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domingo, 2 de junho de 2019

CONCRETISMO_PROSA DO LIVRO_INTERNALIZANDO

Como ventos nos trigais, oscilando as ondas amareladas, uma tarde passeia em meu deserto florido, expressando abstrações, que simplesmente acabaram de incidir, provando um literal concretismo, caprichosamente agora bem concretizado.
Portanto, a vida completamente, mudara de disposição, e eu juntamente com ela.
Jamais voltarei aos encantos, feitos giz numa lousa totalmente apagada, ou mesmo uma frase carcomida pelo tempo num muro antigo.
Apenas, vestirei meu coração mais uma vez, mesmo porque a vida requer um tempo mais...
E retornando todos os dias, nos mesmos lugares deparo comigo, e ás vezes não trocamos nenhuma palavra, pois estamos simplesmente decepcionadas,eu e talvez, a criança, que ficara lá no passado.
Eu, porque esperara demais das pessoas, e a criança porque esperara um pouco mais de mim.
Mas, quando remexo as gavetas do passado e vejo o que ela guardara para mim, então para que ela não fique desertada como ficara, tão frágil e silenciosa, a coloco em meu colo encosto meu rosto, nos cabelinhos mal penteados e canto uma cantiga de ninar, e digo em silêncio para ela, agora podes dormir á vontade, tem um colo te segurando, tem meus braços te abraçando .
E jogo meu coração nas mãos dela, para que faça dele seu brinquedo,como se fosse um ursinho de pelúcia,ou uma flor.
Aos poucos,eu também adormeço, mesmo que seja no meio do dia, e um sono profundo se apodera de mim,eu durmo muito, acordo, e demoro um pouco, para me situar entre o dia e a noite.
Então a minha criança, já houvera partido, e ao invés de eu fazê-la ninar ela me fizera dormir e sonhar, carregando-me pela mão no caminho de volta ao passado.
Onde os sonhos já foram acontecimentos, porém jamais revelados, mas , em alguns sonhos, eu me vejo correndo pelos capinzais numa tarde de domingo, em pleno outono, misturando-me com as folhas secas das árvores, as vezes catando os montes e limpando o quintal para minha mãe.
Em outras vezes, visito aquela árvore imensa, bem perto da porta que forrava o chão com um tapete, que tinha um bege amarelado cor dos trigais..
As abelhas, faziam um barulho imenso, o dia todo recolhendo o néctar das florinhas miúdas e silvestres.
Era uma árvore imensa, seus galhos ficavam vergados sob o peso das florinhas, que eram milhares delas,porém,tão pequeninas que para distingui-las,eu precisara colocar uma na palma da mão e olhar com capricho.
Elas inundavam os galhos vergados sob o peso, que penduravam pencas que resvalavam até o chão .
Tinha um perfume suave e meio adocicado, porém nada enjoativo.
Mas, depois aquele tronco imenso, virara um banco para sentar.

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Izildinha