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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Fora aparentemente, tudo resolvido mas mesmo assim,eu não saberia recomeçar minha vida, ausentada da companhia da única pessoa da qual eu tivera certeza no momento, que me amara.
Ansiosa, quanto mais eu ligara para ele, mais eu queria ligar, porém parecera, que ele sumira de meu mundo.
Passara a insistir ,tendo a sensação que uma síndrome do toque houvera tomado conta de mim e não soubera fazer outra coisa, senão digitar o número dele.
O novo serviço era bastante animador,eu já estava dominando todo setor com grande facilidade, e quando a seção se mantinha cheia de clientes,eu esquecera um pouco meus problemas.
A solidão daquela noite fora cortante, olhava para as estrelas de minha nova janela e nada sentira, a não ser revolta e uma dor muito forte estourando meu peito.
As lágrimas pareciam me aliviar um pouco, quando tudo ficara preso na garganta, fintara um grito louco e desesperador, querendo tomar grandes proporções dentro de minhas cercanias, porém de nada iria adiantar,eu jamais seria ouvida.
Quanto mais eu tentara falar com ele sem sucesso, pior eu ficara...
Ele me dera o pior dos tratamentos, que é o tratamento de silêncio, atrelado a indiferença, então eu vira meu amor se transformando em mágoa, quando Leo tivera de mim o melhor, mesmo que o meu melhor, não fora tão encantador assim, mas era tudo que eu possuíra.
Sentira-me culpada por ter sido violentada e estuprada.
A minha vida, nesse momento se tornara um deserto de vozes, de sorrisos e também de amores.
Nem as belezas naturais, que sempre me faziam parar para contemplar, estavam conseguindo animar minhas janelas turvas e embaçadas pela solidão castradora.
 Aquela noite eu dormira apreensiva, apenas tentando ser eu mesma e viver minha vida simples e tranquila sem machucar ninguém e livre de todos os ferimentos causados até então.
Contudo, tal situação para mim, fora um caminho sem volta,eu poderia até me refazer aos poucos, mas naquele momento, sobreviver se tornara um grande desafio, onde os momentos pareciam eternidades, na espera de uma retomada de consciência de Leo.
 Assim sendo quase impossível para qualquer garota nas minhas condições ,financeiras e psicológicas, atravessar aquela ponte tão estreita.
 Rafaela sempre me viera constantemente ao pensamento...
Então, por outro lado, sentira algo me dizendo para ter coragem,eu precisara mesmo me libertar de toda a angústia,eu já não tivera que morar sob o mesmo teto, que meu estuprador, livre de toda a toxidade maléfica, que a tal convivência me causara.
Já houvera desenvolvido doenças, as quais eu apenas guardara comigo,como medo,insegurança,falta de amor próprio e um sentimento de culpa terrível.
A minha família me dizia, ser eu uma estranha, solitária e que ninguém ia com a minha cara na rua onde morávamos, na verdade eu nunca tivera tempo para observar, e pouca diferença na minha vida, tais pessoas iam fazer, gostando ou não gostando de mim.
Porém, depois do estupro, quando ainda estava com Leo em minha companhia, sentira algo muito estranho no ar, aumentando o meu sentimento de culpa e minha invalidação, mediante meu namorado.
Daí a minha ansiedade em contar tudo para ele, mas parece que ele adivinhara e não quisera ouvir nunca, sempre arrumara um pretexto, me distraindo, com um outro assunto.
Naquele final de outono, meu coração rodopiava como as folhas secas na calçada, que vão sem eira e nem beira, deixando o vento as levarem, assim eu me sentira mediante coração entrelaçado de todas as razões do mundo, menos a minha, que jamais encontrara argumentos, para tanta aflição.
Visto que no tal momento, eu jamais pudera, me atrelar á razão, mas ficara atenta aos desígnios do coração, ficara esperando suas coordenadas, e aguardando por ele em paz.
Quando fora tomar banho, me olhara diante do espelho e começara a conversar comigo mesma.
E bem distante, ouvira uma voz de criança me dizendo para ter coragem.
Era como calçar um sapato velho com pés calejados...
Colocara aquela criança em meu colo, e dissera que a amara muito, que ela fora uma guerreira, que me ensinara tanto na vida, principalmente como ser honesta e se desvencilhar das mágoas sempre.