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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

NÔMADE- TRECHO DO LIVRO-AMOR ETERNO

Algumas palavras com amigas na esquina, já me deixam mais viva, mais além daquilo que venho sendo há muito tempo.
As nuances poluídas acercam as ruas engasgadas pelos carros e eu fico esperando um vão para atravessar.
Lembro da mão firme segurando a minha evitando que eu andasse mais depressa, fazendo os carros quase pararem.
Hoje parece que voltara ao meu sufoco antigo, sem paciência espero uma brecha e cruzo depressa.
O meu coração simplesmente fala de amor para todo meu corpo,  inspirando mais do que outros dias.
Talvez eu precisasse de algumas lágrimas hoje, mas prefiro deixar o pensamento viajar bem distante buscando uma resposta para minha pergunta desaparecida nas dobras do vento.
Olho o rapaz semi nu,que habita as ruas desta cercania e fico imaginando o que ele pensa, pois exibe um ar tranquilo catando as bitucas de cigarro e acendendo de novo.
Uma vez tentei me aproximar dele ,ele saiu quase correndo, fez um sinal positivo com a mão e dobrou a esquina sumindo rapidamente.
Ele exibe uma liberdade inefável, quando nós dependemos de tanta coisa para viver e ele exigentemente jamais aceita ajuda de alguém.
O que será que ele pensa?
Fico imaginando ás vezes, pois se fosse um cachorro, mesmo não querendo, alguém com certeza já o havia retirado da rua.
Porém, os cachorros não têm vontade própria e simplesmente seguem um prato de comida.
Tão nômade e desprendido meu amor se foi assim, nada querendo deste mundo, apenas vendo necessidades nos outros e se desdobrando para supri-las.
Se ele era narcisista, então colocara um grande amor no coração de uma empata que ficara completamente dependente de suas asseverações, de seus repasses, de seus pareceres sobre a política e a economia de nosso país.
Realçara com ele a compaixão pelos pobres e necessitados, quando o vira tirando uma única cédula do bolso e doando ao pedinte.
Também sempre enfatizara em mim uma grande admiração quando sem pensar em si, fizera pela família o que pudera e o que não pudera então.
Entristecera, um dia que ligara para ele no meio do dia e perguntara onde ele estava e ele respondeu:
Deitado.
Eu sabia que ele não estava nada bem,caso contrário estaria vendo um filme, cuidando dos animais ou fazendo outra coisa qualquer.
Ele reclamara, ás vezes da fadiga eu para animá-lo dizia que sentia algo parecido, mas sentia mesmo apenas no verão.
Agora eu me tornara uma pessoa mais compreensível entendendo que a vida, cerceia a nossa presença de dádivas e estupidamente, vamos percebendo á medida que perdemos.
Vamos dando adeus a tudo, sem ao menos perceber, quando é o momento, apenas vivemos de sustos.
Mas, mesmo assim, a vida é gratificante quando temos pessoas tão importantes para serem recordadas, assim espero também ser um dia.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha