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domingo, 10 de março de 2019

IDENTIFICAÇÃO_DO LIVRO_A CURA

Eu Julieta, desde que me lembre como pessoa existente, em fase bem tenra de minha vida, sempre fora muito tímida,medrosa,absorvendo todos os apelidos que me punham, desde aquela época.
Quando começara a crescer, então me voltara ao meu mundo particular quase me fechando para o mundo humano ao meu redor, pois este quase não me oferecia nada, embora eu sentisse um profundo amor pela minha mãe, meu pai e também meus irmãos e irmãs.
Eu devia ser uma menina muito feia e tímida, nunca chamara atenção de ninguém com nada, a não ser meus desajeites sempre tão criticados.
Sentia muito medo de sapo e também de gatos, embora tivesse uma gata de três cores,preto,branco e marrom, a qual eu adorava, porém ela não gostava de meus carinhos porque eu era exagerada, apertava-a contra mim e ela ficava rosnando muito brava.
Á noite, lembrara que ás vezes alguém me carregava no colo e punha na cama, meio dormindo ainda percebera que era muito bom ser carregada no colo.
Adorava minhas bonecas de menina pobre que de vez em quando eu as derretia tentando dar banho, a constituição das mesmas não eram feitas para banho.
Gostava de fazer histórias com desenhos, numa época ainda em que eu não frequentava escola, e não sabia escrever, então com meus desenhos em sequência ,criava minhas histórias.
Depois eu ficava falando sozinha, como se fossem as personagens de minhas histórias conversando e vivendo as mais diversas situações.
Havia uns blocos vazios, os quais eu preenchia com meus garranchos quando ainda eu não sabia escrever,então,comigo mesma eu brincava de professora e aluna.
O tempo fora passando e eu entrara na escola do bairro em que eu morava, então fora uma fase encantadora para mim, porque as letras foram como uma multidão de crianças, que entraram em minha vida, fazendo o maior barulho,rindo,conversando brincando, dando oportunidades para eu poder me expressar sendo ouvida, valorizada e aplaudida também.
Esses aplausos vinham quando minha professora começara me elogiar pelos textos criados, e sem pensar no mundo da competição,eu me focara nessa maravilha que colocava no papel ideias e pensamentos das maravilhas que vinham do lado de fora.
Todas as primaveras foram esculpidas a lápis por mim,eu as demais estações também, todas as árvores amigas, oferecendo sombra, flores e frutas maravilhosas como as mangas temporonas,também entraram para as escritas do papel.
A vida ganhava um novo sentindo, e eu passara a ser preenchida por ideias e ideais, levando estes comigo doravante, por onde eu tivera que caminhar.
Á noite, depois de fazer a lição repetia compulsivamente o número de leituras que a professora determinara para ler.
Porém, escrever á parte, era um prazer para mim, sempre dava um jeito de arrumar um caderno separado, aquele onde eu escondia a minha multidão de amigos e amigas indiferentemente da espécime, eram árvores,borboletas,flores trepadeiras, joaninhas de várias cores,passarinhos com ovinhos pintainhos de azuis, outros marrons, enfim era uma multidão á parte.
A árvore de flores amarelas reflorescia o ano todo, e eu ficava encantada olhando com emoção para aquela beleza singular.
As abelhas alvoroçadas zumbiam fazendo um barulho imenso em sua copa extraindo néctares para levarem ao esconderijo delas, ao qual eu nunca me atrevera em aproximar, mesmo assim, acabara sempre levando algumas picadas bem doloridas.
Eu conhecera crianças de minha idade na escola, e aos poucos fora melhorando minha timidez e nos recreios brincávamos juntas, mas a professora não gostava muito que brincássemos de correr, pois poderíamos além de nos machucarmos, entrarmos na sala de aula suados, e ela detestava e com razão.
Ela tinha uma letra linda e quando ela enchia a lousa de lições usando giz colorido, fazendo alguns desenhos,eu ficava encantada.
Ela sabia desenhar garças como ninguém, eram lindas sempre postadas nos charques com uma perna esticada a outra encolhida, na hora de colorir ela apresentava umas nuances maravilhosas colocando tons sobre tons.
O meu mundo, ao entrar naquela humilde escola se transformara de uma hora para outra, não que me fosse tão solitário assim antes, mas obviamente era tudo que eu mais precisara para ilustrar minhas ideias, sem pensar que eu pudesse ser uma menina tão feia, porque até então, nunca mirara no espelho para me ver.
Eu simplesmente, houvera acatado a ideia daquelas asseverações que cotidianamente ouvira, sem mais contestações, sem sequer retrucar, pois dentro de mim soara como uma verdade com a qual eu iria conviver em minha humilde existência.
Hoje quando meditando, volto pelo caminho, para me encontrar com aquela criança sinto um grande amor propriamente todo meu, pois essa criança quando tão despercebida, mesmo de mim então, reservara um entardecer florido á minha existência.
Impregnada sempre de uma resignação pacífica e acolhedora, fora colocando os mais lindos subterfúgios para meus entendimentos tão antigos e entardecidos, mantivera uma jovialidade uniforme e tanto designadora também, conjugando o tempo, como meu melhor aliado, pondo em minhas mãos, uma nova multidão de ideias, as quais concretizo, entre erros e acertos, que com uma certa teimosia conjugo acerto final.

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Izildinha