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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Evitara ao máximo, doravante  ser uma pessoa chata e triste, tentando resgatar minhas amizades, e deixara para sempre, mediante outras pessoas, uma aparência, que não era a minha.
Com isso, fora  me achegando a tudo, e a todos, abrindo meu mundo fechado, pequeno e sufocante, onde respirar a minha liberdade, fora o grito mais forte emitido pela minha consciência,.
 Fora trabalhando dentro de mim o misto de culpa e revolta, começara me reciclar e avaliar e logo percebera, que seria um trabalho dispendioso, mas impreterivelmente, o necessário.
Começara a fazer uma desconstrução dentro de mim, para me reconstruir de novo, pois não soubera, até onde eu era culpada ou vítima, daquela situação, apenas sentira vergonha de mim mesma, sem saber como agir, pois o tempo inteiro eu vivera de reações, não conseguira mais tomar atitudes.
 Sentira-me  culpada também por tolher meu filho adolescente, da presença do pai, ele iria sofrer muito, porque amava o pai, porém tivera discernimento de nossa situação, e nossa convivência mentirosa,futuramente,poderia causar-lhe um estrago maior.
Começara a evitar brigas, mesmo porque já nem nos falávamos muito, apenas quando eu comprava alguma coisa, ele usava como argumento, para não comprar outra.
O sonho a esperança sempre fora termos nossa casa, estarmos em paz e compormos uma sintonia perfeita na vida a dois, porém tudo fora tomando rumos diferentes, que quando vira um casal já bem idoso, numa loja, num supermercado, sentira uma ponta de inveja, embora não soubesse o preço que talvez tenham pago.
Ou então, simplificaram a vida, como só os sábios o fazem.
Porém Eduardo era um doce sociopata, que estava minando minha saúde mental aos poucos, quando ansiedade,insônia,eram constantes em minha vida, deixando bem claro para todos, que eu era uma perturbada
Toda vez que eu comprara alguma coisa,ele ficava mal humorado, e diante de tal situação, eu ficara com tremedeiras e muito mal, e acabara saindo sem levar nada, ou melhor ficando confusa sem saber o que viera fazer na loja.
Levi já adolescente,talvez percebera supunha eu,  mas estava sempre rindo, ligando para suas amigas, também era um excelente aluno na escola.
Ás vezes, não sei se eram minhas oscilações ou as dele, sentira no Eduardo um pai carinhoso , marido extremamente  fiel.
Outras vezes me sentira indignada,injustiçada,e também desmerecida, em tudo, que eu tentara realizar com gosto.
Mesmo depois de ter determinado ser a verdade,  meu amparo para a felicidade, tivera recaídas, que me punham tão confusa.
Eu soubera, que me separar do pai de meu filho, faria com que eu carregasse uma imensa culpa, em minhas costas, talvez pela vida inteira
Mas era a única saída, não havia outra maneira, quando eu descobrira a causa ,ou então, passaria a ser uma mulher depressiva, condenada a tomar remédios controlados, a vida inteira.
Eu me sentira numa bifurcação, o fundo do poço, ou a luz da verdade, inconscientemente sentira essa cobrança cada vez mais.
Vivêramos num mundo silencioso onde não tínhamos assunto em comum, era uma solidão a dois extremamente castradora.
E quando saíamos para tomar um lanche, ficávamos sentados um na frente do outro sem ter assunto para conversar,as vezes criando algum tipo de conversa sem nexo, para não sermos observados como um casal indiferente que éramos.
Era um deserto a dois...
Era a dor de entender como fracasso aquilo que fora para a vida inteira, pois tudo que fazemos mesmo que paire um pouco de incerteza, sempre achamos que com o tempo tudo se resolve, descartando a hipótese do fim.