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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Era tarde de abril, num clima ameno me fizera sentir uma sensação incrível, um prenúncio de esperança parecera me rondar como se eu fosse tocada pelas mãos do infinito.
Andara triste comigo mesma e fechada dentro do meu mundo, vivera traçando meus rabiscos e começara a lecionar á noite.
Levi já era um adolescente, um menino dedicado e sempre atento a tudo,eu ás vezes, me surpreendera com suas asseverações, observando a natureza e os animais também, ele amava o pai de maneira singular, sentira que o amara mais do que a mim, porém nunca me importara com isso.
Um novo ciclo em minha vida se abrindo, mas a minha maneira de mantermos nosso relacionamento me entristecera, pois eu fizera do amor apenas uma troca onde tudo ficara muito pior, Eduardo vivera em outro mundo, sem se importar o que estivera acontecendo comigo,e eu toscamente buscara mais sofrimento para dentro de minha existência.
Porém, naquela tarde de abril, sentira alguma coisa tocando meu coração, sentira a doce sensação de estar sendo amada, mesmo sem entender nada, porém sentira...
Talvez fosse a gratidão, que me tocara a essência, quando passara anos e anos vendo apenas tudo que me aborrecera, sem notar quanta coisa boa sempre tivera ao meu lado,em minhas mãos.
Houvera um tempo, que nem rezar eu conseguira, pois me fechara num silêncio castrador, quando nenhuma palavras,me fizera digna de Deus.
Com o vento roçando meu rosto, atravessara de esgueiro, uma praça que ficava perto de minha casa, naquela tarde, meu olhar parecera tomar ciência das belezas da vida e eu parara para ver as azaleias rosadas que floresciam o ano inteiro naquele lugar, no entanto sempre olhara porém nunca apressara para o fato.
No meio da fumaça, da fuligem,mesmo assim, a flor cumprira seu papel, florescendo tranquila e naturalmente, apenas e sozinha.A azaleia agitara alegremente, saudada pelo vento, embora trouxesse algumas de suas pétalas, queimadas pela fuligem,mesmo assim, insistira em viver e perpetuar sua espécie de alguma forma, espalhando sementes que viraram pequenos projetos de árvore em toda praça.

Tão logo, soubera que o inverno brusco chegaria, mas ela permaneceria em seu posto, cumprindo seu legado.
Ao mesmo tempo que me sentira feliz, também me sentira tão pequena e mesquinha, e incapaz de flexionar a virtude da paciência, mediante as pedras, pelas quais me foram predestinadas atravessar, obviamente que esse me fora um momento de crescimento, em que eu saíra da mesmice e vira uma luz se acendendo no meu caminho.
Decididamente, fora tomando os rumos que a voz do coração me ordenara, porém sempre respaldada pela voz da razão, para que não houvesse contrassenso em minhas atitudes tomadas doravante.
Sentira que ninguém pudera fazer nada por mim,me oferecendo restos ou migalhas de amor, que não tendo em casa, buscara fora.
Fora então me livrando de todos os tormentos ocasionados por isso, e dentro de pouco tempo, começara a me sentir mais digna de mim mesma, quando eu tivera uma grande bagagem escondida dentro de meu coração.
Eu jamais quisera me sentir como um objeto, alguém que troca angústia por solidão, pois começara a me amar e me respeitar, dando a mim o devido valor e apreço.
Começara a dialogar comigo mesma, e todos os dias dizer que me perdoara, para que minha vida tomasse um norte certo.
Quando chegava em casa do trabalho, abraçava meu filho com muito amor,prometendo em silêncio muita felicidade para mim e para ele também, sem que eu me humilhasse por migalhas de amor, mas a felicidade presente em mim, desde que eu viera ao mundo.