Os anos se passaram, e fomos ficando mais
unidos, porém Artur já apresentava alguma fragilidade, nitidamente percebida
quando levantara mais lentamente e quando se movimentara também.
Ás vezes o sentira mais cansado e
abatido, então deitava de seu lado e sentira seu coração juntinho do meu.
Quando pensara na finitude, também crera numa continuidade misteriosa que nos fora confiada através da fé.
Eu quisera estar sempre com Artur ,e para
sempre, estávamos bem velhinhos mas ainda fazíamos amor com muita intensidade,
andávamos de mãos dadas pelas tardes apreciando o movimento das estações.
Nossa São Paulo querida e Artur jamais
retornara a Inglaterra, ele me dissera que sentira saudade de algumas coisas de
lá.
Como por exemplo:
Londres sempre fora majestosa, elegante, interessante e continuamente generosa, agregando todos os povos sem que houvera altivez, apresentando toda a cultura e toda a experiência histórica.
Londres continuara mudando a vida de muitos imigrantes que
lá residem.
Uma cidade que por ensinar imensamente
acaba conquistando as pessoas de maneira única.
Tal cidade, jamais cativara alguém logo
no início, fora necessário
tempo para desvendar, sentir,
entender e amar a cidade.
Londres pode não ser como Roma, não possuir o romantismo de Paris, nem importância de Nova York, tampouco os encantos tropicais do Rio de
Janeiro.
Porém depois que conhecera bem, sentira
nela uma maturidade incrível.
Juntamente com a maturidade,
evidentemente, decorre um amor acolhedor e abrangente, sendo de intensidade
única no mundo.
Um
indefinível lugar, tão complicado, porém fantástico como a cidade de Londres.
Então Artur parara como de costume e
continuara contando:
Sinto uma
saudade imensa de Londres!
Até do vento cortante, quando eu saíra de
metrô.
O english breakfast, muito criticado ,mas eu jamais o achara
ruim.
Da pintura em tela , depois um dia
cansativo.
O verde especial apresentado pela grama
regada pela garoa.
Uma cidade simplesmente para quem ama a
rotina e a solidão.
Depois continuara Artur:.
Contudo através de tal introspectiva solidão londrina, tivera a
oportunidade de conhecer a pessoa mais importante de minha vida, que fora eu
mesmo.
Pois Londres me adequara, um
autoconhecimento.
E prossegue:
Sabrina, asseguro que Londres guardara um
pouco de mim, e eu também, como outras pessoas, que lá habitaram, trouxera um
fragmento londrino comigo.
Entendera então, que o acaso nos unira
com sentimentos similares.
Dissera Artur:
Quando chove, os dias frios, os ventos
gelados, sempre me transportaram para Londres,eu juntamente contigo e nossa
filha.
Passáramos nossa vida felizes contentes
aqui em São Paulo, porém sempre sentira uma vontade imensa, de andarmos de mãos
dadas, pelas ruas de Londres, vestindo aquelas roupas pesadas de frio, porém
aconchegantes.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha