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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

FRAGMENTO DO LIVRO_CENÁRIO


O tempo passara, escoando entre nós, que víramos nossas sementes abrolhando seus frutos também.
A nossa vida se resumira num encanto formado e unificado daquele domingo, que até então, tão igual a todos os outros, porém depois do amor, estes nunca mais foram os mesmos.
Artur me acordara mais cedo naquele sábado, e dissera que iria até o centro, e me convidara para ir também.
Ele nunca me convidara para nada, a não ser de antemão, naquele dia,eu me sentira cansada por nada, e dissera:
Meu amor, vá sozinho, mas que volte para o almoço que Arturzinho e a esposa vêm para almoçar.
 Eu vou fazer lasanha verdinha com agrião.
Soubera que eles adoravam!
Ele me beijou levemente o rosto, puxou a porta e saiu mansamente, eu ainda ouvira seus passos passando por trás da janela de meu quarto.
Nesse momento,eu sentira uma felicidade casual, me tocando o coração que chegara doer, um sentimento profundo de gratidão á vida, a qual eu abraçara durante uma eternidade com ele, nossos milênios deixaram nossos rastros mundo afora, mesmo que sempre fora no nosso quintal, nosso jardim, nossas flores.
Jamais sonháramos com drones nos trazendo encomendas, muito menos, almejáramos chegar a uma idade além dos limites da humanidade.
Já houvéramos tido nossa cota de felicidade, então nos bastara os momentos.
Então me perguntara:
Porque não fui com ele?
Deixara a preguiça me dominar, quando apenas os momentos do presentes teríamos e á medida que o tempo passara, estes seriam mais preciosos...
Certamente,eu pressentira algo mais.
Estava levantando quando o interfone tocou.
Eu pensara:
Nossa, deve ser tarde e eu dormi demais!
Levantara rapidamente pensando ser Arturzinho e Mariana a esposa, mas era um senhor dali do bairro, que há muito nosso conhecido.
Bom dia dona Sabrina!
 Dissera ele:
Respondi :
Bom dia Senhor Valdemar, entre tomar um café.
Ele estivera pálido trêmulo e dissera:
Grato dona Sabrina, deixemos para outra hora, mas vai precisar de coragem para o que tenho a lhe dizer.
Eu começara a chorar antes do tempo, pois soubera que acontecera alguma coisa com Artur.
Então perguntara:
O que aconteceu com ele senhor Valdemar?
Fora levado para o pronto socorro, sofrera um enfarto fulminante.
Sentira naquela momento, todas as minhas alegrias virando nuvem de fumaça, uma dor no peito sentindo o coração partindo em dois.
A palavra fulminante me dera o ultimato, reprisara seus passos passando por trás de meu quarto, seu beijo de leve, seu ar de anjo sumindo entre caminhos, que ainda não houvéramos percorrido.
A finitude me fizera ver depois o quanto Artur fora maravilhoso, quantas palavras eu deixara de falar, quantas eu não devera ter dito.
A ausência de Artur fizera eu revisar nossa história todos os momentos,me sanara todas as vontades, e um silêncio gritante fizera parte de minha vida desde então.
E egoisticamente me perguntando:
Porque a vida não me poupara, deixando eu ir primeiro?

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha