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terça-feira, 6 de novembro de 2018

ORFANATO[DO LIVRO_ETERNA POSSIBILIDADE]

Meu nome Maria, e naquela manhã  bastante fria, meio confusa olhei no relógio e era hora de sair da cama, dei uma espreguiçada e percebi o quanto era aconchegante minha cama, a ponto de me fazer querer ficar mais um pouco.
Mas também fazendo parte de meu temperamento, vi na possibilidade um grande motivo para me colocar em ordem e receber o novo dia bem disposta.
Eu obedecia toda uma rotina que era me por em ordem, tomar um bom banho, um bom café me vestir e antes de sair para o trabalho, por a casa em ordem também.
Tudo ao meu redor precisava ser cuidado,reciclado,isso me punha em satisfação mediante a vida, aprendera em idade tenra uma série de coisas, que ficaram enraizadas em mim,como se fossem um tipo de obsessão, ao qual eu nunca vencera, pois sempre estava cumprindo com a maior lisura e devoção, mesmo porque depois me punha em paz comigo e com o meio.
Eu havia completado vinte anos, trabalhava como vendedora numa loja de eletro domésticos, cumpria um horário árduo e bastante vigiado, minha chefa dona Magali, sempre de rédeas curtas, dominava o espaço, quase dominando e regulando até o ar que respirávamos.
Ela,notavelmente,precisava fazer jus ao cargo e encargo que tinha nas mãos, enquanto nós os vendedores, e vendedoras comissionados, trabalhávamos mais livres e soltos, o trabalho nos oferecia a possibilidade de ganharmos mais, quando vendíamos mais.
Conseguira estudar e agora estava no  último ano de nutrição,viera de um internato, não sabia quem eram meus pais e nem se tinha irmãos.
Toda vez que algum casal aparecia lá para adotar uma criança,eu ficava num canto olhando espiando, mas nunca ninguém me escolheu.
Comecei desde muito cedo a ajudar lá dentro, e prestava grande obediência a tudo que me impunham, desde levantar de madrugada ,lavar banheiros, limpar o pátio e os corredores. E depois dar conta de tudo que me incumbiam que parecia não acabar com o dia.
Como nunca ninguém me adotou fui ficando entrei na escola e tive o privilégio de ter bons professores, mesmo porque eu também vira nos estudos a única família que me ampararia ao longo da vida.
Eu não posso e nem devo reclamar do internato, sempre me trataram regular mente bem, a indiferença deles, era melhor para mim do que a atenção, que mesmo não querendo,eu cometia alguns erros em minhas tarefas diárias, então era repreendida arduamente por isso, e minhas tarefas eram redobradas e muitas vezes eu adentrava a noite para realizá-las quando tinha que parar para ir á escola..
Na escola,eu procurava me encontrar um pouco mais no meio das pessoas, mas mesmo assim, tinha poucas amigas, pois elas sempre tinham muitas coisas em comum para conversarem que eu não tinha, como família,pai,mãe e tudo o que isso envolve.
Orfanato fora meu lar.

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Izildinha