Era
tarde de abril, num clima ameno me fizera sentir uma sensação incrível, um
prenúncio de esperança parecera me rondar como se eu fosse tocada pelas mãos do
infinito.
Andara
triste comigo mesma e fechada dentro do meu mundo, vivera traçando meus
rabiscos e começara a lecionar á noite.
Levi
já era um adolescente, um menino dedicado e sempre atento a tudo,eu ás vezes,
me surpreendera com suas asseverações, observando a natureza e os animais também, ele amava o pai de
maneira singular, sentira que o amara mais do que a mim, porém nunca me
importara com isso.
Um
novo ciclo em minha vida se abrindo, mas a minha maneira de mantermos nosso
relacionamento me entristecera, pois eu fizera do amor apenas uma troca onde
tudo ficara muito pior, Eduardo vivera em outro mundo, sem se importar o que
estivera acontecendo comigo,e eu toscamente buscara mais sofrimento para dentro
de minha existência.
Porém,
naquela tarde de abril, sentira alguma coisa tocando meu coração, sentira a
doce sensação de estar sendo amada, mesmo sem entender nada, porém sentira...
Talvez
fosse a gratidão, que me tocara a essência, quando passara anos e anos vendo
apenas tudo que me aborrecera, sem notar quanta coisa boa sempre tivera ao meu
lado,em minhas mãos.
Houvera
um tempo, que nem rezar eu conseguira, pois me fechara num silêncio castrador,
quando nenhuma palavras,me fizera digna de Deus.
Com o
vento roçando meu rosto, atravessara de esgueiro, uma praça que ficava perto de
minha casa, naquela tarde, meu olhar parecera tomar ciência das belezas da vida
e eu parara para ver as azaleias rosadas que floresciam o ano inteiro naquele
lugar, no entanto sempre olhara porém nunca apressara para o fato.
No
meio da fumaça, da fuligem,mesmo assim, a flor cumprira seu papel, florescendo
tranquila e naturalmente, apenas e sozinha.A
azaleia agitara alegremente, saudada pelo vento, embora trouxesse algumas de
suas pétalas, queimadas pela fuligem,mesmo assim, insistira em viver e
perpetuar sua espécie de alguma forma, espalhando sementes que viraram pequenos
projetos de árvore em toda praça.
Tão
logo, soubera que o inverno brusco chegaria, mas ela permaneceria em seu posto,
cumprindo seu legado.
Ao
mesmo tempo que me sentira feliz, também me sentira tão pequena e mesquinha, e
incapaz de flexionar a virtude da paciência, mediante as pedras, pelas quais me
foram predestinadas atravessar, obviamente que esse me fora um momento de
crescimento, em que eu saíra da mesmice e vira uma luz se acendendo no meu
caminho.
Decididamente,
fora tomando os rumos que a voz do coração me ordenara, porém sempre respaldada
pela voz da razão, para que não houvesse contrassenso em minhas atitudes
tomadas doravante.
Sentira
que ninguém pudera fazer nada por mim,me oferecendo restos ou migalhas de amor,
que não tendo em casa, buscara fora.
Fora
então me livrando de todos os tormentos ocasionados por isso, e dentro de pouco
tempo, começara a me sentir mais digna de mim mesma, quando eu tivera uma
grande bagagem escondida dentro de meu coração.
Eu
jamais quisera me sentir como um objeto, alguém que troca angústia por solidão,
pois começara a me amar e me respeitar, dando a mim o devido valor e apreço.
Começara
a dialogar comigo mesma, e todos os dias dizer que me perdoara, para que minha
vida tomasse um norte certo.
Quando
chegava em casa do trabalho, abraçava meu filho com muito amor,prometendo em
silêncio muita felicidade para mim e para ele também, sem que eu me humilhasse
por migalhas de amor, mas a felicidade presente em mim, desde que eu viera ao
mundo.