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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

SILENCIOSAS [DO LIVRO - A ESTÁTUA]

Era finalzinho de outono,eu observara o vento varrendo as folhas, que ainda despencavam dos galhos ressequidos.
O inverno estava prestes a chegar.
A cidade vestira com uma tonalidade cinza, e as ruas silenciosas, permaneceram inertes ao longo do tempo.
Aquele ano fora um ano tristonho, Jorge se fora tão de repente, sem me dizer nada,sem me ensinar como eu viveria sem ele.
Meu coração o guardara para sempre, mesmo com um vazio enorme me rondando o tempo todo.
Nosso neto Jorge terminara o curso de medicina em Londres, minha filha sabia que eu não iria á cerimônia, seis meses parecera durar uma eternidade, e ao mesmo tempo, parecera ter sido ontem aquele adeus sem voz.
Sobre a estante, aquela estátua permanecia como um livro fechado com uma história querendo saltar.
As ruas percorridas durante esse tempo, pareceram mudar de cor,e eu me sentira perdida, dentro de uma solidão tão estrangeira.
Uma solidão proposital, que levara meu amor embora para sempre, portanto, levando consigo boa parte de mim.
Volto no passado e começo a recordar das nossas primeiras viagens em Londres, tentando captar as imagens fotográficas com neve caindo.
Depois percorro o olhar pela sala e posso sentir nitidamente, cada uma delas presentes dentro das lindas molduras feitas de recicláveis para vestirem uma fotografia pintada e ampliada.
As lágrimas grossas e destemidas molham meu rosto várias vezes,eu passara um avental que ele usava no ateliê para me secar.
Nosso neto ainda não houvera nascido na primeira viagem, mas depois vieram tantas outras.
Eu entendera que a finitude faz parte da vida tornando-a até mais encantadora, por isso, nesse instante eu pudera vestir meu amor de um encanto perfeito.
Pois ele já houvera terminado sua caminhada e deixado sua história.
Porém,eu ficara aqui tão sozinha, imaginando onde pudera estar Jorge nesse determinado momento.
Rezei a Deus que o mantivesse em bom lugar, visto que fora uma pessoa tão especial.
A noite começara a cair, salpicando as cinzas nuvens de estrelas brilhantes.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha