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sábado, 3 de outubro de 2015

FRAGMENTOS DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS


Hugo era calmo, inteligentíssimo e bem humorado e por mais que eu sofrera com o nosso corte afetivo brusco e estúpido, não conseguira guardar raiva dele.
O tempo fora passando, e eu conhecera seus filhos  Maria e João, ele gostava de coisas simples, embora fosse de um gosto requintadíssimo.
Nunca me apresentara os filhos que moravam com a ex, a qual eu nunca conhecera também, enfim conhecera sua família por fotos, pelas ligações que faziam para seu celular quando estávamos perto.
Ele dizia que os filhos eram sua vida, e que juntarmos duas famílias seria motivo de arruinarmos nosso relacionamento.
Assim o tempo fora passando, e Fernanda o amava como pai, mas ele preferira que ela o chamasse de Hugo.
Ela fora acostumando e o chamara de Hugo, assim como seus filhos também o chamavam, nunca procurara saber o motivo dessa particularidade.
Eu amava aquele homem e tudo que ele decidira eu aceitara, houveram épocas que ele ficara na casa da ex,sempre alegando ter que ajudar um filho ou outro e eu nunca questionara a respeito, achara normal isso tudo.
Eu trocara alguns e-mails com ela, mas percebera que ela mantivera uma certa distância, então eu procurara nunca mais importuná-la com minha amizade, pois sentira nitidamente que ela era apaixonadíssima por ele ainda.
Logo no começo de nossa relação, fizera algo que hoje nem sei se faria ,eu lera os e-mails que ela enviara a ele todos os dias, pedindo para que ele voltasse para ela e os filhos.
Ele nunca tocara no assunto.
O tempo fora passando, e mesmo com a nossa relação estável, ele fora aos poucos saindo de minha casa.
Ás vezes dizia que viajava por causa da firma, noutras vezes por causa de loteamentos ou vendas na praia, ou em outras cidades perto de São Paulo.
Quando percebêramos, éramos apenas um relacionamento, mas não morávamos juntos, e quando eu tocara no assunto, ele sempre me dissera que era melhor assim, os filhos haviam se formado e que eles precisavam sempre da presença dele para resolverem seus problemas.
Aos poucos ele voltara a morar numa mansão que houvera feito quando ainda estivera com a ex,dizendo para mim, que a presença dele era importante para todos lá.
Ele ia á minha casa uma vez por semana, e minha filha houvera se acostumado e fora crescendo com essa ideia de que o Hugo não era o pai dela, mesmo assim, ela o amava muito como fosse.
Eu assumira minha casa sozinha novamente e acostumara com essa ideia também.
Mesmo assim, Hugo nunca deixara de me visitar,eu o amava então passara a não ligar para o jeito que ele encontrara para nos relacionarmos.
Nos finais de semana,eu sempre passara sozinha, nem pelo whatsap,ás vezes, ele falara comigo,e toda vez que eu reclamara,eu me estressava e ele não dava notícias e ficava mais de quinze dias sem dar sinal de vida,eu ficara tentando ligar e ele não atendia.
Muitas e muitas vezes, eu literalmente ,me decidira em terminar com tudo, mas quando tudo entrava numa sintonia comigo,ele voltava e alegara sempre uma desculpa.

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Izildinha