Minha mãe nos criara sozinha, nunca
falara mal de meu pai, ela tinha uma vida bastante agitada e eu me sentia na
obrigação de ajudá-la.
Morávamos no Ipiranga, numa casa de
fundos quarto e cozinha e nos ajeitávamos como podíamos.
Quando eu entrei na escola, comecei
a me interessar ´pelas escritas, e assim foram desaparecendo meus complexos
tantos.
Ás vezes sentia muito medo da morte
também,eu nunca procurei saber porque quando eu era criança, pensava na morte o
tempo todo.
Mesmo assim, com todos os meus
problemas eu ia tocando a minha vida como eu podia.
Quando completei onze anos de
idade, recebi um recado de um menino nissei dizendo que me amava e que eu era a
menina mais linda da escola.
Era próximo do Natal e ele me
enviara um cartão brilhante e perfumado, escrito com uma letra linda embaixo
dos dizeres:
De teu amigo que o ama
sinceramente.
Nossa!
Isso me mudou completamente,eu me
apaixonara pela primeira vez na vida, mas ele tinha dezesseis anos e essa
diferença era uma barreira que me entristecia.
A minha irmã mais velha que eu a
Aline, sabendo disso, ela com catorze anos,bonita,corpo já de mulher, começara
a ficar com ele, não porque gostasse.
Isso me deixava muito triste.
Fora a primeira sombra de amor, que
invadira e tocara levemente meu coração, mas aos poucos eu fora me afastando,
não do amor, mas da possibilidade, por tudo aquilo, que até então eu nunca
fora.
Passara uns bons anos amando aquele
menino nissei, até que ele arrumara uma outra namorada de sua idade e logo
depois se casara.
Minha irmã Aline era uma moça muito
bonita, igualmente era Aliana a caçula.
Então, eu ficara com o lado
introvertido da história, me questionando o tempo todo.
Eu precisara consertar minha existência, encaixando dentro
da
vida, me
olhando de frente e me aceitando, portanto ainda era muito cedo para que eu
enxergasse tais coisas.
Eu não sabia, que pelas minhas
características, era um atrativo para os Invalidadores.
Atraída pelas pessoas diferentes, quando eu, como pessoa aberta á empatia, sempre
sentira e percebera coisas, que outras pessoas jamais sentiam.
Começara a me enveredar pela fé,pela
capacidade de sentir e viver outras emoções, e com
estas me realizar harmonicamente, dentro da paz.
Ás vezes, sentimos que a vida está espremida num canto, onde só cabe uma receita para todo mundo,
não tendo como
alargar tais espaços.
O que não podemos esquecer, é que
diariamente, repetimos ações, usamos utensílios, que não nos caíram do céu, mas
que alguém num dado momento, em face da necessidade,os criara.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha