Naquele domingo almoçamos com
nossas netas no restaurante logo abaixo as salas de exposições, eram pratos
rápidos e deliciosos, todos feitos no micro-ondas.
Depois tomamos sorvete e um
cafezinho maravilhoso para finalizar.
Manuela e Jaqueline estudavam
atentamente cada quadro ou escultura de Salvador Dalí, e o tempo todo
conversaram sobre.
Falavam sobre uma pintura que representara Jesus
Cristo na cruz,
mas flutuando
num céu escuro sobre um lago com um barco e pescadores.
E alguns
críticos distinguem
como
sendo uma reprodução de Porto Ligat (Cadaqués,
Espanha), onde o pintor tinha a sua casa.
Ainda que seja uma
representação da crucificação, é desprovido de pregos, sangue e da coroa de
espinhos, porque, de acordo com Dalí, segundo um sonho que teve, essas
características não fariam a sua ideia de Cristo.
A importância de representar Cristo
num ângulo extremo também lhe foi revelada num sonho.
Olhando minhas netas conversando em
minha frente, por um instante eu voltara no passado me imaginando com a idade
delas.
Lembrara das noites escuras, dos
ventos noturnos que me apavoravam sem que houvesse motivo algum.
Ouvira tarde da noite o barulho do
trem, é imaginara que meu grande amor, jamais habitara aquela cidadela.
Fábio houvera me resgatado de uma
solidão extremada, onde eu não encontrava motivos nem no céu estrelado, na lua,
enfim em todos os elementos que me provocavam tanto encanto.
Ao saber que Hugo não houvera
falecido, sentira meu coração aliviado, sem aquela dor constante que parecera
me estourar o peito.
Nunca fora perfeita, porém aceitara
a minha finitude, sem qualquer medo ou coisa assim.
Porém, vivenciar a perda de alguém,
para mim sempre fora inviável.
Olhando minhas netas felizes junto
de Fábio, imaginara como a vida é engraçada.
Formávamos uma família meio fora de
padrão, porém entre nós a verdade viera permanecer, portanto vencêramos todos
os obstáculos.
Eu ficara imaginando, que existem
pessoas que acabam se acostumando com a mentira, pois que na verdade estes são
a própria mentira.
Vão criando seus mundos imaginários
e fictícios no meio de uma multidão, certos de que todos acreditam, quando na
verdade, os únicos a acreditarem são eles mesmos.
Agora estávamos com um problema e
tanto com a tal de Sônia, que na verdade, talvez nem fosse esse seu nome.
Uma criatura estranha, agressiva,
que certamente Fábio não fora o primeiro a ser atacado por ela.
Na infelicidade dessas pessoas,
mora o contratempo.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha