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sábado, 19 de setembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_EXEMPLARES

Eu sempre tivera um certo encantamento, por todas as estações do ano, elas pareciam me nortearem e ensinarem a ficar focada nestas ,vivenciando todos os momentos, até que se despediam para voltarem só no próximo ano.
A Natureza exalava um encanto maior sobre mim ,embora morando numa cidade imensa como São Paulo, onde uma boa parte do mundo, fora sufocada pelo concreto.
Jamais me esquecera de um texto que eu estudara na oitava série, essa coleção se chamava "Lendo e Interferindo", alguns professores de Português não gostavam da mesma, mas a nossa professora amara aquela coleção, e entre os assuntos importantes, lêramos um texto que se referia a Cultura Indígena e entre tantas coisas maravilhosas que víramos, soubéramos que os índios acreditavam na alma da Terra.
E que jamais cavaram buracos muito fundo, em respeito á mesma, usavam as pedras que encontravam soltas em seus habitats.
Faziam seus cocares com as penas que caiam dos pássaros e aves silvestres.
O índio jamais colhera uma flor da floresta para enfeitar suas ocas, eles preferiam imitar as flores pintando seus corpos.
Diziam que a Terra carecera respirar, descansar para poder nos oferecer bons frutos.
Eu sempre viera ás lágrimas, quando lera Carta do Cacique Seattle, que fora escrita a mais de cem anos, mas tão atualizada, que parecera ser escrita para o momento em que vivenciáramos os efeitos do descaso do homem branco com a Natureza.
Eu tivera a Natureza como religião ou qualquer coisa parecida, pois ela sempre fora viva, intensiva e verdadeira em si, em conivência com todas as espécies, numa harmonia mais que perfeita, sendo sábia, e colocando a sapiência em prática, para que a humanidade pudesse pressentir, que somos um todo e jamais fôramos criados para dominar territórios, mas sim para aqueles a quem Deus incumbiu o espírito de liderança, poder colaborar e organizar uma sociedade, para que nada faltasse a ninguém, pois quando faltara para um, obviamente, excedera a outro.
Portanto formamos uma cadeia de vidas inteligentes, quando "Alguém" usando a mesma fórmula na composição, acrescentara três partes líquidas e uma sólida, tanto ao planeta ,quanto ás constituições de nossos corpos.
E cada espécie,  que fora alterada fora do sistema, de qualquer forma o tal vácuo nos atingirá, até que não reste mais nada. Então as árvores invadirão as cidades, retomando tudo que da Natureza fora tomado.
Dentre os povos, apenas a Cultura Indígena entendera a mensagem exposta de maneira clara e evidente pela Mãe Natureza.
Passáramos séculos e séculos sendo omissos, tivéramos apenas o presente como forma de vida abastada e feliz, esquecêramos que a felicidade, por ser abstrata, jamais fora condizente com descasos.
Esquecêramos também, que a melhor oração sempre fora rezada com mãos cuidadosas, e que o cuidado fora sempre a palavra chave, que abrira as portas, para que pudéssemos falar com Deus.
Para a Cultura Indígena Deus se faz presente em todos os elementos que compõem a Natureza e chamam os animais de irmãos.
Aqui no Brasil foram muito invalidados e humilhados quanto suas sabedorias milenares, quando um Jesuíta chegara para uma tribo e dissera:
__Eu vim lhes mostrar Deus, quando estes amavam Deus de maneira perfeita, respeitosa, sábia e inteligente, mantendo a Natureza intacta.
Um índio jamais tivera a preocupação com seus filhos, de que este fora se perverter ao longo da vida, muito menos tentara lhes dar conselhos, quando o indiozinho crescera apenas observando e descobrindo a vida na maneira de viver de seus precursores.
Também eu vira muitos filmes americanos na minha infância ou adolescência tratando os índios de maneira abrupta e vendo em suas maneiras de defenderem seu povo uma atitude não condizente com a nossa.
Pena que além dos visionários, jamais alguém se apressasse quanto a manipulação brutal a qual nossos irmãos indígenas foram expostos.


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Izildinha