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quarta-feira, 22 de julho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Em memória de Celina elevara sempre minhas orações, também pedindo a Deus, que tocasse o coração de Eduardo um dia.
E que ele fosse um bom pai para Josué...
Nem afirmando, e nem contradizendo, continuara minha vida, do jeito, em que ela se apresentara a mim.
Um dia Michel, depois de sete meses de luta contra um câncer se fora...
Meu coração partido pela metade, se escondera dentro de meu peito,encolhido e totalmente dolorido.
Quanta saudade estivera Michel deixando comigo,pois ainda duvidara, se conseguira suportar, por muito tempo.
As noites para mim, eram recolhidas também em silêncio, procurara ficar embernada ,dentro de minha saudade, deixando a dor que me devorava, ficar á vontade.
Eu jamais conseguira estancá-la, ou reprimi-la, apenas querendo uma resposta, porque logo se vão os bons?
Por outro lado pensara, que os bons, por mais que vivam, sempre viverão pouco , enquanto saudade que deixam.
Dormindo sonhara sempre com Michel de mãos dadas comigo,conduzindo-me por um caminho claro e encantador, como justamente fizera ,enquanto vivemos juntos.
Talvez sua missão estivera terminada, sendo que meu coração, por mais preparado que estivesse, jamais aceitara a falta de Michel nos meus dias, nas minhas horas, nas minhas conversas.
A minha cozinha ficara silenciosa, e dera adeus aos pratos maravilhosos trazidos da França para todos nós.
Depois que ele se fora, mesmo tudo ter saído da melhor maneira entre nós,eu sempre cobrara que pudera ter feito muito mais.
O nosso neto com dezesseis anos, ficara triste, sem a presença do avô, e nossa neta filha de Mariana com oito anos também.
Houvera começado o inverno, e eu me sentira fraca e abatida, porém ainda conduzia minha vida com uma certa determinação.
Os meus filhos e netos ,todos reflorescendo como jardins de primavera...
Também o filho de Eduardo e Rita era uma criança de dez anos já, prestes a entrar na adolescência, feliz e muito amada.
Sentira eu,que a vida houvera mudado seu curso ,e um certo esquecimento, chamado esperança havia perpassado na memória de todos.
Eu entendera o quanto o amor é generoso, e também de onde este advém.
 Quando em nossas orações rotineiras, com nossas mãos oramos, tudo se modifica, se reveste do novo.
Uma noite sonhara, que estava andando por um caminho, novamente com Michel ,e ele me dissera, que Celina houvera reencarnado no filho de Eduardo e Rita.
Eu nunca consegui crer veemente na reencarnação.
Porém ás vezes, ficara pensando em Jesus Cristo, que foi o filho de Deus reencarnado, e uma resposta mais plausível me vem á consciência.
Sendo Ele divino, tomara uma forma humana, para entre nós permanecer, para nos libertar de nossas aniquilações.
O fato de Celina reencarnar no filho de Eduardo e Rita, jamais afirmaria eu como verídico, mas fora Michel em sonho, que me dissera.
Então pedira perdão a Deus por considerar Celina uma narcisista, pois se este fato se concretizara, estivera Josué para dar uma continuidade mais feliz á vida de uma mulher que depois de tanto sofrer, fora ceifada abruptamente.
Eu procurara sempre visitar Rita, Eduardo já com uma certa idade, parecera sempre indiferente á minha presença na casa deles em Botucatu.

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Izildinha