A
praia ainda estava deserta, e talvez continuaria, pois bem no meio da semana,
em pleno outono, um vento frio prenunciando, ou antecipando um inverno
,encrespavam as águas paradas, ausentes de ondas.
Uma
gaivota numa revoada, abrangendo uma distância imensa, perpassando sobre a
montanha azulada, voltava planando no ar como um planador, feito pelas mãos
esmeradas da "natureza".
Tão
longe, depois tão perto, esse episódio fora recorrente quase a manhã
inteira.
Eu me
sentara embaixo de um quiosque e ali o tempo poderia passar o quanto quisesse,
meu sonhos alçaram voos também, indo para muito mais além, dos voos da gaivota.
Meu
corpo ficara ali, mas minha essência partira junto do sonho, foram horas a fio
destilando lembranças, consertando os incontestáveis, rememorando esquecimentos
aduncos, nas passadas do cominho.
Onde
estivera eu,todo esse tempo, ao qual eu pudera me chamar de invisível, quando
enxergara o tempo inteiro, motivos incultos de satisfações alheias.
Onde houvera,
tantos contêineres para que eu acumulasse um contentamento descontente, onde o
sonho, apenas ele movia meus dias, insossos para mim, no intento de ameigar
outrem fazendo tudo que me fosse cansativo e desagradável.
Com uma
venda nos olhos, eu passara a me ver do outro lado.
E os
meus sins, sempre ressoavam me trazendo qualquer não ,silencioso e resoluto,
mas estes eram invisíveis, alegara meu coração.
Deixara
meus anos revoarem como a gaivota, indo e voltando, sem nenhuma resposta,
também nenhuma pergunta, apenas me mantendo como um barco parado ao relento,
esquecido num ponto desertado do mar.
Tudo fora primavera mediante meu olhar, mesmo que este ainda, não a alcançasse na
totalidade, e as linhas longínquas de minha imaginação, traziam lágrimas nos meus
olhos e arrepio na pele,ouvindo o barulho do trem partindo, madrugada adentro.
E as
revoadas da gaivota, aos poucos foram finando e meu pensamento voador também
voltara ao meu corpo, e de repente, olhara para mim e vira minha pele arrepiada
em face do vento frio.
As
lembranças morrem rapidamente, quando não queremos mais lembrar, porém a
saudade, diferentemente da lembrança acastelara dentro de meu coração, uma
série de fatos.
Em
momento algum me arrependera de ser exatamente como fora, pois a vida me
reservara umas prioridades que só cabem no coração dos poetas.
Uma
visão descoberta aos encantos, ou desencantos, verdades e inverdades, que
somente os poetas podem constatar.
Aquilatando
com palavras,uma gaivota,e um pouco do caprichado poema.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha