Marcadores

terça-feira, 16 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Para poder conviver em paz, com Eduardo, sem suas crises de ciúme, sentira  que precisara me afastar um pouco de meu mundo.
Mesmo porque nossa consciência é alguma coisa pontiaguda, que de vez em quando nos cutuca.
Nos cutuca, não por aquilo que fazemos de livre e espontânea vontade, mas sim, porque nos colocamos em segundo plano.
E assim, obedecemos a voz da culpa, porque nunca aprendemos, a dizer não na vida.
E mesmo quando achamos, que estamos preparados, de repente nos deprimimos conosco, porque deixamos o amor próprio de lado para satisfazer terceiros ,que ás vezes não se preocupam nem um pouco conosco.
Em todo esse tempo de convivência com Eduardo, fui percebendo, que estava deixando para trás, um lado meu muito importante.
Eu precisava passar os domingos ao lado dele e Dunga meu cachorro, para evitar uma briga, um aborrecimento.
 Porém, isso também estava me aborrecendo como pessoa, quando me procurava dentro de mim,tentando me encontrar, parece que tudo ia se resumindo em bem pouca coisa.
Eduardo era exclusivista, dizia que me adorava muito.
Porém, minhas amizades minguaram todas, só restaram as dele, mas ele era envolvente, e eu me sentira invalidada mediante os convívios a que fora me adaptando.
Passara a ficar indiferente mediante as atitudes de Eduardo, depois de um certo tempo, vira nele minha única saída, e fora criando uma certa dependência que me castrava ao mesmo tempo que sufocava.
Jamais pensara em discutir nossa relação, toda vez que fizera isso ele se mostrara irritado e impaciente,eu só vira um caminho e por ele caminhara de olhos vendados ,entregando-me á necessidade de estar amparada por alguém a quem eu devera obediência e respeito, sem jamais avaliar se essa era a maneira pela qual, ele me tratara.
Eu continuava me anulando, quase propositalmente, e elevando aquela pessoa, que se dizia ser meu grande amor.
Começara a sentir, tudo tão estranho e vazio, mas mesmo assim, não me dei importância.
Meus pais o adoravam ,e recriminavam minhas roupas, muitas vezes, pois sabiam, que ele poderia não gostar, então literalmente, eu me vira cerceada por um mundo castrador.
E eu tentava sempre agradar aos  dois lados, sem ao menos me perguntar se eu estava feliz, se eu estivera me agradando.
Mesmo porque, felicidade para mim, fora encontrar alguém que me amasse e me fizesse  sentir desejada, quando na verdade em frente ao espelho, me vira feia e desinteressante.
Então o ciúme já era o suficiente.
 Havia dado uma trégua entre nós, mas, agora ele voltara com força total, e por qualquer motivo se aborrecia profundamente ,porém no mesmo momento, se encontrasse outra pessoa, mudara para um comportamento  cavalheiro e amistoso.
Eu já continuara triste e mexida o resto do dia...
Sempre ensaiava  desistir de tudo aquilo, porém nunca conseguira, sendo ele a verdadeira paixão de minha família, eles jamais me perdoariam.
Então, o tempo fora passando, e fomos nos adequando um ao outro.
Eu comecei a sentir crises de fobias e muita insegurança em tudo, também para dirigir.
 Então, literalmente deixei de dirigir e também de sair de casa sozinha, a não ser ir ao trabalho e voltar.
Depois me trancara em meu quarto, de qualquer modo me sentindo vigiada e também protegida por um homem mal humorado, mas que me amava muito, por isso sentira ciúme de tudo em mim, minhas amizades finaram também.