Chegara
a Rocamadour
por volta de meio dia,seguira pela Rue de la Couronnerie e num simples e aconchegante restaurante
estava Michel, que ao me ver veio ao meu encontro com os olhos cheios de
lágrimas, e abraçou-me, conduzindo a uma
mesa, e como da outra vez, optamos pelas omeletes.
Simplesmente
deliciosas, a de chouriço estava maravilhosa.
Caprichosamente
preparada, no ponto certo, acompanhada de gostosas
batatas fritas palito.
O habitual "pichet" de vinho era
de boa qualidade.
Serviço
aconchegante, ambiente
agradável
Numa
maravilhosa localização, junto à "porte Saumon",
com vista para o "canyon".
Uma
encantadora visão, um desfiladeiro, uma ribanceira, uma
riba, cânion
ou canhão,
como queira, uma profunda
ravina formada entre escarpas ou falésias.
Trata-se
da paisagem mais repetidamente, esculpida pela atividade erosiva de
um rio, em
escalas de tempo geológicas, em particular,
em regiões onde as camadas de rochas mais
macias, são
intercaladas por camadas mais duras,
e mais resistentes às intempéries.
Estupendo!
Almoçamos,
quase que em silêncio, porém eu não gostara disso, e viera a lembrança, o fim
da relação com Eduardo, quando não tínhamos mais assuntos.
Mas
eu fora interrompida em meus pensamentos:
Sara,
continuaras te encontrando com Eduardo mesmo depois que estávamos juntos?
Eu
levara tremendo susto que levantara da mesa sem perceber, depois caíra sentada:
Michel,tu
enlouqueceste?
Ele
olhou calmamente e dissera:
Calma,eu
ainda não terminei!
E
continuara...
Se
tornara amante dele para se vingar de Celina, por ele ter preferido ela e te
abandonado?
Eu
nunca contara detalhes de minha separação a Michel, achara melhor apagar meu
passado e viver o presente.
Eu
dissera então:
Como
assim?
Fora
eu quem saíra de casa,eu nunca te disse isso?
Ele
me respondeu:
Estás
mentindo de novo!
Eu
fizera sinal ao garçom,pagara minha conta e saíra a procura de um hotel, para
pernoitar e voltar.
Sentira
Michel estranho vencido e manipulado, talvez ele passara para o lado daquelas
pessoas que não acreditavam em mim.
Fora
uma oportunidade apenas e Eduardo jogara meu casamento com Michel no lixo,
sentira um nó me apertando a garganta a ponto de me estrangular se não
desabasse minha cachoeira de lágrimas pela rua afora...
Michel
se perdera entre os transeuntes, e eu apressara o passo, pois não queria mais lhe ver.
Vivêramos
mais de duas décadas lado a lado, lutamos juntos, construímos nossas vidas,
palavra por palavra, atitude por atitude e agora uma avalanche sobrecaíra sobre
nós, sem que soubéssemos, como nos entendermos mais.
Entrara
no minúsculo quarto do hotel, tirara meu sapato que estivera me apertando os
pés, e me debulhara em lágrimas, me sentindo culpada por ter permitido que
Michel tivesse contato com Eduardo.