onde morava,entregando coxinhas que sua mãe fazia, nos bares e lanchonetes.
Eles tinham uma certa clientela, então todo dia fizera o serviço rapidamente de manhã, á tarde ia para a escola, e á noite voltava recolhendo a remessa que sobrara, e repondo novas coxinhas, onde faltara.
Esse menino dissera ter um pai sírio que fora um sonhador,vivera percorrendo de cidade em cidade,ficando meses fora de casa, ele e sua mãe batalhavam duramente para se manterem, ou melhor,sobreviverem.
Um dia chegando em casa, a mãe lhe dissera, que houvera alugado um pequeno bazar, fechado com mercadorias, onde vendera rendas,linhas e aviamentos.
Então, me dissera emocionado:
Logo no primeiro dia,nos sobrara alguns trocados em caixa.
Ele e a mãe brindaram felizes tal fato...
Deixaram as coxinhas, e se dedicaram arduamente, ao pequeno bazar, e tudo começara a surtir um efeito notável.
Estando ele,no último ano do Ensino Médio, então optara por prestar medicina na USP, porém, não tivera condições de frequentar um cursinho, enquanto cursara o último ano, arrumara um colega de sala que emprestara suas apostilas já usadas no cursinho.
Depois das aulas e dos afazeres com a mãe,estudara até de madrugada.
Bem,como era de se esperar,ele entrou para o curso de medicina,o pai quem mais o felicitou dizendo:
Meu filho,quando fores doutor,quero festejar tanto,que subirei as escadas de nossa casa de quatro.
Infelizmente,o pai não vivera para tal.
Clínico geral, a vida completamente mudada,tocara numa banda de rock, e a pequena lojinha virara renomada loja com filiais em outras cidades portando o nome de seu pai.
Fizera especialização em psiquiatria,também prestara um outro vestibular na USP e se tornara engenheiro civil,ousou prestando outro vestibular e na USP também se formara em engenharia eletrônica.
Literamente um gênio, que jamais soubera o que fazer com tanta inteligência, casara e amara a esposa e os dois filhos dando a eles o melhor.
Supunha eu,que fora incompreendido...
Sintetizando, um dia, depois de anos e anos,eu o procurara numa rede social, para saber como estava.
 Pois ficara sabendo, que depois que completara setenta anos, por causa de uma depressão, a família o internara numa casa de idosos,e ele me pedira encarecidamente para tirá-lo de lá.
A foto colocada na rede social era espantosa,acredito que ele jamais colocaria uma foto daquelas, dormindo com o rosto sobre uma mesa.
Tais pessoas que frequentam clubes sociais,os lugares mais badalados
da cidade,que o enclausuraram numa casa de idosos,depois deste ter construído um império para os familiares.
A convivência com narcisista ou sociopata leva a vítima a depressão, e estes, com a ajuda de seus macacos voadores  enchem a mesma de remédios controlados, e jogam numa casa de “repouso”.



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Izildinha