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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_EXEMPLARES

Embora o cacau fora considerado um dos mais fabulosos alimentos, mediante estudiosos, eu precisara consolar minha criança do passado.

Ou talvez, a vontade fizera com que eu valorizasse muito mais o gosto do chocolate agora, por  tais circunstâncias, tornara-me uma chocólatra inveterada.
Jamais fora bom,minha criança ignorar 
tais coisas, mesmo porque o gosto, em tal época seria único, por mais que doravante o provara, o adorara, não tivera a mesma graça.

O chocolate então, passara a ser uma metáfora importante, para tudo o que ansiara na vida ,e me fora desviado por um motivo qualquer, pois , tal fato acontecera com  muitas pessoas, produzindo uma tristeza, mas que jamais seria infelicidade.
Ou melhor, a infelicidade transitória
, ou seja :

Um tipo de infelicidade que tem cura, longe de ser a infelicidade crônica das pessoas inconformadas, incomodadas.

Meu nome Manoela Silva, meus pais Francisco e Maria, e mais dois irmãos  Gabriel e Josias.

Eu fora a terceira filha, meus irmãos, ás vezes, ficavam enciumados , porque  diziam que meus pais me mimavam muito.

Eu nunca sentira tais mimos, mesmo porque cobravam que eu fosse, uma perfeição encarnada..

Eles brigavam e eu sempre quieta e tranquila, e jamais lhes dera trabalho algum.

Precisam ser como Manuela!

Diziam eles para Gabriel e Josias...

Eu fora adotando as tais asseverações a meu respeito, que  estas começaram a pesar muito sobre mim.

Porém, na hora do almoço e jantar, meus irmãos se comportavam naturalmente, andavam, tropeçavam, derrubavam coisas, já acostumados com as broncas.

E eu parecera sempre uma robótica.

Uma vez, sem querer, o garfo de minha mão, voara embaixo da rústica mesa e todos:

Até tu Manoela?

Eu me afundara correndo atrás do mesmo, passando a mão nos pés de todos, até que conseguira agarrar aquele empecilho.

Logo depois, voltara ao palco, onde a tal  plateia, me aguardara com risos de meus irmãos.

Eu toda desajeitada tentara explicar, porém meus pais redarguindo, expuseram ser eu o exemplo mediante meus irmãos e que precisara tomar jeito, sendo a única menina da família.

Eu saíra vermelha como um tomate, de debaixo da mesa, suando e morrendo de vergonha, depois então do sermão, perdera a fome e  precisara conter a vontade louca de sair correndo e gritando qualquer coisa..

Contudo me mantivera mexendo na comida até todos terminarem,depois,com cuidado redobrado, ajudara minha mãe tirar a mesa e lavar a louça.

Havia uma pracinha, quase inabitada em frente de minha casa, onde  grandes pés de brinco de princesa,com  seus galhos, jamais podados, sucumbindo sob o peso do tempo, serviam de esconderijo, quando eu precisara ficar só.

Eu saíra correndo naquele dia, e entrara naquela gruta florestal, e me agarrara forte num dos troncos e  gritara.

Acorda Manoelaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

E várias vezes!

Parecera me aliviar, mas dentro de tal circunstância, eu me encontrara perdida, e sentira que precisara mudar radicalmente.

Quando voltara para casa, entrara de mansinho e fora em frente ao espelho e me perguntara:

Mudar como?

Será que eu precisara abdicar de meu jeito de ser?

Eu não posso!

Não conseguira jamais!

Pensara...

E tremendamente aborrecida tomara meu banho e dormira muito, pois acordara com as repreensões de meu pai:

Manoela, vá ajudar tua mãe na cozinha, está te tornando um mau exemplo para os teus irmãos, saindo de casa sem avisar!

Eu levantara meio zonza, esfregando os olhos, e vira pela janela, meus irmãos  tagarelando com a garotada, jogando um futebol numa várzea, ao lado de casa.

Sem sequer pensar, sentira o quão felizes e livres eram meus dois irmãos, que sequer se importaram alguma vez, com as broncas, acatando-as até com um certo hilarizo.

Uma maneira bizarra, para simplesmente, me responsabilizarem á perfeição.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha