Uma
das coisas que não consegui aprender com ele, foi a resignação, ele nunca
reclamava de nada,
e olha que a vida lhe foi dura,
passou por provações dificílimas,porém,jamais eu o ouvi reclamar, era de uma fé contagiante, avassaladora...
Minhas
primeiras lembranças dele,
sempre foram
de lutas, de muito trabalho ,de muito sofrimento também, ele sobreviveu a dois filhos, e não pretendo me estender nesse ponto, porque simplesmente não encontro palavras para
isso.
Simples,
porém altivo
quando mais jovem,protetor,determinante e corajoso,
a vida o fez assim, acredito que de outra maneira ele sucumbiria, mas do outro lado, lá estava aquele homem doce, apaixonado pelos filhos,
e pela família.
Lembro-me,
que quando eu o acompanhava á missa,
ele sempre era o último a sair da igreja, rezava até o último instante, e quando o sacristão ia fechá-la ele pegava
seu chapéu e eu ansiosa o acompanhava...
Hoje,
as comidas que são desprezadas pela população, naquele tempo era manjar dos deuses, então ele ia até a padaria, pedia um refrigerante grande e um pão fatiado, um prato cheio de mortadelas rosadas e
redondas fatiadas bem fininhas,
cheio de
palitinhos espetados por todo prato...
Como
era bom se sentir protegida,
amparada por
um pai tão forte,
que hoje imagino eu,quanta coragem ele
dispendia para nunca reclamar de nada...
Ás
primeiras rimas,
aprendi com ele, o primeiro dia da escola, lá estava ele do meu lado, me passando segurança.
Talvez
tenhamos herdado dele algumas coisas, mas impossível resistir as intempéries da
vida com tanta fé,
como ele o
fez.
Ele
era temente a Deus,
mas não um Deus que fizesse tudo por ele, mas sim, um Deus que tinha todas as respostas,sem que
ele fizesse pergunta alguma.
Falar
de meu pai, para mim é tão simples e ao mesmo tempo
complexo,mas,em síntese,
ele deixou imenso vazio, e muita saudade...
Lembro-me
das risadas que ele dava quando achava alguma coisa engraçada, lembro também dos sorvetes e balas que ele nos comprava, dos doces em forma de velinhas coloridas ,e
em cada uma delas, um anel com uma pedra colorida,
e ele tinha o capricho de escolher um
de cada cor.
Agora,
quando chega
o dia dos pais,
talvez nem
tanto por isso,
mas tudo me remete a ele, de maneira mais acentuada e forte, então a saudade daquele senhor magrinho, faz um barulho imenso em meu coração.
Quantas
vezes, em pensamento, sento ao seu lado, e mediante interrogações tantas, só me
vêm as respostas mais sábias.
Muitas
vezes, me pergunto onde está a solução
para determinado problema, e um sentimento, ligado a ele me ocorre, a fé em
Deus e a Virgem Maria.
Assim
vejo a vida fluir prazerosamente, tanto minha ,quanto das pessoas que amo.
Meu
pai simplesmente foi o melhor livro que me abri para ler, pois em suas atitudes
encontrei e encontro inúmeras respostas para as mais divergentes situações.
O
verdadeiro pai jamais foi aquele que congratula só os bons momentos, mas sim,o
que está de nosso lado ajudando-nos a encontrarmos um caminho sempre.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha