Essa
história de que carro e mulher não se emprestam a ninguém, sempre me lembra um
fato muito engraçado.
Muitas
vezes a mentira engana bem,mas só a pessoa que mente.
Povo,
diz muito isso.
Diz-se,
que também acontece muito isso.
Ninguém
empresta mulher.
Mas
emprestando carro ao amigo, perde a mulher.
Acredito
que para não se emprestar o carro, nasceu o tal provérbio.
Porque
cá entre nós, existem homens que têm verdadeira idolatria por carro.
João
era um desses, passava os finais de semana, lustrando e admirando o bichinho.
Só
tinha um inconveniente, Geraldo ,seu melhor amigo, aquele mulherengo, volta e
meia, pedia o carro emprestado para dar uns giros com uma gata.
E
como carro e mulher não se emprestam a ninguém, o casamento de João, estava
indo água abaixo por conta desse seu espaçoso amigo.
Ele
deixava o carro todo lustroso de embaçar as vistas, e lá vinha o Geraldo pidão.
Um
dia a mulher deu um ultimato.
Olha
aqui João!
Que
seja a última vez que esse folgado mulherengo sai com teu carro, por que da
próxima, eu sumo com as crianças e você fica aí com teu amigo.
Nessas
alturas, já nem tinha como:
-Beleza,
pensou João, já ando pelos tampos, e me dói o coração, ver aquele malandro
usando meu carro.
Era
noitinha de sábado e João estava, lustra que lustra o carro na calçada em
frente de casa, distraído e encantado com a belezura.
Um
brilho de fazer gosto!
De-repente
ele vê o amigo se encostando...
Ai!
Ai! Pensou ele.
E
não deu outra.
João
foi obrigado a contar o que estava se passando, e por isso não emprestaria o
carro jamais.
Não
poderia pôr seu casamento em risco.
Depois
outra, disse ele.
Amanhã
logo cedo, viajarei para casa de praia á 300 quilômetros daqui.
Minha
esposa vai levar a mãe dela.
Geraldo
, cabra cheio das artimanhas, ficou na insistência.
E
a insistência foi pegando João pelo sentimento.
Será
a última vez, disse Geraldo , te prometo dentro de uma hora te trazer o carro.
Tudo
bem disse João. Digo á mulher que vou jogar bola e te espero no bar da esquina,
nem um minuto a mais.
E
tudo saiu perfeito conforme o combinado.
Chegou
em casa, pôs o carro na garagem e tudo transcorreu normalmente.
No
outro dia cedinho, pé na estrada.
Ele
a esposa na frente,dois filhos e a sogra no banco traseiro.
Depois
de uma meia hora que estavam na estrada, ele sentiu uma coisa estranha embaixo
da embreagem do carro.
Com
cuidado, tateando com os pés, viu que se tratava de um sapato feminino.
Pensou...
Que
canalha!
Deve
ter ficado com raiva, além de emprestar meu carro, deixa um sapato de mulher
para complicar minha vida.
E
agora?
Pensou...
Veio-lhe
uma ideia de imediato, e quando todo mundo estava distraído, ele abriu
rapidamente a janela do carro em movimento, e jogou o sapato longe.
Respirou
fundo e sentiu uma sensação de quem sai do sufoco.
Chegando
lá, já nem lembrava mais de nada.
Ou
melhor, não lembrou até ouvir o grito da sogra.
Socorro!
Tirei
o sapato do pé na estrada porque estava muito calor, e ele sumiu!
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha