Para
poder conviver em paz, com Eduardo, sem suas crises de ciúme, sentira que precisara me afastar um pouco de meu
mundo.
Mesmo porque nossa consciência é alguma
coisa pontiaguda, que de vez em quando nos cutuca.
Nos
cutuca, não por aquilo que fazemos de livre e espontânea vontade, mas sim,
porque nos colocamos em segundo plano.
E
assim, obedecemos a voz da culpa, porque nunca aprendemos, a dizer não na vida.
E mesmo quando achamos, que
estamos preparados, de repente nos deprimimos conosco, porque deixamos o amor
próprio de lado para satisfazer terceiros ,que ás vezes não se
preocupam nem um pouco conosco.
Em
todo esse tempo de convivência com Eduardo, fui percebendo, que estava deixando
para trás, um lado meu muito importante.
Eu
precisava passar os domingos ao lado dele e Dunga
meu cachorro, para evitar uma briga, um aborrecimento.
Porém, isso
também estava me aborrecendo como pessoa, quando me procurava dentro de
mim,tentando me encontrar, parece que tudo ia se resumindo em bem pouca coisa.
Eduardo
era exclusivista, dizia que me adorava muito.
Porém,
minhas amizades minguaram todas, só restaram as dele, mas ele era envolvente, e
eu me sentira invalidada
mediante os convívios a que fora me adaptando.
Passara
a ficar indiferente mediante as atitudes de Eduardo, depois de um certo tempo,
vira nele minha única saída, e fora criando uma certa dependência que me
castrava ao mesmo tempo que sufocava.
Jamais
pensara em discutir nossa relação, toda vez que fizera isso ele se mostrara
irritado e impaciente,eu só vira um caminho e por ele caminhara de olhos
vendados ,entregando-me á necessidade de estar amparada por alguém a quem eu
devera obediência e respeito, sem jamais avaliar se essa era a maneira pela
qual, ele me tratara.
Eu
continuava me anulando,
quase propositalmente, e elevando aquela pessoa, que
se dizia ser meu grande amor.
Começara
a sentir, tudo
tão estranho e vazio,
mas mesmo assim, não me dei importância.
Meus
pais o adoravam ,e recriminavam minhas roupas, muitas vezes, pois sabiam, que
ele poderia não gostar,
então literalmente, eu me vira cerceada por um mundo castrador.
E eu tentava sempre agradar aos dois lados, sem ao menos me perguntar se eu
estava feliz, se eu estivera me agradando.
Mesmo
porque, felicidade para mim, fora encontrar alguém que me amasse e me
fizesse sentir desejada, quando na verdade em frente ao
espelho, me vira feia e desinteressante.
Então
o ciúme já era o suficiente.
Havia dado uma trégua entre nós, mas, agora ele voltara com força total, e por qualquer motivo se aborrecia
profundamente ,porém no mesmo momento, se encontrasse outra pessoa, mudara para um comportamento cavalheiro e amistoso.
Eu já
continuara triste e mexida o resto do dia...
Sempre
ensaiava desistir de tudo aquilo, porém nunca
conseguira, sendo ele a verdadeira paixão de minha família, eles jamais me
perdoariam.
Então,
o tempo fora passando, e fomos nos adequando um ao outro.
Eu
comecei a sentir crises de fobias e muita insegurança
em tudo, também
para dirigir.
Então, literalmente deixei de dirigir e
também de sair de casa sozinha, a não ser ir ao trabalho e voltar.
Depois
me trancara em meu quarto, de qualquer modo me sentindo vigiada e também
protegida por um homem mal humorado, mas que me amava muito, por isso sentira
ciúme de tudo em mim, minhas amizades finaram também.