O tempo passara, escoando entre nós, que
víramos nossas sementes abrolhando seus frutos também.
A nossa vida se resumira num encanto
formado e unificado daquele domingo, que até então, tão igual a todos os
outros, porém depois do amor, estes nunca mais foram os mesmos.
Artur me acordara mais cedo naquele
sábado, e dissera que iria até o centro, e me convidara para ir também.
Ele nunca me convidara para nada, a não
ser de antemão, naquele dia,eu me sentira cansada por nada, e dissera:
Meu amor, vá sozinho, mas que volte para
o almoço que Arturzinho e a esposa vêm para almoçar.
Eu
vou fazer lasanha verdinha com agrião.
Soubera que eles adoravam!
Ele me beijou levemente o rosto, puxou a
porta e saiu mansamente, eu ainda ouvira seus passos passando por trás da
janela de meu quarto.
Nesse momento,eu sentira uma felicidade
casual, me tocando o coração que chegara doer, um sentimento profundo de
gratidão á vida, a qual eu abraçara durante uma eternidade com ele, nossos
milênios deixaram nossos rastros mundo afora, mesmo que sempre fora no nosso
quintal, nosso jardim, nossas flores.
Jamais sonháramos com drones nos trazendo
encomendas, muito menos, almejáramos chegar a uma idade além dos limites da
humanidade.
Já houvéramos tido nossa cota de
felicidade, então nos bastara os momentos.
Então me perguntara:
Porque não fui com ele?
Deixara a preguiça me dominar, quando
apenas os momentos do presentes teríamos e á medida que o tempo passara, estes
seriam mais preciosos...
Certamente,eu pressentira algo mais.
Estava levantando quando o interfone
tocou.
Eu pensara:
Nossa, deve ser tarde e eu dormi demais!
Levantara rapidamente pensando ser
Arturzinho e Mariana a esposa, mas era um senhor dali do bairro, que há muito
nosso conhecido.
Bom dia dona Sabrina!
Dissera ele:
Respondi :
Bom dia Senhor Valdemar, entre tomar um
café.
Ele estivera pálido trêmulo e dissera:
Grato dona Sabrina, deixemos para outra
hora, mas vai precisar de coragem para o que tenho a lhe dizer.
Eu começara a chorar antes do tempo, pois
soubera que acontecera alguma coisa com Artur.
Então perguntara:
O que aconteceu com ele senhor Valdemar?
Fora levado para o pronto socorro,
sofrera um enfarto fulminante.
Sentira naquela momento, todas as minhas
alegrias virando nuvem de fumaça, uma dor no peito sentindo o coração partindo
em dois.
A palavra fulminante me dera o ultimato,
reprisara seus passos passando por trás de meu quarto, seu beijo de leve, seu
ar de anjo sumindo entre caminhos, que ainda não houvéramos percorrido.
A finitude me fizera ver depois o quanto
Artur fora maravilhoso, quantas palavras eu deixara de falar, quantas eu não
devera ter dito.
A ausência de Artur fizera eu revisar
nossa história todos os momentos,me sanara todas as vontades, e um silêncio
gritante fizera parte de minha vida desde então.
E egoisticamente me perguntando:
Porque a vida não me poupara, deixando eu ir primeiro?
Porque a vida não me poupara, deixando eu ir primeiro?
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha