Eu
Julieta, desde que me lembre como pessoa existente, em fase bem tenra de minha
vida, sempre fora muito tímida,medrosa,absorvendo todos os apelidos que me
punham, desde aquela época.
Quando
começara a crescer, então me voltara ao meu mundo particular quase me fechando
para o mundo humano ao meu redor, pois este quase não me oferecia nada, embora
eu sentisse um profundo amor pela minha mãe, meu pai e também meus irmãos e
irmãs.
Eu
devia ser uma menina muito feia e tímida, nunca chamara atenção de ninguém com
nada, a não ser meus desajeites sempre tão criticados.
Sentia
muito medo de sapo e também de gatos, embora tivesse uma gata de três
cores,preto,branco e marrom, a qual eu adorava, porém ela não gostava de meus
carinhos porque eu era exagerada, apertava-a contra mim e ela ficava rosnando
muito brava.
Á
noite, lembrara que ás vezes alguém me carregava no colo e punha na cama, meio
dormindo ainda percebera que era muito bom ser carregada no colo.
Adorava
minhas bonecas de menina pobre que de vez em quando eu as derretia tentando dar
banho, a constituição das mesmas não eram feitas para banho.
Gostava
de fazer histórias com desenhos, numa época ainda em que eu não frequentava
escola, e não sabia escrever, então com meus desenhos em sequência ,criava
minhas histórias.
Depois
eu ficava falando sozinha, como se fossem as personagens de minhas histórias
conversando e vivendo as mais diversas situações.
Havia
uns blocos vazios, os quais eu preenchia com meus garranchos quando ainda eu
não sabia escrever,então,comigo mesma eu brincava de professora e aluna.
O
tempo fora passando e eu entrara na escola do bairro em que eu morava, então
fora uma fase encantadora para mim, porque as letras foram como uma multidão de
crianças, que entraram em minha vida, fazendo o maior barulho,rindo,conversando
brincando, dando oportunidades para eu poder me expressar sendo ouvida,
valorizada e aplaudida também.
Esses
aplausos vinham quando minha professora começara me elogiar pelos textos
criados, e sem pensar no mundo da competição,eu me focara nessa maravilha que
colocava no papel ideias e pensamentos das maravilhas que vinham do lado de
fora.
Todas
as primaveras foram esculpidas a lápis por mim,eu as demais estações também,
todas as árvores amigas, oferecendo sombra, flores e frutas maravilhosas como
as mangas temporonas,também entraram para as escritas do papel.
A
vida ganhava um novo sentindo, e eu passara a ser preenchida por ideias e ideais, levando estes comigo doravante, por onde eu tivera que
caminhar.
Á noite, depois de fazer a lição
repetia compulsivamente o número de leituras que a professora determinara para
ler.
Porém, escrever á parte, era um
prazer para mim, sempre dava um jeito de arrumar um caderno separado, aquele
onde eu escondia a minha multidão de amigos e amigas indiferentemente da
espécime, eram árvores,borboletas,flores trepadeiras, joaninhas de várias
cores,passarinhos com ovinhos pintainhos de azuis, outros marrons, enfim era
uma multidão á parte.
A árvore de flores amarelas
reflorescia o ano todo, e eu ficava encantada olhando com emoção para aquela
beleza singular.
As abelhas alvoroçadas zumbiam
fazendo um barulho imenso em sua copa extraindo néctares para levarem ao
esconderijo delas, ao qual eu nunca me atrevera em aproximar, mesmo assim,
acabara sempre levando algumas picadas bem doloridas.
Eu conhecera crianças de minha
idade na escola, e aos poucos fora melhorando minha timidez e nos recreios
brincávamos juntas, mas a professora não gostava muito que brincássemos de
correr, pois poderíamos além de nos machucarmos, entrarmos na sala de aula
suados, e ela detestava e com razão.
Ela tinha uma letra linda e quando
ela enchia a lousa de lições usando giz colorido, fazendo alguns desenhos,eu
ficava encantada.
Ela sabia desenhar garças como
ninguém, eram lindas sempre postadas nos charques com uma perna esticada a
outra encolhida, na hora de colorir ela apresentava umas nuances maravilhosas
colocando tons sobre tons.
O meu mundo, ao entrar naquela
humilde escola se transformara de uma hora para outra, não que me fosse tão
solitário assim antes, mas obviamente era tudo que eu mais precisara para
ilustrar minhas ideias, sem pensar que eu pudesse ser uma menina tão feia,
porque até então, nunca mirara no espelho para me ver.
Eu simplesmente, houvera acatado a
ideia daquelas asseverações que cotidianamente ouvira, sem mais contestações,
sem sequer retrucar, pois dentro de mim soara como uma verdade com a qual eu
iria conviver em minha humilde existência.
Hoje quando meditando, volto pelo
caminho, para me encontrar com aquela criança sinto um grande amor propriamente
todo meu, pois essa criança quando tão despercebida, mesmo de mim então,
reservara um entardecer florido á minha existência.
Impregnada sempre de uma resignação
pacífica e acolhedora, fora colocando os mais lindos subterfúgios para meus
entendimentos tão antigos e entardecidos, mantivera uma jovialidade uniforme e
tanto designadora também, conjugando o tempo, como meu melhor aliado, pondo em
minhas mãos, uma nova multidão de ideias, as quais concretizo, entre erros e
acertos, que com uma certa teimosia conjugo acerto final.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha