Antes
acostumada a entregar
os meus vencimentos, nas
mãos de meu padrasto, mas em apenas pouco tempo morando sozinha, controlando
meus gastos, provara a mim mesma, que possuía educação financeira o suficiente,
para levar minha humilde existência em paz, não sendo essa gastadora sem nexo
como alegaram eu ser.
Isso
desconstruía em mim uma ideia negativa.
Naqueles
dias,eu insistira muito em falar com Leo,deixara recado no celular, mas
houveram passados quase oito meses,e ele nunca me dera retorno.
Eu
ficara triste e decepcionada com ele também, que fora a única pessoa na qual eu
confiara durante os últimos anos vivenciados.
Éramos
quatro garotas morando num mesmo quarto da república estudantil, mas geralmente
este vivia cheio
de outros rapazes, e
outras meninas de outros aposentos.
Eu continuara não participando das festas e também baladas, sob pretexto agora,que estudava á noite e de
manhã muito cedo entrava no trabalho, a fim
de arrumarmos toda loja, discutirmos possíveis problemas e também era servido
um café para os funcionários, cujo gerente sempre fizera algumas reuniões antes
de começarmos o dia.
E no final do ano tínhamos férias coletivas de quinze dias, quando o setor
financeiro voltava para um balanço geral e os funcionários ficavam mais uma
semana descansando.
O
tempo fora passando também
rapidamente e quando estivera quase no final do ano, vira as meninas arrumarem
suas malas e voltarem para suas casas em suas cidades.
Eu
havia conversado com a dona da república que continuaria ali, pois não tinha
para onde ir, e eu meu eterno companheiro o cachorrinho Kalu
passaríamos as férias passeando pelas ruas, visitando lojas, uma féria bem
diferente do ano que se passara.
As
lembranças de Leo eram muito fortes naquela época e o tratamento de silêncio, de um relacionamento sem término, espargira certa toxidade, que fizera de mim uma pessoa incapaz de confiar em
alguém.
Então
eu parecera sempre invisível pelas ruas, ou indiferente a qualquer olhar, ou
rapaz que pudesse me abordar.
Eu
começara a imaginar, que todas as pessoas seriam capazes de atrocidades, por
isso vivenciara uma solidão castradora em relação ao mundo que me cerceava.
Nos
livros passara a ver
assuntos interessantes, que se ajustavam comigo,portanto deixara
totalmente isolados, os
comentários provocantes das meninas e dos rapazes da república também, pois estes falavam muito sobre minha solidão.
Falavam
sobre minha necessidade de namorar algum rapaz e no decorrer daquele ano me
apresentaram alguns, porém, não por insistência minha, mas não conseguira me
focar em ninguém.
Agarrara
a ideia, de que houvera me encontrado comigo mesma, e
entendera, que
apesar de amar muito Leo,também sentira
por ele um certo apego ,uma certa
dependência e isso não era bom para mim,pois gerara uma zona de conforto, que
me impossibilitara de vencer as minhas barreiras, os meus percalços.
Sentira
um medo terrível de me apegar a mais alguém e me frustrar de novo, porém por não saberem de minha história, todos da
república me criticavam.
Vira então
no momento, uma grande necessidade de explorar minhas profundezas, pois somente
assim estaria em sintonia com meu mundo exterior.
Entendera
que, toda vez, que
eu tentara compartilhar um segredo íntimo com Leo,ele sempre preferira deixar
para depois, porque
estivera longe de viver,
ou sentir algo parecido.
Como
aquele ano
transcorrera rapidamente também, e por
estar terminando
, esporadicamente, também sentira uma grande satisfação, um grande
prazer, por ter vencido
minha primeira etapa. contando comigo
mesma.
Apenas
o sentimento de culpa,
em relação aos abusos, me
deixavam muito aquém daquilo que eu poderia ser.
Tudo
se mantivera impregnado em mim, como se estivesse marcada para sempre, mesmo
porque tudo estivera interligado ao término com Leo.
Conhecera
um garoto na faculdade chamado Sílvio, e nos tornamos amigos, ele era muito sincero, e
ás vezes me dizia coisas,
que até me magoavam, mas eu entendera,
que seu comportamento, parecera meio duro,
mas fizera parte da sinceridade.
Entendera
então, que
os verdadeiros amigos,
jamais são aqueles que nos bajulam com elogios,
mas sim, aqueles
que muitas vezes dizem o que
precisamos ouvir.
E o
que precisamos ouvir,
nem sempre são palavras doces, mas sim,
palavras duras capazes nos
acordar para uma saída,
uma retomada de atitudes, ou também buscar ajuda.