Embora o cacau fora considerado um dos mais fabulosos alimentos, mediante estudiosos, eu precisara consolar minha criança do passado.
Ou
talvez, a vontade fizera com que eu valorizasse muito mais o gosto do chocolate
agora, por tais circunstâncias,
tornara-me uma chocólatra inveterada.
Jamais fora bom,minha criança ignorar tais coisas,
mesmo porque o gosto,
em tal época seria
único, por mais que doravante o provara,
o adorara, não tivera
a mesma graça.
O
chocolate então, passara a ser uma metáfora importante, para tudo o que ansiara na vida
,e me
fora desviado por um motivo qualquer, pois , tal
fato acontecera com muitas
pessoas, produzindo uma tristeza, mas que
jamais seria infelicidade.
Ou melhor, a infelicidade transitória , ou
seja :
Um tipo de infelicidade que tem cura, longe de ser a infelicidade crônica das pessoas inconformadas, incomodadas.
Meu nome Manoela Silva, meus pais Francisco e Maria, e mais dois irmãos Gabriel e Josias.
Eu fora a terceira filha, meus irmãos, ás vezes, ficavam enciumados , porque diziam que meus pais me mimavam muito.
Eu nunca sentira tais mimos, mesmo porque cobravam que eu fosse, uma perfeição encarnada..
Eles brigavam e eu sempre quieta e tranquila, e jamais lhes dera trabalho algum.
Precisam ser como Manuela!
Diziam eles para Gabriel e Josias...
Eu fora adotando as tais asseverações a meu respeito, que estas começaram a pesar muito sobre mim.
Porém, na hora do almoço e jantar, meus irmãos se comportavam naturalmente, andavam, tropeçavam, derrubavam coisas, já acostumados com as broncas.
E eu parecera sempre uma robótica.
Uma vez, sem querer, o garfo de minha mão, voara embaixo da rústica mesa e todos:
Até tu Manoela?
Eu me afundara correndo atrás do mesmo, passando a mão nos pés de todos, até que conseguira agarrar aquele empecilho.
Logo depois, voltara ao palco, onde a tal plateia, me aguardara com risos de meus irmãos.
Eu toda desajeitada tentara explicar, porém meus pais redarguindo, expuseram ser eu o exemplo mediante meus irmãos e que precisara tomar jeito, sendo a única menina da família.
Eu saíra vermelha como um tomate, de debaixo da mesa, suando e morrendo de vergonha, depois então do sermão, perdera a fome e precisara conter a vontade louca de sair correndo e gritando qualquer coisa..
Contudo me mantivera mexendo na comida até todos terminarem,depois,com cuidado redobrado, ajudara minha mãe tirar a mesa e lavar a louça.
Havia uma pracinha, quase inabitada em frente de minha casa, onde grandes pés de brinco de princesa,com seus galhos, jamais podados, sucumbindo sob o peso do tempo, serviam de esconderijo, quando eu precisara ficar só.
Eu saíra correndo naquele dia, e entrara naquela gruta florestal, e me agarrara forte num dos troncos e gritara.
Acorda Manoelaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
E várias vezes!
Parecera me aliviar, mas dentro de tal circunstância, eu me encontrara perdida, e sentira que precisara mudar radicalmente.
Quando voltara para casa, entrara de mansinho e fora em frente ao espelho e me perguntara:
Mudar como?
Será que eu precisara abdicar de meu jeito de ser?
Eu não posso!
Não conseguira jamais!
Pensara...
E tremendamente aborrecida tomara meu banho e dormira muito, pois acordara com as repreensões de meu pai:
Manoela, vá ajudar tua mãe na cozinha, está te tornando um mau exemplo para os teus irmãos, saindo de casa sem avisar!
Eu levantara meio zonza, esfregando os olhos, e vira pela janela, meus irmãos tagarelando com a garotada, jogando um futebol numa várzea, ao lado de casa.
Sem sequer pensar, sentira o quão felizes e livres eram meus dois irmãos, que sequer se importaram alguma vez, com as broncas, acatando-as até com um certo hilarizo.
Uma maneira bizarra, para simplesmente, me responsabilizarem á perfeição.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha