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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


Aquela noite não fora á faculdade e tentara desesperadamente ligar para Leo,mas o celular continuara desligado.
Voltara para casa, colocara meus pertences numa sacola imensa e me dirigira para a estadia, sem saber como era,eu estava desesperada e precisara sair o mais rápido possível de lá.
Minha mãe vira toda minha movimentação, mas não perguntara nada, acho que ela realmente quisera minha ausência na vida dela, verificara atentamente se houvera pego tudo, e me dirigira para a república.
Logo no corredor encontrara vários garotos e garotas conversando alto e ás vezes na maior algazarra, rindo muito.
A dona da república apresentou o documento para eu assinar e me disse não haver refeições, então eu precisara me virar, pelo menos até chegar o próximo pagamento, pois estava sem dinheiro para me manter durante uma semana, quando havia dado quase todo meu pagamento, para a minha família, como de costume.
Eu saíra de minha casa, sem me despedir de minha mãe e do meu irmão também, eles me viram esvaziando o quarto de meus escassos pertences, na verdade,eu ainda nutrira um grande amor por eles, talvez assim até fosse mais fácil para mim.
O silêncio castrador fora a única coisa que perpassara em nossas convivências sempre,eu desaprendera de conversar com eles, visto que nossos diálogos nasceram mortos e nunca conseguimos avivá-los
O silêncio de Leo arruinara a minha situação, naquele momento...
Eu arrumara minhas coisas, numa parte daquele armário destinado ao meu quarto e á minha cama, como eram poucas coisas, não tive grandes dificuldades em me acomodar.
Naquela primeira noite, embora chateada pelo silêncio de Leo,caíra na cama dormindo, no outro dia levantara e tomara um banho rápido e fora para o trabalho, aquele dia apesar de tudo, sentira que houvera resolvido uma parte importante de minha vida, que seria a ausência de meu padrasto para sempre.
Tentara ligar para o Leo,mas ele não me atendia mais, com certeza a história houvera chegado ao ouvido dele de maneira diferente,eu me arrependera tanto não ter contado a ele logo de imediato, agora houvera perdido meu amor, por causa disso.
Os primeiros dias na república, não fizeram diferença alguma em minha vida, minhas colegas de quarto,eu quase não as via, trombávamos entrando e saindo.
Eu era uma pessoa literalmente sozinha, por isso, precisara me ocupar de coisas prazerosas para que não ficasse focada no fato, ou com pena de mim mesma.
As matérias da faculdade,eu as entendia sem dificuldade alguma,portanto,passara numa biblioteca e fizera um cadastro para pegar livros.
Voltara a ler bastante nas horas de folga e também gostava de escrever.
Mesmo assim, pensamentos absurdos, me ocorriam sem que eu percebesse.
O amor próprio, estava de alguma forma abalado, pelas sequências de acontecimentos, depois de mais de três anos de namoro, mesmo mediante tal situação, não seria a maneira mais elegante de um rapaz terminar um relacionamento, sem que ele ouvisse os meus argumentos.
Fora por amor, que eu esperara tanto para contar, mesmo assim, de qualquer maneira, acreditara que meu relacionamento iria terminar,eu pressentira isso.
Rezara para Deus me dar forças e naquele dia atendera os clientes mais animada, como almoço eu levara um pão com margarina, que também seria meu café da manhã e meu jantar, certamente uma semana passaria rapidamente., depois eu mesma poderia preparar minha comida, pois tínhamos uma cozinha com fogão lá na república
Fizera amizade com algumas meninas e elas pareciam bastante alegres e felizes, também hospitaleiras, pois me receberam com carinho e eu me sentira amada entre elas.
Fora um bom recomeço, e quase principiava o inverno, finalzinho de outono, e as tardes eram frias, os dias escureciam mais cedo, e um vento insistente arrastava as folhas mortas pelas calçadas, os ipês que estiveram floridos na primavera, agora  nus, com seus galhos fintando braços esquálidos, pedindo socorro aos céus.
Aquelas ruas eram uma tortura para mim, durante o dia muitas vezes, mesmo de manhã muito cedo,eu punha um óculos com lentes muito escuras para poder chorar e desabafar livremente, deixando que o vento levasse tudo para algum lugar do passado.
Tudo era carregado para bem distante, porém deixando todos os resquícios em meu coração.