Marcadores

segunda-feira, 27 de maio de 2019

GAIVOTA_PROSA_DO LIVRO INTERNALIZANDO


A praia ainda estava deserta, e talvez continuaria, pois bem no meio da semana, em pleno outono, um vento frio prenunciando, ou antecipando um inverno ,encrespavam as águas paradas, ausentes de ondas.
Uma gaivota numa revoada, abrangendo uma distância imensa, perpassando sobre a montanha azulada, voltava planando no ar como um planador, feito pelas mãos esmeradas da "natureza".
Tão longe, depois tão perto, esse  episódio fora recorrente quase a manhã inteira.
Eu me sentara embaixo de um quiosque e ali o tempo poderia passar o quanto quisesse, meu sonhos alçaram voos também, indo para muito mais além, dos voos da gaivota.
Meu corpo ficara ali, mas minha essência partira junto do sonho, foram horas a fio destilando lembranças, consertando os incontestáveis, rememorando esquecimentos aduncos, nas passadas do cominho.
Onde estivera eu,todo esse tempo, ao qual eu pudera me chamar de invisível, quando enxergara o tempo inteiro, motivos incultos de satisfações alheias.
 Onde houvera, tantos contêineres para que eu acumulasse um contentamento descontente, onde o sonho, apenas ele movia meus dias, insossos para mim, no intento de ameigar outrem fazendo tudo que me fosse cansativo e desagradável. 
Com uma venda nos olhos, eu passara a me ver do outro lado.
E os meus sins, sempre ressoavam me trazendo qualquer não ,silencioso e resoluto, mas estes eram invisíveis, alegara meu coração.
Deixara meus anos revoarem como a gaivota, indo e voltando, sem nenhuma resposta, também nenhuma pergunta, apenas me mantendo como um barco parado ao relento, esquecido num ponto desertado do mar.
Tudo fora primavera mediante meu olhar, mesmo que este ainda, não a alcançasse na totalidade, e as linhas longínquas de minha imaginação, traziam lágrimas nos meus olhos e arrepio na pele,ouvindo o barulho do trem partindo, madrugada adentro.
E as revoadas da gaivota, aos poucos foram finando e meu pensamento voador também voltara ao meu corpo, e de repente, olhara para mim e vira minha pele arrepiada em face do vento frio.
As lembranças morrem rapidamente, quando não queremos mais lembrar, porém a saudade, diferentemente da lembrança acastelara dentro de meu coração, uma série de fatos.
Em momento algum me arrependera de ser exatamente como fora, pois a vida me reservara umas prioridades que só cabem no coração dos poetas.
Uma visão descoberta aos encantos, ou desencantos, verdades e inverdades, que somente os poetas podem constatar.
Aquilatando com palavras,uma gaivota,e um pouco do caprichado poema.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha