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quinta-feira, 20 de abril de 2017

FRAGMENTO DO LIVRO_CENÁRIO


Fora finalzinho de setembro, e eu saíra pelas ruas, sem rumo naquele dia.
Eu precisara estar a sós comigo,mas apreciando o dia, sentindo o calor do sol, contracenando com os carros todos, se apertando numa avenida, com alguns de seus condutores muito irritados.
Uma aragem morna perpassara meu corpo e eu me sentira abraçada pela vida e no colo do dia.
Mesmo com todo esse aconchego,eu não conseguira me encaixar direito dentro de mim, faltara alguma coisa, que eu bem soubera o que era.
Portanto, em outros dias, ele parecera se confidenciar comigo em pensamento, mas ás vezes, ele desaparecia, e eu me sentira tão só e abandonada.
Eu pensara em voz alta:
- Sabrina, precisas de uma terapia, a Maria tem razão.
Por outro lado pensara que Maria me dissera aquilo por desencargo de consciência, quando ela fora somente coração e me conhecia como ninguém.
Será?
Em um momento pensara...
Nos dias em que Artur desaparecera,eu não estivera apagando ele de minha memória?
Sentei em um banco onde costumáramos sentar e coloquei meu óculos de lentes negras e chorei muito.
O tempo pudera fazer muitas coisas, porém isso não!
Eu me revoltara me perguntando porque insistira tanto...
A vida estivera encompridando minha existência, eram dias e mais dias...
Eu precisara ouvir sem querer asseverações estúpidas na rua, nos supermercados, quando em tempos passados, nem me dava conta de que tais asseverações existiam.
Porém, entendera que não estivera bem.
Meu neto Artur adotara uma menina e um menino de Moçambique o menino com oito anos, e a menina com dez
Eles estavam numa viagem, quando a surpresa surgira entre os dois.
visitaram uma casa de doação e se apaixonaram pelas crianças desde o primeiro momento.
A língua oficial de Moçambique sempre fora o português, mas falado principalmente como segunda língua por cerca de metade da população.
As crianças morando na Inglaterra aos poucos aprenderiam o inglês.
Fora uma excelente notícia para alegrar meu dia, minha filha Maria mandara a foto junto dos netos, que seriam meus bisnetos, nesse momento sentira a presença feliz de Artur.
Aquele povo sofrido, agora fizera parte, de maneira especial de minha família, as crianças eram lindas,portando peles negras e olhos grandes dentro de rostos meigos e inocentes.
Maria me ligara dizendo que eles perderam os pais quando a caminho do trabalho, vítimas de uma mina terrestre.
E que ainda estavam, aparentemente assustados e tristes também.
Meu neto Arturzinho e sua esposa Leda, sempre foram anjos comigo, em lisura e delicadeza, certamente dentre bem pouco tempo, as feridas abertas daquelas pobres crianças, seriam aos poucos abrandadas e também cicatrizadas.
Eles comunicaram a grande alegria de se sentirem os pais, que os geraram no coração.
Lembrara que Mia Couto, ganhara o Prêmio Camões, em dois mil e treze, sendo um dos importantes escritores da era contemporânea em Moçambique.
 Nascido em Beira, recebeu o Prêmio Literário Internacional Neustadt, em dois mil e catorze, ele fora um dos dois únicos escritores de língua portuguesa, a auferir a tal honraria.

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Izildinha