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segunda-feira, 15 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Antes acostumada a entregar os meus vencimentos, nas mãos de meu padrasto, mas em apenas pouco tempo morando sozinha, controlando meus gastos, provara a mim mesma, que possuía educação financeira o suficiente, para levar minha humilde existência em paz, não sendo essa gastadora sem nexo como alegaram eu ser.
Isso desconstruía em mim uma ideia negativa.
Naqueles dias,eu insistira muito em falar com Leo,deixara recado no celular, mas houveram passados quase oito meses,e ele nunca me dera retorno.
Eu ficara triste e decepcionada com ele também, que fora a única pessoa na qual eu confiara durante os últimos anos vivenciados.
Éramos quatro garotas morando num mesmo quarto da república estudantil, mas geralmente este vivia cheio de outros rapazes, e outras meninas de outros aposentos.
Eu continuara não participando das festas e também baladas, sob pretexto agora,que estudava á noite e de manhã muito cedo entrava no trabalho, a fim de arrumarmos toda loja, discutirmos possíveis problemas e também era servido um café para os funcionários, cujo gerente sempre fizera algumas reuniões antes de começarmos o dia.
E no final do ano tínhamos férias coletivas de quinze dias, quando o setor financeiro voltava para um balanço geral e os funcionários ficavam mais uma semana descansando.
O tempo fora passando também rapidamente e quando estivera quase no final do ano, vira as meninas arrumarem suas malas e voltarem para suas casas em suas cidades.
Eu havia conversado com a dona da república que continuaria ali, pois não tinha para onde ir, e eu meu eterno companheiro o cachorrinho Kalu passaríamos as férias passeando pelas ruas, visitando lojas, uma féria bem diferente do ano que se passara.
As lembranças de Leo eram muito fortes naquela época e o tratamento de silêncio, de um relacionamento sem término, espargira certa toxidade, que fizera de mim uma pessoa incapaz de confiar em alguém.
Então eu parecera sempre invisível pelas ruas, ou indiferente a qualquer olhar, ou rapaz que pudesse me abordar.
Eu começara a imaginar, que todas as pessoas seriam capazes de atrocidades, por isso vivenciara uma solidão castradora em relação ao mundo que me cerceava.
Nos livros passara a ver assuntos interessantes, que se ajustavam comigo,portanto deixara totalmente isolados, os comentários provocantes das meninas e dos rapazes da república também, pois estes falavam muito sobre minha solidão.
Falavam sobre minha necessidade de namorar algum rapaz e no decorrer daquele ano me apresentaram alguns, porém, não por insistência minha, mas não conseguira me focar em ninguém.
Agarrara a ideia, de que houvera me encontrado comigo mesma, e entendera, que apesar de amar muito Leo,também sentira por ele um certo apego ,uma certa dependência e isso não era bom para mim,pois gerara uma zona de conforto, que me impossibilitara de vencer as minhas barreiras, os meus percalços.
Sentira um medo terrível de me apegar a mais alguém e me frustrar de novo, porém  por não saberem de minha história, todos da república me criticavam.
Vira então no momento, uma grande necessidade de explorar minhas profundezas, pois somente assim estaria em sintonia com meu mundo exterior.
Entendera que, toda vez, que eu tentara compartilhar um segredo íntimo com Leo,ele sempre preferira deixar para depois, porque estivera longe de viver, ou sentir algo parecido.
Como aquele ano transcorrera rapidamente também, e por estar terminando , esporadicamente, também sentira uma grande satisfação, um grande prazer, por ter vencido minha primeira etapa. contando comigo mesma.
Apenas o sentimento de culpa, em relação aos abusos, me deixavam muito aquém daquilo que eu poderia ser.
Tudo se mantivera impregnado em mim, como se estivesse marcada para sempre, mesmo porque tudo estivera interligado ao término com Leo.
Conhecera um garoto na faculdade chamado Sílvio, e nos tornamos amigos, ele era muito sincero, e ás vezes me dizia coisas, que até me magoavam, mas eu entendera, que seu comportamento, parecera meio duro, mas fizera parte da sinceridade.
Entendera então, que os verdadeiros amigos, jamais são aqueles que nos bajulam com elogios, mas sim, aqueles que muitas vezes dizem o que precisamos ouvir.
E o que precisamos ouvir, nem sempre são palavras doces, mas sim, palavras duras capazes nos acordar para uma saída, uma retomada de atitudes, ou também buscar ajuda.