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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

COMPLEXO-TRECHO DO LIVRO-INVALIDADORES

Logo quando surgiu a adolescência, o mundo começara a ficar mais aberto a tudo que eu pudera fazer de valioso,porém,sempre tivera pessoas ao meu redor, para colocar defeitos nas minhas atitudes e também em tudo que eu realizara.
Começara a despontar uma outra pessoa dentro de mim, mesmo assim, gostava de meus cabelos meio ruivos,de minha pele rosada, gostava do mundo que me cerceava, sem necessitar do aval das pessoas.
Meu mundo foi ganhando uma dimensão maior, e as escritas foram minhas amigas inseparáveis.
Adorava meus livros, as histórias que eles me contavam, as descobertas que eu podia fazer e a partir daí partir para outras.
Eu estava sempre antenada nesse mundo das descobertas e uma vez fiquei sabendo que a aspirina colada a um calo com esparadrapo, poderia removê-lo, pois ela esfoliava a pele até remover completamente o calo.
Agora bem mais tarde associei essa ideia a esfoliação  no rosto, onde a aspirina entra como grande coadjuvante da beleza da pele.
Percebera que certas invalidações só me fizeram perceber que eu tinha muito mais a fazer e á realizar do que ficar presa ás coisas que já foram criadas e inventadas.
E começara a pintar os sapatos usados de minha irmã mais velha, que ficara muito brava, mesmo sendo um sapato que ela não usaria mais.
Além disso, sempre rira muito de minhas customizações de sapatos.
Não ficavam muito boas, mas era o único jeito que eu tivera de adquirir um sapato com cara de novo para sair á noite.
Fora as broncas de minha irmã.
Improvisava lixas para meus pés, ou unhas com algumas coisas mais estranhas, mas que para mim, sempre davam certo.
Mesmo que por conta disso,eu fosse ironizada pelos meus familiares.
Eu sempre gostava de mãos bem cuidadas e quando tinha que realizar algum serviço mais grosseiro, não podendo comprar luvas,eu as fabricava em casa mesmo de tecido.
Que bom que hoje ninguém precise fabricar suas próprias luvas.
O fato de eu ser invalidada sempre, principalmente ser chamada de feia, fez com que eu me interessasse em mudar minha imagem.
Não porque eu estivesse insatisfeita comigo,mas sim, as pessoas ao meu redor.
Mesmo que eu nunca fizesse nada que despertasse um elogio, estava sempre realizando mais e mais.
Eu era invalidada como péssima lavadora de louças, de roupas e também, era criticada por viver sempre distraída pensando em coisas.
Eu vivia completamente inundada no meu mundo, nas minhas histórias que eu adorava criar, nos meus enredos e nos meus romances.
Enquanto minhas irmãs tinham uma infinidade de amigas, sabiam se arrumar adequadamente para saírem de casa, esse lado meu sempre foi mais disperso.
Gostava de cuidar de minhas mãos, meus pés,corpo,cabelo e dava pouca importância para roupas e sapatos.
Aos poucos isso começara a surtir efeito, mas eu tinha o agravante das invalidações para me lembrar que eu era feia,branquela, e que o sol não me bronzeava, mas sim, deixava vermelha.

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Izildinha