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domingo, 21 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Chegara a Rocamadour por volta de meio dia,seguira pela Rue de la Couronnerie e num simples e aconchegante restaurante estava Michel, que ao me ver veio ao meu encontro com os olhos cheios de lágrimas, e abraçou-me, conduzindo a uma mesa, e como da outra vez, optamos pelas omeletes.
Simplesmente deliciosas, a de chouriço estava maravilhosa.
Caprichosamente preparada, no ponto certo, acompanhada de gostosas batatas fritas palito.
O habitual "pichet" de vinho era de boa qualidade.
Serviço aconchegante, ambiente agradável
Numa maravilhosa localização, junto à "porte Saumon", com vista para o "canyon".
Uma encantadora visão, um desfiladeiro, uma ribanceira, uma riba, cânion ou canhão, como queira, uma profunda ravina formada entre escarpas ou falésias.
 Trata-se  da paisagem mais repetidamente, esculpida pela atividade erosiva de um rio, em escalas de tempo geológicas, em particular, em regiões onde as camadas de rochas mais macias, são intercaladas por camadas mais duras, e mais resistentes às intempéries.
Estupendo!
Almoçamos, quase que em silêncio, porém eu não gostara disso, e viera a lembrança, o fim da relação com Eduardo, quando não tínhamos mais assuntos.
Mas eu fora interrompida em meus pensamentos:
Sara, continuaras te encontrando com Eduardo mesmo depois que estávamos juntos?
Eu levara tremendo susto que levantara da mesa sem perceber, depois caíra sentada:
Michel,tu enlouqueceste?
Ele olhou calmamente e dissera:
Calma,eu ainda não terminei!
E continuara...
Se tornara amante dele para se vingar de Celina, por ele ter preferido ela e te abandonado?
Eu nunca contara detalhes de minha separação a Michel, achara melhor apagar meu passado e viver o presente.
Eu dissera então:
Como assim?
Fora eu quem saíra de casa,eu nunca te disse isso?
Ele me respondeu:
Estás mentindo de novo!
Eu fizera sinal ao garçom,pagara minha conta e saíra a procura de um hotel, para pernoitar e voltar.
Sentira Michel estranho vencido e manipulado, talvez ele passara para o lado daquelas pessoas que não acreditavam em mim.
Fora uma oportunidade apenas e Eduardo jogara meu casamento com Michel no lixo, sentira um nó me apertando a garganta a ponto de me estrangular se não desabasse minha cachoeira de lágrimas pela rua afora...
Michel se perdera entre os transeuntes, e eu apressara o passo, pois  não queria mais lhe ver.
Vivêramos mais de duas décadas lado a lado, lutamos juntos, construímos nossas vidas, palavra por palavra, atitude por atitude e agora uma avalanche sobrecaíra sobre nós, sem que soubéssemos, como nos entendermos mais.
Entrara no minúsculo quarto do hotel, tirara meu sapato que estivera me apertando os pés, e me debulhara em lágrimas, me sentindo culpada por ter permitido que Michel tivesse contato com Eduardo.