Mesmo
estando preparada, cuidando para que as investidas de minha chefa não me
atingissem,eu estava sempre muito apreensiva,não parecia a mesma Mariana, e ás vezes deixava de dar a devida
atenção ao Gustavo, que agora era ele quem reclamava de minha falta de atenção.
Lembro-me
que quando mais jovens, ele me abandonava mediante quaisquer circunstâncias
difíceis pela qual eu estivera passando, ao invés de terminar o relacionamento,
na época, resolvi dar mais uma chance a nós dois e as coisas foram melhorando.
Agora
era uma outra pessoa dedicada, participativa, aquela mão que eu tinha para
segurar nos momentos de aflição, então ambos passamos a entender que o amor é
para isso.
Quando
tudo está ás mil maravilhas, quase não precisamos de nada, a não ser a pessoa
querida para comemorar, mas quando estamos atravessando uma ponte estreita,
nessas horas, a mão amiga tem a capacidade de decidir eternamente uma relação.
Eu
precisava muito da mão dele naqueles momentos tão difíceis, quando eu vivia tão
ansiosa e mexida como nunca, talvez fosse a aproximação de nossa união, onde
contaríamos com a nossa relação em harmonia e também com a manutenção
financeira de uma vida a dois.
A
cidade começara a ficar cheia de luzes coloridas e á noite saíamos para andar
um pouco nos shoppings, que quase nada acrescentavam ao espírito natalino a nós
dois, mas por outro lado, os ipês tardios e temporãos davam um espetáculo á
parte pelas avenidas afora, meu olhar estendido demorava a voltar, extasiado
pelo encanto.
Gustavo
quase não falava de seu trabalho, apenas dizia que as vendas haviam caído em
detrimento da crise pela qual nosso país estava passando.
Ás
vezes eu ficava olhando Gustavo por um bom tempo, quando ele depois de muita
insistência arrumava a louça do café da manhã enquanto eu dava uma repassada
nas notícias do dia.
Ele
era dócil,prestativo,e meu coração chegava a doer quando tínhamos de nos
separarmos até o final do dia, porque meus dias haviam se transformado em
milênios, as horas custavam a passar, embora eu não parasse um minuto.
A
sessão fora toda reformulada de alegorias com motivos natalinos, estava muito
bonita e aconchegante, mas eu alí,estava me sentindo uma estranha no ninho,
mesmo depois de estar a mais de quatro anos no mesmo emprego, conhecendo e
administrando de maneira exímia tudo que me era incumbido.
Mas
quando eu pensava em Gustavo, meu dia ficava mais leve e as coisas até fluíam
melhor,eu o entendia como uma bênção em minha vida, afinal, ele era meu grande
amor.
E
um amor não se constrói da noite para o dia, sem que haja aborrecimentos,
perdões e outros tantos sentimentos mais, mas quando o amor vem centralizando
tudo, obviamente a vida ganha um sentido único, entendendo que nada comporta
mais importância.
Era
finalzinho de tarde e uma ventania fresca roçava umas folhas secas na calçada,
a noite prenunciava tranquila a ponto de me impregnar dessa mansidão, virei a
esquina e deixei a empresa para trás.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha