Aquela
noite não fora á faculdade e tentara desesperadamente ligar para Leo,mas o
celular continuara desligado.
Voltara
para casa, colocara meus pertences numa sacola imensa e me dirigira para a
estadia, sem saber como era,eu estava desesperada e precisara sair o mais
rápido possível de lá.
Minha
mãe vira toda minha movimentação, mas não perguntara nada, acho que ela
realmente quisera minha ausência na vida dela, verificara atentamente se
houvera pego tudo,
e me dirigira para a república.
Logo
no corredor encontrara vários garotos e garotas conversando alto e ás vezes na
maior algazarra, rindo
muito.
A
dona da república apresentou o documento para eu assinar e me disse não haver
refeições, então eu precisara me virar, pelo menos até chegar o próximo
pagamento, pois estava sem dinheiro para me manter durante uma semana, quando
havia dado quase
todo meu pagamento, para
a minha família, como de costume.
Eu
saíra de minha casa, sem me despedir de minha mãe e do meu irmão também, eles
me viram esvaziando o quarto de meus escassos pertences, na verdade,eu ainda
nutrira um grande amor por eles, talvez assim até fosse mais fácil para mim.
O
silêncio castrador fora a única coisa que perpassara em nossas convivências
sempre,eu desaprendera de conversar com eles, visto que nossos diálogos nasceram mortos e
nunca conseguimos avivá-los
O
silêncio de Leo arruinara a minha situação, naquele momento...
Eu
arrumara minhas coisas,
numa parte daquele armário destinado ao
meu quarto e á minha cama, como eram poucas coisas, não tive grandes
dificuldades em me acomodar.
Naquela
primeira noite, embora chateada pelo silêncio de Leo,caíra na cama dormindo, no
outro dia levantara e tomara um banho rápido e fora para o trabalho, aquele dia
apesar de tudo, sentira que houvera resolvido uma parte importante de minha
vida, que seria a ausência de meu padrasto
para sempre.
Tentara
ligar para o Leo,mas ele não me atendia mais, com certeza a história houvera
chegado ao ouvido dele de maneira diferente,eu me arrependera tanto não ter
contado a ele logo de imediato, agora houvera perdido meu amor, por causa
disso.
Os
primeiros dias na república, não fizeram diferença alguma em minha vida, minhas
colegas de quarto,eu quase não as via, trombávamos entrando e saindo.
Eu
era uma pessoa literalmente sozinha, por isso, precisara me ocupar de coisas
prazerosas para que não ficasse focada no fato, ou com pena de mim mesma.
As
matérias da faculdade,eu as entendia sem dificuldade alguma,portanto,passara
numa biblioteca e fizera um cadastro para pegar livros.
Voltara
a ler bastante nas horas de folga e também gostava de escrever.
Mesmo
assim, pensamentos absurdos, me ocorriam sem que eu percebesse.
O
amor próprio, estava de alguma forma abalado, pelas sequências de
acontecimentos, depois de mais de três anos de namoro, mesmo mediante tal
situação, não seria a maneira mais elegante de um rapaz terminar um
relacionamento, sem que ele ouvisse os meus argumentos.
Fora
por amor, que eu esperara tanto para contar, mesmo assim, de qualquer maneira,
acreditara que meu relacionamento iria terminar,eu pressentira isso.
Rezara
para Deus me dar forças e naquele dia atendera os clientes mais animada, como
almoço eu levara um pão com margarina, que também seria meu café da manhã e meu
jantar, certamente uma semana passaria rapidamente., depois eu mesma poderia
preparar minha comida, pois tínhamos uma cozinha com fogão lá na república
Fizera
amizade com algumas meninas e elas pareciam bastante alegres e felizes, também
hospitaleiras, pois me receberam com carinho e eu me sentira amada entre elas.
Fora
um bom recomeço, e quase principiava o inverno, finalzinho de outono, e as
tardes eram frias, os dias escureciam mais cedo, e um vento insistente
arrastava as folhas mortas pelas calçadas, os ipês que estiveram floridos na
primavera, agora nus, com seus galhos
fintando braços esquálidos, pedindo socorro aos céus.
Aquelas
ruas eram uma tortura para mim, durante o dia muitas vezes, mesmo de manhã
muito cedo,eu punha um óculos com lentes muito escuras para poder chorar e
desabafar livremente, deixando que o vento levasse tudo para algum lugar do
passado.
Tudo
era carregado para bem distante, porém deixando todos os resquícios em meu
coração.