Meu
nome Maria, e naquela manhã bastante
fria, meio confusa olhei no relógio e era hora de sair da cama, dei uma
espreguiçada e percebi o quanto era aconchegante minha cama, a ponto de me
fazer querer ficar mais um pouco.
Mas
também fazendo parte de meu temperamento, vi na possibilidade um grande motivo
para me colocar em ordem e receber o novo dia bem disposta.
Eu
obedecia toda uma rotina que era me por em ordem, tomar um bom banho, um bom
café me vestir e antes de sair para o trabalho, por a casa em ordem também.
Tudo
ao meu redor precisava ser cuidado,reciclado,isso me punha em satisfação
mediante a vida, aprendera em idade tenra uma série de coisas, que ficaram
enraizadas em mim,como se fossem um tipo de obsessão, ao qual eu nunca vencera,
pois sempre estava cumprindo com a maior lisura e devoção, mesmo porque depois
me punha em paz comigo e com o meio.
Eu
havia completado vinte anos, trabalhava como vendedora numa loja de eletro
domésticos, cumpria um horário árduo e bastante vigiado, minha chefa dona
Magali, sempre de rédeas curtas, dominava o espaço, quase dominando e regulando
até o ar que respirávamos.
Ela,notavelmente,precisava
fazer jus ao cargo e encargo que tinha nas mãos, enquanto nós os vendedores, e
vendedoras comissionados, trabalhávamos mais livres e soltos, o trabalho nos
oferecia a possibilidade de ganharmos mais, quando vendíamos mais.
Conseguira
estudar e agora estava no último ano de
nutrição,viera de um internato, não sabia quem eram meus pais e nem se tinha
irmãos.
Toda
vez que algum casal aparecia lá para adotar uma criança,eu ficava num canto
olhando espiando, mas nunca ninguém me escolheu.
Comecei
desde muito cedo a ajudar lá dentro, e prestava grande obediência a tudo que me
impunham, desde levantar de madrugada ,lavar banheiros, limpar o pátio e os
corredores. E depois dar conta de tudo que me incumbiam que parecia não acabar
com o dia.
Como
nunca ninguém me adotou fui ficando entrei na escola e tive o privilégio de ter
bons professores, mesmo porque eu também vira nos estudos a única família que
me ampararia ao longo da vida.
Eu
não posso e nem devo reclamar do internato, sempre me trataram regular mente
bem, a indiferença deles, era melhor para mim do que a atenção, que mesmo não
querendo,eu cometia alguns erros em minhas tarefas diárias, então era
repreendida arduamente por isso, e minhas tarefas eram redobradas e muitas
vezes eu adentrava a noite para realizá-las quando tinha que parar para ir á
escola..
Na
escola,eu procurava me encontrar um pouco mais no meio das pessoas, mas mesmo
assim, tinha poucas amigas, pois elas sempre tinham muitas coisas em comum para
conversarem que eu não tinha, como família,pai,mãe e tudo o que isso envolve.
Orfanato fora meu lar.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha