Algumas
palavras com amigas na esquina, já me deixam mais viva, mais além daquilo que
venho sendo há muito tempo.
As
nuances poluídas acercam as ruas engasgadas pelos carros e eu fico esperando um
vão para atravessar.
Lembro
da mão firme segurando a minha evitando que eu andasse mais depressa, fazendo
os carros quase pararem.
Hoje
parece que voltara ao meu sufoco antigo, sem paciência espero uma brecha e
cruzo depressa.
O
meu coração simplesmente fala de amor para todo meu corpo, inspirando mais do que outros dias.
Talvez
eu precisasse de algumas lágrimas hoje, mas prefiro deixar o pensamento viajar
bem distante buscando uma resposta para minha pergunta desaparecida nas dobras
do vento.
Olho
o rapaz semi nu,que habita as ruas desta cercania e fico imaginando o que ele
pensa, pois exibe um ar tranquilo catando as bitucas de cigarro e acendendo de
novo.
Uma
vez tentei me aproximar dele ,ele saiu quase correndo, fez um sinal positivo com
a mão e dobrou a esquina sumindo rapidamente.
Ele
exibe uma liberdade inefável, quando nós dependemos de tanta coisa para viver e
ele exigentemente jamais aceita ajuda de alguém.
O
que será que ele pensa?
Fico
imaginando ás vezes, pois se fosse um cachorro, mesmo não querendo, alguém com
certeza já o havia retirado da rua.
Porém,
os cachorros não têm vontade própria e simplesmente seguem um prato de comida.
Tão
nômade e desprendido meu amor se foi assim, nada querendo deste mundo, apenas
vendo necessidades nos outros e se desdobrando para supri-las.
Se
ele era narcisista, então colocara um grande amor no coração de uma empata que
ficara completamente dependente de suas asseverações, de seus repasses, de seus
pareceres sobre a política e a economia de nosso país.
Realçara
com ele a compaixão pelos pobres e necessitados, quando o vira tirando uma
única cédula do bolso e doando ao pedinte.
Também
sempre enfatizara em mim uma grande admiração quando sem pensar em si, fizera
pela família o que pudera e o que não pudera então.
Entristecera,
um dia que ligara para ele no meio do dia e perguntara onde ele estava e ele
respondeu:
Deitado.
Eu
sabia que ele não estava nada bem,caso contrário estaria vendo um filme,
cuidando dos animais ou fazendo outra coisa qualquer.
Ele
reclamara, ás vezes da fadiga eu para animá-lo dizia que sentia algo parecido,
mas sentia mesmo apenas no verão.
Agora
eu me tornara uma pessoa mais compreensível entendendo que a vida, cerceia a
nossa presença de dádivas e estupidamente, vamos percebendo á medida que
perdemos.
Vamos
dando adeus a tudo, sem ao menos perceber, quando é o momento, apenas vivemos
de sustos.
Mas,
mesmo assim, a vida é gratificante quando temos pessoas tão importantes para
serem recordadas, assim espero também ser um dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha