Eu
entendera porque Michel fora tão fechado quanto a sua vida particular, dissera
ter sido adotado por um casal de idosos, depois de grande, mas pouco falara
deles, dizendo que haviam falecido.
Eu
lera todo o livro, era uma história emocionante e contagiante, e que no final
da história revelara uma grande surpresa, ele era filho de um turista
brasileiro que engravidara uma das camareiras chamada Brigite, funcionária
desse hotel.
Seus
pai verdadeiro se chamava Hugo Rondon, casado com dona Elvira, e era de
Botucatu, estado de São Paulo, ele fora á França para viagens de negócios e se
envolvera com uma camareira que já tivera outros filhos de turistas.
Quem
fora buscar a criança, fora um casal de Botucatu, que ficara esperando esta ser
entregue no aeroporto, entrara no meio de bagageiros sem ser percebida.
Então
Michel era irmão de Eduardo e meu cunhado, ele sempre soubera disso, mas
guardara segredo.
Eu
conversara com Levi que fizera a correção e resolvera publicar o livro.
Eu
ficara imaginando como uma pessoa tão doce como o Michel, ser irmão de um ser
tão cruel.
Pelo
que entendera, Michel ficara perambulando aos poucos durante sua adolescência,
voltara a Rocamadour enquanto estudara trabalhando no mesmo hotel onde fora
encontrado, mas não permanecera lá, assim que se formara viera ao Brasil e
tornara-se professor de filosofia visto que estudara teologia também na França.
Esse
homem fora para mim, tão misterioso quanto encantador, e realmente fora ele
quem dera a “última palavra “ a Eduardo e a todos nós, deixando-nos um legado
de vida extremamente benevolente e fascinante.
Até
os sete anos de idade morara num orfanato, depois fora adotado por um casal de
idosos, senhor Leonel Ferraz e dona Idalina Vasconcelos Ferraz, com os quais
vivera mais dez anos em perfeita harmonia com eles, depois eles faleceram e
Michel voltara á França para estudar.
O
filho de Eduardo era um adolescente
boníssimo, estava terminando o Ensino Médio e cursaria Artes.
Rita
houvera reclamado sobre as atitudes de Eduardo em relação a ela, e o filho
também, mas ela fora a advogada que o tirara da cadeia ,quando não houvera
provas de um crime, que obviamente ele havia premeditado muito bem.
Rita
conversara com outros psiquiatras forenses, que também avaliaram o caso na
época, mesmo assim, tão envolvida estivera, que mergulhara de olhos fechados.
E a
última palavra sempre fora a de Eduardo, que agora mantinha outra vítima como
seu subsídio.
Eu
ficara imaginando que talvez houvessem soluções para esse tipo de abuso, ao
qual ainda a Ciência bem pouco se aprofundara no assunto, quando uma médica
desconhecendo fatos, simplesmente, se deixara levar pela sedução narcísica,
desconsiderando toda uma história, desacreditando das pessoas, que até então,
foram vítimas desses abusos.
Resolvera
investir em suas mentiras, constituir uma vida ao lado dela, e quando o fato
fora esquecido, ele volta com a última palavra, onde numa manhã de domingo a
televisão noticiara que uma médica se atirara do quinto andar de um prédio em
Botucatu.
E
mais um adolescente traumatizado, agora sem a presença de Michel,eu houvera
doado o quarto que fora de Levi, depois de Mariana que agora casada, então
passara a pertencer ao doce Josué, que traumatizado estivera sob tratamento.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha