Enquanto o tempo transcorrera, meu
coração parecera abster-se de amar alguém,portanto,talvez por isso,eu sempre
escolhera o impossível.
Tivera o hábito de me manter fechada em
meu mundo, porém exímia observadora, por isso, guardara comigo,não sei, se
muitas coisas guardadas, seriam como arquivos desnecessários na memória de um
computador, porém impossibilitados de serem liberados.
São esses arquivos desnecessários que
geram a tristeza, o medo contudo, grandes sofrimentos.
Entendera o ser humano como um universo a
ser desvendado por si mesmo, acreditara que quanto mais nos conhecêramos,
melhor entenderíamos o mundo ao nosso redor.
Porém, parece que eu fora embalada e
colocada numa prateleira para ser exatamente uma outra qualquer.
Estudamos enfileirados e somos avaliados
igualmente de acordo com o nosso progresso individual.
No entanto, cada um carrega consigo, o
peso das diferenças, que por causar espanto, chega até virar movimento
literário ou coisa assim.
Vão nos misturando numa massa heterogênea,
que precisa ser espremida para tomar a mesma conformidade, dentro de uma
sociedade capitalista e de abastado poder aquisitivo.
Porém, os excedentes dessa massa são
lançados á margem que carrega em si o peso de um nome esdrúxulo,pois assim a
culpabilidade é eximida de maneira impensável e indiferente também.
Desde os primórdios das civilizações fora
necessário a escravatura para que houvesse o ócio inútil, revestido de valores
impecáveis, porém vazios, pelo resto da população.
Desde muito cedo percebera as diferenças,
que me arremessaram por lugares e caminhos que eu não escolhera, mas sim, que a
vida assim quisera.
Fora uma árdua luta os enfrentamentos de
embates perniciosos á saúde física e mental, que tivera que encarar.
Quando as consequências começaram surgir,
junto delas, o sentimento de culpa, aquela necessidade em fazer mais e mais
para poder aparar arestas, que cresciam consequentemente juntamente com os
dias.
Entendera também, que as pessoas as vezes
agem de maneira inconsciente, onde a falta de esclarecimento encontra uma
barreira intransponível, quando dificilmente atravessaria o outro lado da
ponte, onde se pudesse constatar o brilho do sol nascente, e o brilho poente
também, porém grandes sombras barraram tais visões.
É necessário que se indulte sem que haja
rogativa, pois compete a quem se encontra sob a luz explicar uma minuta quando
esta, tornada invisível na escuridão.
E fora no meio de toda essa desordem, que
eu conhecera Rosendo, um nome estrangeiro aos meus ouvidos, sendo que até hoje, bem poucas pessoas eu conhecera com esse nome.
Contudo, de imediato, a estranheza do
nome fora trocada pela simpatia de tal designação, talvez fora o jeito de como me
olhara, ou aquelas gentilezas naturais que eu percebera nitidamente quando se
identificara de maneira exata e simples, para que em mim, jamais houvesse
dúvidas.
Quando eu fora falar sobre mim ele
replicara:
Sabrina, moras na rua Carlos Lacerda, mil
e duzentos e estuda no colégio Francisco Delgado á noite e de dia trabalha na
padaria Doce Pão como balconista.
Eu ficara tímida e recuada e perguntara:
Como sabes?
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha