Eu
procurara nunca contar nada sobre o estupro, nem para minha mãe e muito menos
para meu irmão, então tudo fora se esvaindo no tempo, e ainda sobrara um
resquício de amor entre nós...
Porém
sobreviver aquela situação fora extremamente difícil para mim,o que me levara a
cometer suicídio.
Embora
a história da
humanidade tenha sido
permeada pela compleição
de eventos traumáticos,
naturais ou provocados pelo próprio ser
humano, fora somente estendida a compreensão,
durante a metade do século dezenove, quando surgiram as inovações tecnológicas,
levando mais em consideração os traumas físicos sofridos em acidentes por meios
de transportes, fossem aéreos ou rodoviários.
Aos
poucos, foram associando também esses traumas, aos abusos físicos e
psicológicos.
São
sintomas terríveis, que vão desde insônias,sudoreses,tremores,ansiedade,desânimo
e também depressão.
Também
podem ocorrer fobias, das mais variadas, falta de confiança, isolação social e
outros.
Acreditara eu, que os profissionais precisariam estarem mais atentos, não apenas para tratarem os
sintomas, mas descobrirem o foco de onde advém o desconforto.
Essas
doenças como não abrem feridas no corpo, dificilmente a vítima tem uma resposta
positiva a sua queixa,
que não seja voltada para ela mesma.
Enfim,eu
entendera que minha história, assim como todas as histórias contadas por minha querida avó Rafaela ,também tiveram um final feliz, quando chamamos
de final, o que realmente eu comprovara de fato, que fora outro início com
todos os esclarecimentos possíveis.
Porque,
mesmo que neste plano, alguém passe como vencido pela enfermidade, pelas
desavenças, pelas tristezas das perdas, se esta fora uma pessoa que
buscara o bem,terá certamente um final feliz.
Eu
tivera uma amiga, na juventude, cujo irmão nascera com uma anomalia cardíaca muito severa,
doença de Chagas transmitida
pelo Trypanosoma cruzi, cujo parasita
da mesma família do tripanosoma africano, responsável pela doença do sono.
Sofrera
abruptamente todos os sintomas da doença, vindo a falecer com vinte quatro
anos, não só em decorrência da doença,mas também porque tivera hepatite
medicamentosa.
Porém
me lembro que todas as vezes que fui visitá-lo, estava sempre esperançoso
alegre, contando tudo sobre a doença.
Essa
minha amiga, costumava banhar os pés dele, quando inchavam muito com água
morna, em um domingo de carnaval ele se fora, minha amiga ainda adolescente
ficara muito triste,porém,certamente ele partira como um vitorioso.
A
minha experiência me valera muito em minha vida, portanto acredito, que eu
viera predestinada a passar por tudo que passara, porque somente assim, poderia
ajudar outras pessoas, quando perdiam seus entes.
Mas,eu
tivera sempre em mente que, a vida aqui neste plano é maravilhosa, e que somos
uma só consciência, mas todos interligados, embora jamais encontrara palavras
para descrever, a sensação que eu sentira, ao ser tocada por aquela luz, ao
ouvir aquela voz, suave como música, e forte como trovão.
Meu
neto, agora já na faculdade cursando informática, porém continuara apaixonado
pelo piano, ele tocava numa casa noturna em Portugal, era apaixonadíssimo pela
música clássica, e Renato amava esse neto de maneira singular, então
decidíramos nos mudarmos também para lá, pois aquela era a nossa família
e era importante que ficássemos perto.
Marcos
e Lavínia também foram conosco, se avizinhar de seus filhos ...
Depois
de anos morando em Portugal, acompanhara as estações
e francamente
achara o clima em Portugal,
puramente o melhor clima
do mundo.
Viajáramos
por cidades lindas com muito calor, muito
frio, muita chuva e meu
arremate mantivera-se o mesmo.
Portugal
proporciona um clima tranquilo
e gostoso...
Tendo cada estação
do ano, as características muito reservadas
e bem delineadas.
Sempre
sonhara em morar num lugar, onde não sofreria com o calor, lembrara de meu
sofrimento com as sudoreses, quando ainda bem jovem, e quão grata eu fora a
Deus pela cura e pela oportunidade de vivenciar ainda neste plano as tais
maravilhas de morar num país calmo e acolhedor.
Suas
ruas, representaram sempre para mim, a extensão de meu apartamento, encontrando
pessoas alegres gentis, sentindo saudade sim do Brasil, mas por outro lado
agradecendo a Deus, por ter conseguido, com a verdade, vencer todos os
obstáculos.