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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Chegando a São Paulo, pegara meus pertences pessoais, meu cachorro que houvera ficado na casa de uma amiga minha, e voltara para república  e reatara o contrato novamente.
Voltara para o mesmo quarto, pois minha vaga ainda não fora preenchida, estava triste desolada e perdera totalmente a capacidade de acreditar nas pessoas.
No outro dia fora ao médico que me prescrevera as receitas e como era final de ano ele devia viajar, então me passara receita para dois meses.
Eu chegara em casa do médico completamente desolada, empurrara o portão da frente, que sempre fazia um barulhão, embora fosse um portão, tipo folha de porte médio, meu cachorro Kalu, que levara comigo a república,viera batendo o rabo feliz,porém,eu estava aquém de tudo naquele momento, e sentindo como um estorvo, uma folha ressequida vagando pela calçada sem rumo.
Era uma segunda feira, e eu focada que Sílvio, o amor de minha vida, também estivera me traindo, uma outra garota além de mim, uma filha de seis anos, não tinha nem um ano de nosso início, quando ainda sentira esperanças ventilarem no ar.
A vida com meus familiares sempre fora muito conturbada, embora achara, que nos amássemos, porém nunca chegáramos a verdadeira compreensão, que nos levara ao respeito.
Rechaçara as brincadeiras de Kalu, tomara um banho rapidamente, porque estava com muito calor, lembrara de meus remédios controlados, fui até a gaveta de minha penteadeira e peguei quarenta comprimidos, coloquei todos na boca e engoli com um copo de água, sentei num canto do quarto debulhada em prantos.
Eu soubera que seria julgada, que todos pensariam, que seria a coisa mais estúpida, que uma pessoa pudera praticar, e também sabia o quanto poderia ferir a minha consciência com Deus.
Mas,  eu estava em total desespero , não só pelo abandono de Sílvio, mas por todos os abandonos a que eu fora sujeitada, então me ocorrera, que essa atitude seria uma maneira de aliviar meus familiares, aliviar meus sofrimentos, embora tivera consciência, que estaria sendo levada para o desconhecido.
Tinha fé, fora uma pessoa sempre do bem,procurando nunca fazer mal a ninguém, precisara contar com o perdão de Deus.
Aos poucos tudo fora sumindo, e um sono profundo deve ter me abatido, era meio dia. quando isso acontecera.
E eu só acordara ás dezoito horas, mais ou menos, me sentindo leve aliviada, porém olhara para o canto de meu quarto e vira meu corpo caído
Estranho era,eu vira meu corpo largado no chão, enquanto caminhara pelo quarto, em um outro corpo igual, com uma capacidade de ler o pensamento das pessoas.
Sentira, que uma pessoa conhecida, Leo estivera atravessando a calçada da república, com vontade de falar comigo, fora até perto dele e incutira em seu pensamento, para que me chamasse no portão, ele oscilara em atender esse pressentimento, mas acabou chamando por mim .
E minha colega que estava de recuperação na faculdade, morando no  quarto do lado, viera atendê-lo, dizendo que não ia me chamar, porque eu dormira a tarde toda.
Depois de tanto ele insistir, ela resolveu ir me chamar, e foi até o quarto.
Quando ela empurrou a porta, deparou com meu corpo largado e os vidros de remédios do lado, começara a gritar por todos.
Eu me acompanhara o tempo todo, e a vi desesperada pedindo ajuda e vieram pessoas da vizinhança, e vestiram com uma blusa verde e um short jeans ,enquanto eu,vestida de branco, acompanhava todo desenrolar do fato.
Um vizinho veio e junto com meu antigo namorado Leo,coloram meu corpo numa camioneta com cabine, enquanto os dois iam á frente, minha colega, sentou atrás com meu corpo caído em seu colo.
Eu vendo tudo nitidamente, me sentia flutuando, mas dentro do veículo também.
Ouvira o pensamento das pessoas, de minha mãe que fora ao hospital, e o que elas pensavam, fora me deixando triste e com remorso, mas como estava tudo feito,eu esperava o desenrolar dos fatos, para definitivamente dormir para sempre.
Não demorara muito tempo, o trajeto de minha casa para o hospital, minha mãe também chegar quase junto, e eu me vira quase sem sinais vitais, quando me colocaram na maca e levaram-me para uma sala de atendimentos emergenciais.
Um médico me examinou, e ali estava cheio de pessoas...
E eu ouvira os pensamentos em julgamentos das pessoas, como ruídos aterrorizadores, estava me sentindo mal, porém não saíra de perto de meu corpo, foi quando o médico disse, que eu estava quase sem sinais vitais, e que iria me entubar.
Na hora da entubação,me senti sendo puxada devagar e levada por um corredor vaporoso bastante escuro, com algumas estrelas apenas.
Ainda me sentindo um pouco constrangida, sentira que um silêncio apassivador houvera tomado conta do lugar, já não ouvira mais o pensamento das pessoas.
A escuridão, não me apavorara, mas logo adiante eu vejo um pequeno facho de luz,eu sabia, tinha certeza, tratar-se de um “Ser Maior”.
Também não vira necessidade de explicar nada, apenas tinha consciência de que Ele sabia tudo sobre minha vida...
Nesse momento me senti aconchegada,recebida,validada como nunca, talvez em toda minha existência, percebi que aquele era o lugar, onde eu queria ficar doravante, embora sentira, que transgredira com minha atitude, pois eu havia transgredido as regras da existência, quando a nossa vida, só compete a Ele, dar ou tirá-la, então naquele silêncio, eu me preparara para ouvir o que aquele Ser tão amoroso teria para me dizer.
Embora estivesse sentindo remorso, ante um ser maravilhoso, por ter atentado contra a própria vida, sentira um amor tão envolvente, como nunca sentira na vida.
Sentira, minha consciência sedenta deste amor, e minha vontade era permanecer ali para sempre.
Faltaram sempre palavras para enfatizar aquele momento, pois jamais vivenciara um encanto quão divinal.
Nesse momento sentira a presença divina me tocando com um amor inenarrável.
Sentira-me flutuar como se fosse uma brisa leve e fresca e mediante o encanto que me tocara, ouvira uma linda canção sendo executada bem perto de onde eu estivera.
Eu jamais pudera chamar tamanha beleza de morte, porém a minha consciência, unida a um infinito consciente, falara sem que houvesse articulação de palavras.
Uma voz encantadora, porém forte como voz de trovão,me falara á consciência.
Sentira que Ele me amava, e que esse amor era tão extremo, que eu sentira vontade de permanecer para sempre naquele lugar.
A voz de trovão, mas cheia de amor, dissera que eu transgredira a Sua vontade, pois então eu devera voltar.
Sentira nesse momento, um perfume conhecido, as margaridas de Rafaela, e vendo num ângulo de trezentos e oitenta graus, vira Rafaela de meu lado em pensamento me dizendo que tudo iria ficar bem comigo, me levando de volta ao corpo.