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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS


Relato de Rita ao Fabio

Quando minha filha Fernanda tinha seis meses de idade, meu marido Pedro fora embora de casa, ele era oriundo do nordeste, ficara sem emprego e desesperado, depois de tanto procurar, deixara um bilhete, sobre a mesa da cozinha, escrito com letra trêmula.
Rita e Fernanda, me perdoem, eu amo vocês ,mas não tenho condições de dar uma vida digna a nenhuma das duas, por isso estou me retirando.
Nunca mais me procurem.
Eu lecionara e houvera passado na creche para pegar Fernanda, e ao empurrar a porta, vira tudo apagado, e quando ascendera a luz estava o bilhete sobre a mesa.
Eu conhecera Pedro numa quermesse de meu bairro, ele era desenhista industrial.
Pedro como desenhista industrial poderia trabalhar em qualquer local onde fora necessário desenvolver produtos.
 Ou seja, Pedro poderia trabalhar praticamente em qualquer lugar. Seja na indústria ou em empresas do ramo de serviços.
Ele como desenhista industrial pudera desenvolver programas de design, administrar departamentos de design em empresas.
Também criar logotipos, marcas, embalagens, anúncios, vinhetas e todo tipo de material publicitário, além é claro de desenvolver produtos desde o projeto até a escolha dos materiais.
 Outro campo onde  ele como o designer industrial pudera atuar, seria na criação de websites.
Porém, desde o terceiro mês de minha gravidez até os seis meses da Fernanda, estivera desempregado, abatido e desanimado.
Ele sempre tivera um agravante, pouco falara sobre a família.
Então eu pensara que se tratava de um momento de desespero, porém o tempo fora passando e nunca mais tive notícias.
Um dia, no meio de buscas e mais buscas, Fernanda ia fazer um aninho e eu conhecera Hugo na imobiliária, quando fora pagar meu aluguel .
Ele me dissera ser o irmão do proprietário, e  eu conversara com ele bastante naquele dia, falara do desaparecimento de Pedro e ele parecera ficar muito preocupado comigo.
Eu estava com Fernanda no colo e ele se oferecera para me levar para casa ,era final de tarde, e já ia fechar o escritório.
Pois bem conversando ele me dissera se encantar comigo,também me dissera estar sozinho precisando de uma garota e um bebê para alegrar-lhe a vida.
Eu rira bastante, porém quando mal percebera, estivera totalmente envolvida com ele.
Ele passara a frequentar minha casa, ajudar-me em pequenos afazeres e dentro de poucos dias, estivera morando comigo.
Ele era bem clarinho, tinha os olhos azuis claros e uma expressão maravilhosa.
Como nunca fora casada com Pedro, ele me dissera que talvez um dia pudéssemos regularizarmos nossa situação.
Ele continuara na imobiliária e eu dando aulas e passáramos a viver uma vida tranquila e feliz.
Financeiramente as coisas melhoraram porque eu dividira o aluguel com ele, que fizera questão que assim  fosse.
Fernanda o tinha como pai, pois ele era encantador, e um contador de histórias para crianças incrível.

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Izildinha