Como ventos nos trigais, oscilando as
ondas amareladas, uma tarde passeia em meu deserto florido,
expressando abstrações, que simplesmente acabaram de incidir, provando um
literal concretismo, caprichosamente agora bem concretizado.
Portanto, a vida completamente, mudara de disposição, e eu juntamente com ela.
Portanto, a vida completamente, mudara de disposição, e eu juntamente com ela.
Jamais
voltarei aos encantos, feitos giz numa lousa totalmente apagada, ou mesmo uma
frase carcomida pelo tempo num muro antigo.
Apenas,
vestirei meu coração mais uma vez, mesmo porque a vida requer um tempo mais...
E
retornando todos os dias, nos mesmos lugares deparo comigo, e ás vezes não
trocamos nenhuma palavra, pois estamos simplesmente decepcionadas,eu e talvez, a
criança, que ficara lá no passado.
Eu,
porque esperara demais das pessoas, e a criança porque esperara um pouco mais
de mim.
Mas,
quando remexo as gavetas do passado e vejo o que ela guardara para mim, então
para que ela não fique desertada como ficara, tão frágil e silenciosa, a coloco
em meu colo encosto meu rosto, nos cabelinhos mal penteados e canto uma cantiga
de ninar, e digo em silêncio para ela, agora podes dormir á vontade, tem um
colo te segurando, tem meus braços te abraçando .
E jogo meu coração nas mãos dela, para que
faça dele seu brinquedo,como se fosse um ursinho de pelúcia,ou
uma flor.
Aos
poucos,eu também adormeço, mesmo que seja no meio do dia, e um sono profundo se
apodera de mim,eu durmo muito, acordo, e demoro um pouco, para me situar entre
o dia e a noite.
Então
a minha criança, já houvera partido, e ao invés de eu fazê-la ninar ela me
fizera dormir e sonhar, carregando-me pela mão no caminho de volta ao passado.
Onde
os sonhos já foram acontecimentos, porém jamais revelados, mas , em alguns
sonhos, eu me vejo correndo pelos capinzais numa tarde de domingo, em pleno
outono, misturando-me com as folhas secas das árvores, as vezes catando os
montes e limpando o quintal para minha mãe.
Em
outras vezes, visito aquela árvore imensa, bem perto da porta que forrava o chão
com um tapete, que tinha um bege amarelado cor dos trigais..
As
abelhas, faziam um barulho imenso, o dia todo recolhendo
o néctar das florinhas miúdas e silvestres.
Era
uma árvore imensa, seus galhos ficavam vergados sob o peso das florinhas, que
eram milhares delas,porém,tão pequeninas que para distingui-las,eu
precisara colocar uma na palma da mão e olhar com capricho.
Elas
inundavam os galhos vergados sob o peso, que penduravam pencas que resvalavam
até o chão .
Tinha
um perfume suave e meio adocicado, porém nada enjoativo.
Mas,
depois aquele tronco imenso, virara um banco para sentar.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha