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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DO ROMANCE[O QUE O TEMPO LEVA]

Mesmo estando preparada, cuidando para que as investidas de minha chefa não me atingissem,eu estava sempre muito apreensiva,não parecia a mesma Mariana, e ás vezes deixava de dar a devida atenção ao Gustavo, que agora era ele quem reclamava de minha falta de atenção.
Lembro-me que quando mais jovens, ele me abandonava mediante quaisquer circunstâncias difíceis pela qual eu estivera passando, ao invés de terminar o relacionamento, na época, resolvi dar mais uma chance a nós dois e as coisas foram melhorando.
Agora era uma outra pessoa dedicada, participativa, aquela mão que eu tinha para segurar nos momentos de aflição, então ambos passamos a entender que o amor é para isso.
Quando tudo está ás mil maravilhas, quase não precisamos de nada, a não ser a pessoa querida para comemorar, mas quando estamos atravessando uma ponte estreita, nessas horas, a mão amiga tem a capacidade de decidir eternamente uma relação.
Eu precisava muito da mão dele naqueles momentos tão difíceis, quando eu vivia tão ansiosa e mexida como nunca, talvez fosse a aproximação de nossa união, onde contaríamos com a nossa relação em harmonia e também com a manutenção financeira de uma vida a dois.
A cidade começara a ficar cheia de luzes coloridas e á noite saíamos para andar um pouco nos shoppings, que quase nada acrescentavam ao espírito natalino a nós dois, mas por outro lado, os ipês tardios e temporãos davam um espetáculo á parte pelas avenidas afora, meu olhar estendido demorava a voltar, extasiado pelo encanto.
Gustavo quase não falava de seu trabalho, apenas dizia que as vendas haviam caído em detrimento da crise pela qual nosso país estava passando.
Ás vezes eu ficava olhando Gustavo por um bom tempo, quando ele depois de muita insistência arrumava a louça do café da manhã enquanto eu dava uma repassada nas notícias do dia.
Ele era dócil,prestativo,e meu coração chegava a doer quando tínhamos de nos separarmos até o final do dia, porque meus dias haviam se transformado em milênios, as horas custavam a passar, embora eu não parasse um minuto.
A sessão fora toda reformulada de alegorias com motivos natalinos, estava muito bonita e aconchegante, mas eu alí,estava me sentindo uma estranha no ninho, mesmo depois de estar a mais de quatro anos no mesmo emprego, conhecendo e administrando de maneira exímia tudo que me era incumbido.
Mas quando eu pensava em Gustavo, meu dia ficava mais leve e as coisas até fluíam melhor,eu o entendia como uma bênção em minha vida, afinal, ele era meu grande amor.
E um amor não se constrói da noite para o dia, sem que haja aborrecimentos, perdões e outros tantos sentimentos mais, mas quando o amor vem centralizando tudo, obviamente a vida ganha um sentido único, entendendo que nada comporta mais importância.
Era finalzinho de tarde e uma ventania fresca roçava umas folhas secas na calçada, a noite prenunciava tranquila a ponto de me impregnar dessa mansidão, virei a esquina e deixei a empresa  para trás.

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Izildinha