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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Quando nosso netinho completara três meses, voltáramos ao Brasil, sentindo muita saudade, do que deixáramos para trás.
E assim que Gabriel fizera um aninho, estivera lindíssimo e minha filha mandara muitas fotos e filmes de sua festinha de aniversário.
A minha mãe viera sempre me visitar, para saber de seu bisneto, enquanto meu padrasto continuara internado.
Numa tarde de domingo, ela aparecera em casa sem me avisar antes, dissera que precisara muito falar algo importante, eu, que  soubera de seu jeito para comigo,portanto jamais fizera perguntas, porém a tal atitude advinda dela, me deixara surpresa.
 Eu quando criança, nunca cogitara perguntar, quem fora meu pai, porque houvera sempre um constrangimento, mediante ela e meu padrasto também.
Nunca desenvolvêramos a arte do diálogo, esse que agora tão requisitado a mim ,por ela, porque viera me dizer, que meu pai era filho de Rafaela, que sofrera um acidente depois da separação, e falecera.
E que mediante juramento confiara a Rafaela jamais clarear esse fato a mim, mesmo porque meu padrasto proibira e era ele quem sustentara minha mãe e me criara também.
Eu ficara muito triste, porque perdera grande oportunidade, de ter sido criada pela minha avó, uma pessoa a quem eu amara muitíssimo, e isso também me fora tirado.
Olhei para minha mãe e ia começar a dizer tudo isso, depois sentira minha consciência ouvindo para eu ficar em paz, que isso não me levaria a nada.
Lembrara das histórias que Rafaela me contara, tentando dar um final feliz a todas elas, e que durante minha experiência, fora ela quem me esperara, e durante toda minha vida, ela estivera tão presente em mim.
Apenas não compreendera, como ela pudera manter o seu silêncio uma vida inteira,eu sempre pensara a seu respeito, a respeito de sua vida, de sua solidão.
Por outro lado, jamais vira em Rafaela uma pessoa solitária, um pouco calada sim, mas sempre realizando as coisas que lhe rendiam o sustento com muita alegria e prazer.
Também não conseguira entender porque somente depois de tanto tempo, minha mãe viera me revelar esse fato.
Depois que minha mãe se fora,eu vira o entardecer lentamente de maneira diferente de até então, sentira que a vida estivera entardecendo para mim também, e juntamente com todos os fatos, um brilho estupendo de um discernimento mais profundo, e uma voz de trovão alegando que tudo tivera que ser exatamente assim.
Viera dentro de uma família que me fizera passar horrores, porém essa mesma família continha pessoas incríveis, quando eu considerara família espiritual.
Eu jamais deixara de pressentir em Marcos um enviado a minha vida também, quando além de ter sido, o meu primeiro namorado, fora também meu amigo confidente e que a vida se encarregara de nos colocar frente a frente em momentos decisivos, tanto para mim, quanto para ele, implicando em confiança e responsabilidade.
Ele tinha dois filhos, já formados em engenharia, que eram amigos de nossa filha e acabaram mudando-se para Portugal depois de casados.
Renato se tornara amigo de Marcos e eu amiga de sua esposa Lavínia, um amor de pessoa.
Sempre viajáramos juntos para visitarmos nossos filhos e nossa viagem era sempre duradoura e prazerosa, nunca conseguíramos ficar menos que dois meses em Portugal.
O nosso neto estava com cinco anos, um lindo garoto que tinha os olhos do pai e a beleza de Maia nossa filha, ele adorava música e com essa idade já tocava piano maravilhosamente bem.
Gabriel era um encanto de criança, muito alegre, divertido e educado também.
Os avós do Brasil, quando coincidíamos viajar no final do ano, iam também visitar o neto a padaria de Daniel e Carolina, era famosa pelos deliciosos pães e doces também.
Renato sempre que estivera disposto, ia ajudar no atendimento aos fregueses,não fizera disto uma rotina, mas esporadicamente ia.
Eu tinha no meu quintal, maravilhosos canteiros de margaridas multicoloridas,eu desenvolvera esse gosto com Rafaela, agora ciente que ela era minha querida avó.
O tempo fora passando, meu padrasto acabara falecendo e eu fora prestar minha solidariedade ao meu irmão, pois ele amava o seu pai, isso soara para mim, como uma parte importante deixada por Artur.